Décimo Capítulo de Corações Desimpedidos

Após serem flagrados, Gisele e Daniel sorriem juntos ao perceberem que o clima estava indisfarçável e que não tinham mais motivos pra esconderem o que sentiam um pelo outro. Ao perceber a movimentação na sala, Sr. Otávio chega de surpresa e Gisele tenta se recompor diante do chefe. Ele dá um sorrisinho meio que já estava ciente da situação toda e questiona sobre seus arquivos, tentando dar uma disfarçada. Doroth e Wallace se retiram da sala e Daniel decide seguir os dois. Gisele volta pra sua mesa e decide pegar os arquivos para o chefe, quando este a pega de suas mãos e lhe aconselha:

– Fique tranquila, Gisele! Você sabe perfeitamente que é boa no que faz né

– Senhor, ... – ia se explicar ela, quando ele a interrompe.

– Não precisa me explicar nada. Sério! Já estava mais que na hora de você encontrar alguém que te leve a sério. Ele é um cara legal. Invista nele. – declara o chefe apontando para Daniel que conversava com Doroth na recepção.

Gisele consente, com seu olhar sério e o chefe sai em seguida.

Chefe-e-Funcionaria

Já não dava mais pra esperar diante de tanta ansiedade dos pais e dos amigos de Grace.

Foram à polícia e depois da apreensão do celular do pai dela, fizeram a perícia e o rastreamento da última ligação da jovem.

– Foi da região da costa verde, precisamente de Angra dos Reis a ligação da moça. – Anunciou o delegado em sua sala quase tomada pelos amigos e pais da jovem.

Zeca e os outros que estavam a tarde toda acompanhando o caso enquanto Emiliano prestava queixa e em que estava dando andamento às investigações sobre o seu paradeiro.

Todos se olharam espantados e assustados e a mãe da menina estava desolada e abatida devido á atitude da filha e por querer estar ao lado dela agora.

 

Mais tarde, Doroth acompanhou Gisele até o seu apartamento:

– Estranho essa ligação da Grace né? – pergunta Gisele, confusa.

– Pois é, amiga! Essa situação toda me deixa completamente nervosa.

– Por que Grace tomou uma atitude dessas, Doroth? Será que ela ficou doida?

– Alda e Emiliano tiveram uma parcela de culpa nisso né amiga?

– Verdade, Doroth! Mas Grace também teve culpa por tudo isso estar acontecendo. Os pais dela estão sofrendo com este desaparecimento. Eles estão errados sim, mas ela também errou por sair de casa sem ao menos dar um aviso.

– Amiga, eu entendo uma coisa. Grace deve ter fugido por causa da pressão que estava vivendo com seus pais. Ela achou que ir pra Angra seria uma válvula de escape.

– Isso não está certo, Doroth! Grace tomou uma atitude infantil. Um dia você me disse que ela tinha muitos amigos no Face. Foi você que me disse ou foi a Júlia que comentou, não sei!

– Ah sim, fui eu que disse à você. Mas o que pensou agora?

– Bom, às vezes os amigos do Face podem saber como a gente encontra a Grace.

– Verdade, amiga! Eu vou falar com a Júlia e com o Murilo. Eles têm amigos no Face que conhecem a Grace também.

Depois de algumas ligações, Doroth volta à amiga e diz:

– Tenho uma informação boa sobre a Grace.

– Conte então amiga!

– Tem um amigo da Júlia que me telefonou agora. A Júlia pediu pra ele me ligar e ele me contou que Grace tinha um amigo virtual. Ela não o conhece pessoalmente e o perfil do cara não tinha foto e pouco se sabe da vida dele.

– Amiga, isso é sério demais. Temos que ir à delegacia e contar essa informação agora para a polícia.

– Fica tranquila que a Grace vai ser encontrada.

– Tudo isso pra chamar a atenção dos pais. Doroth, a Grace pode estar em crise devido ao relacionamento dos pais, mas isso não justifica o que ela fez. Partir pra Angra pra encontrar um desconhecido que nem ao menos sabe quem se trata.

– Eu sei que é muito louco isso, mas infelizmente a Grace não estava em sã consciência não. – diz Doroth, perturbada com toda a situação.

Abraço-Emocionado

Parecia um sonho tudo aquilo pra Grace. Estava diante de um rapaz maravilhoso que parecia um príncipe em um belo iate que ela nunca andara antes.

Alguns minutos depois já estava de biquíni, um chapeuzinho panamá de sol que ele arrumara pra ela e ele a tratava como um verdadeiro cavalheiro.

Ficara observando seu tórax e seus braços rígidos enquanto ele içava as velas do barco que iam pôr em curso ao mar em instantes. Era seu primeiro passeio dos sonhos com alguém que só conhecia pela web.

Antes de assumir o volante do barco, ele passa por ela, a envolve nos braços de novo e a beija mais uma vez.

Depois, se servem de um coquetel de frutas e se dirigem para o convés à dentro pra ligar o barco para levar à alto-mar.

E à medida que o barco ia saindo, o vento esvoaçava seus cabelos.

Rafael, o motorista se aproxima e vê de longe o barco do Dr. Rodolfo deixar o cais.

Conseguira também ver a jovem que estava com o rapaz e grita atônito:

– Oh doido! O que você está fazendo? Desliga o motor! – E corre pelo cais afora desesperado. – Pára, seu maluco! Você não pode fazer isso!

Percebendo que não tinha jeito, liga pra Dr. Rodolfo.

 

Rodolfo, à mesa de um restaurante dentro do shopping, diante de suas taças de uma bebida nobre do seu costume interrompeu o beijo da sua amada devido ao celular que tocava insistentemente.

Quando olhou no visor, se irritou um pouco.

– Eu falei pro Rafael me buscar daqui há uma hora. Por que será que ele está me ligando?

– Pode ser um imprevisto, amor.

– Rafael é muito eficiente. Nunca deixa os problemas por maior que seja chegar até a mim. Alô! – Ele atende depois de alguns toques.

A mulher vê quando o rosto do seu marido se ruboriza ao ouvir o empregado do outro lado da linha.

– Aconteceu alguma coisa, meu amor? – pergunta ela, séria.

– Rafael, eu estou chegando aí. Me aguarde! A conta por favor! – Ele pede ao garçom que passa por ali.

– Eu estou preocupada com você. O que houve?

– Nem queira saber porque uma bomba está pra explodir nas minhas mãos.

Ela fica séria.

 

A bússola da embarcação estava apontada em direção da serra rumo à Ilha Grande, onde Demétrio, o empregado de Rodolfo queria levar Grace. Ele não deixou perceber, mas saiu da cabine um tanto cabreiro, pois estava sentindo cheiro de queimado vindo da casa de máquinas, mas saiu para fora e ao vento que levava o cheiro para longe ele tentou disfarçar o pânico que começara a sentir indo abraçar a sua paquera que estava ali deslumbrada por ele, pensando que ele era o milionário proprietário daquele barco.

Demétrio e Grace se abraçaram mais uma vez com o barco em movimento e ela estava plenamente envolvida por ele. Num lance de olhar para trás das costas dele, ela ainda pode ver uma fumaça preta que saía do escapamento atrás do barco e gritou assustada:

– O que é aquilo, meu Deus!!! O que está acontecendo!?

Enquanto isso no cais as pessoas já haviam se ajuntado diante do tumulto que se formara enquanto Rodolfo e seu motorista que olhavam para o barco em alto mar soltando aquela fumaça preta e uma greta de fogo na parte de baixo.

– O que esse idiota vai fazer?? – esbravejou Dr. Rodolfo.

– O pior que tem uma moça com ele. – diz Rafael.

– Mas quem será essa mulher que ta com ele?! – perguntou a mulher do Dr. Assustada e abraçada a ele.

 

No barco, Grace se encontrava em pânico e gritava desesperada.

– O que é que ta acontecendo cara? O que é que você vai fazer? Esse barco ta pegando fogo!!!

– Eu vou tentar dar um jeito na situação. – diz ele, mas ela continuava nervosa.

Ele percebeu que o motor estava superaquecido.

 

A polícia logo apareceu no shopping acompanhado com a viatura de bombeiros.

Logo desceu do carro da corporação a bombeira Tenente Priscila que mal havia chegado viu de longe a bola de fogo que se formara no mar diante de olhares curiosos que viam a cena dramática.

O iate em que os dois se encontravam explode na baía de Sepetiba minutos depois.


Atenção: Para dar continuidade a leitura de "Corações Desimpedidos", a obra está disponibilizada no Wattpad, plataforma de leituras.

*Confira também a obra "Distante Amor", aqui no site que aborda também: Relacionamento Virtual

Nono Capítulo de Corações Desimpedidos

Grace, à medida que ela ia caminhando devagar e se aproximando do barco que estava ancorado ao cais e que via aquele rapaz em sua frente, seu coração parecia disparar e ela estava deslumbrada com tudo aquilo.

O lugar que era paradisíaco, com o cenário do mar a sua vista, a Ilha grande no horizonte e há poucas horas de barco daquele ponto e o vento sudoeste da tarde fazia esvoaçar seus cabelos e que também fazia fascinar o misterioso rapaz que ela conhecera pela Internet.

Seus cabelos dourados e seus olhos claros, juntamente com seu porte físico dourado pela luz do sol daquela tarde, vislumbrava Grace e ele não podia esperar tanto. Ele estava no convés do barco com uma taça de bebida na mão olhando ela se aproximar e ela quase não podia acreditar no que estava vendo na sua frente. 

Com o copo na mão, o peito descoberto denotando seu físico definido, ele saiu do convés e veio até ao estrado e estendeu-lhe a mão.

O olhar dele parecia hipnotizar a menina e ela erguia a cabeça para olhar pra ele, bem em seu olhar fascinante e que fazia respirar mais forte.

– Vem! – disse ele com uma ponta de sorriso nos lábios umedecidos pelo cálice que acabara de sorver mais uma vez à medida que se aproximava.

Grace sentiu as mãos dele apertarem as suas e estava estonteada com tudo aquilo.

Casal-na-Lancha

Um rapaz belo, num lugar daqueles, num convés de um iate que chamava sua atenção, só podia ser um "um filhinho de papai" solitário e que estava à procura de um grande amor pra preencher os seus dias tristes, pensava ela.

– Eu estava doida pra chegar aqui e te ver. – Ela balbuciava aquelas palavras sem perceber o que estava falando, pois estava impressionada demais.

– Valeu a pena pra você? – perguntou ele levando a mão ao rosto delicado dela.

– Sim. Apesar de tudo, o que ficou pra trás ficou. De agora em diante eu quero ficar perto de você.

– Finalmente nos conhecemos Grace e a partir de hoje, você vai ser feliz comigo.

Ele pousou sua taça de bebida numa mureta na entrada do estrado do barco e envolveu Grace com seus braços fazendo ela ficar bem juntinho ao seu peito bronzeado pelo sol daquele dia e ela estremeceu quando o calor do seu corpo a envolveu.

Ela deixou sua bagagem cair junto aos pés dele e se deixou envolver por aquele abraço quente e envolvente e que nunca sentira antes com alguém tão especial.

O vento do mar da baía de Sepetiba envolvia os dois fazendo exalar um perfume suave e delicado que trazia em sua pele e que o impressionara também.

Os rostos estavam bem próximos e não podia ser de outro jeito depois de tanto tempo se flertando pelo WhatsApp, a quilômetros um do outro.

Ela fechou os olhos, pois já estava sentindo seu rosto queimar à medida que ele aproximava seu rosto calorento com seus lábios quentes aos lábios dela.

E a saudação de "boas-vindas" naquele cais de Angra não poderia ser de outra maneira depois de tanta ansiedade de se conhecerem um ao outro pessoalmente.

Os dois se beijam ardentemente.

 

Mais perto dali um carro de luxo pára bem próximo ao shopping e o motorista particular sai do volante e volta para o outro lado da porta para abrir para um casal que desembarcara a fim de curtir aquela tarde também.  O empresário sai do carro segurando uma mulher muito bela pela mão e colocam os óculos escuros em vista do confronto do sol forte.            

Os dois se beijam também e ela parece estar se sentindo bem de estar naquele lugar e naquela linda tarde à beira mar.

– O senhor vai às compras, Doutor? – perguntou o motorista.

– Sim, Rafael. Se quiser pode dar uma volta e daqui a uma hora esteja aqui.

– Ah querido – fala a mulher – Eu pensei que íamos passear no iate. Você prometeu navegar comigo até a Ilha do Abraão, na Ilha Grande.

– Poxa querida, eu havia esquecido de avisar: o barco tem que ir pra manutenção, pois o motor não está bom e os mecânicos dizem que está prestes a dar uma pane. Por isso preferi deixar parado aqui na marina, pois já chamei os técnicos pra revisarem.

– O senhor esqueceu de avisar ao marinheiro que toma conta do barco, Dr. Rodolfo. Acho melhor procurá-lo e avisá-lo da manutenção e de que o senhor se encontra aqui. – diz Rafael.

– Verdade, Rafael. Até porque eu não avisei que ia chegar e é bom avisá-lo antes que ele dê na cabeça de sair com o barco como é o costume dele para “aquecer” os motores como ele diz. – E vira-se para a mulher – Querida, pode acontecer um acidente com o estado do motor do barco do jeito que está. Vamos ao Shopping escolher algo pra você e depois vamos pra mansão.

– Combinado então, Dr. Rodolfo – disse o motorista Rafael – Dou avisar o Demétrio e depois vou dar uma volta na cidade até a hora que o senhor quiser ir embora.  

O rapaz empresário envolve os braços às costas de sua amada e saem caminhando para o saguão do Shopping ali das Marinas de Angra.   

Rafael, o motorista do empresário entra no saguão também mas toma caminho inverso em direção ao cais para localizar o empregado do barco do Dr. Rodolfo que provavelmente estaria no iate de plantão.

Aliás – Pensava o fiel motorista caminhando com o celular na mão enquanto se dirigia ao cais – O Doutor já deveria ter avisado há alguns dias que o barco estava com problema e que o marinheiro não podia sair em hipótese alguma com a embarcação com o risco de correr sério um grave acidente.

Motorista-Particular

Gisele não suporta a ideia de Daniel evitá-la sempre que os dois se encontram na empresa e decide tomar uma atitude drástica.

– Posso saber porque está me evitando? – diz Gisele, intrigada.

Daniel fica sério em relação à jovem.

– Então, to esperando uma resposta! – diz ela, determinada a fazê-lo responder sua pergunta.

– Olha, Gisele! Estamos num local de trabalho e acho que não é um bom momento de a gente conversar agora.

– Eu não sei o que está acontecendo Daniel, mas eu preciso de uma resposta conclusiva.

– Ah é? Você quer uma resposta? Gisele, desejo toda a felicidade do mundo pra você.

Gisele fica confusa e diz:

– Eu não estou entendendo porque está me dizendo isso.

– Você e aquele cara merecem ser felizes.

– Que cara? Você enlouqueceu?

– Ah não me venha com cinismo agora não. Eu vi Gisele. Ninguém me contou nada não!

Gisele tenta entender a que cara Daniel se referia e de repente se lembra.

– Daniel, eu posso explicar. O Zeca...

– Ah então esse é o nome dele. Gisele, eu preciso trabalhar ok!

– Eu e o Zeca não temos nada um com o outro.

– Desculpa Gisele, mas eu preciso realmente trabalhar. – diz ele, tentando se afastar.

– Não antes de eu fazer isso! –Ela o agarra e o beija em seus lábios fortemente, fazendo com que Daniel se entregasse ao amor dela.

 

Wallace chega na empresa onde o irmão trabalha e Doroth o atende gentil.

– Estou à procura do meu irmão que trabalha aqui. Ele se chama Daniel.

– Ah sim eu conheço. Vou levá-lo até ele!

De repente, Amanda, uma funcionária da empresa traz alguns arquivos e as entrega em mãos.

– Muito obrigada, Amanda! Precisava disso mesmo pra hoje. – agradece Doroth, gentil.

– Por nada. Só revisei algumas pautas e pedi para os fornecedores assinarem. Sr. Otávio estava com muita pressa em relação a esses documentos, né?

– E como minha amiga. Você nem faz ideia. Mas fico grata que está tudo aqui prontinho. Você é dez!

– Doroth, e como está a Gisele? Fiquei sabendo da situação da Grace.

– Amiga, a Gisele está na tentativa de encontrar ela. Mas vamos conseguir achar a Grace, pode ter certeza.

– Grace não tem juízo né? Sair de casa assim fugida sem comunicar a ninguém.

– Amanda, a Grace está passando por uns problemas sérios mesmo, mas ela tem a gente. Nós como amigos dela, estamos dispostos a ajudá-la sempre. Onde quer que Grace esteja, nós vamos achá-la porque somos uma equipe. – diz Doroth, confiante.

– Tá certíssima! – consente Amanda, sorrindo.

– Vem Wallace! – chama Doroth. – Vou levá-lo ao seu irmão.

Wallace agradece e segue a jovem.

Ao atravessar o corredor e entrar sala adentro, Wallace e Doroth se surpreendem com a cena do beijo de Gisele e Daniel.

– Eita. – diz Doroth ao ver os dois juntos.

Gisele e Daniel param por um momento, envergonhados e os encontram na porta.

– Irmão, você é o cara! – diz Wallace, completando.

Oitavo Capítulo de Corações Desimpedidos

Zeca parecia deslizar nas nuvens em cima de seu skate indo para aquela praça onde sempre se reunira com sua galera, inclusive com seu brother mais próximo, o Murilo. E naquela tarde ele se encaminhava para lá fazendo manobras inacreditáveis em meio às pessoas e estava radiante.

Pelo menos conseguira se abrir com Gisele e tomá-la em seus braços para lhe dar o beijo tão desejado.

Quando ele chegou na praça a galera estava reunida e ele continuou a deslizar com seu skate até a rampa de treino e começou a fazer manobras como nunca fizera antes na frente dos amigos demonstrando a sua euforia. Seus amigos, e principalmente seu mano mais próximo, o Murilo percebeu que algo tinha acontecido e que Zeca estava não querendo se aparecer, mas extravasar alguma coisa, algum feito e sabia que ele não tava bolado não. Acontecera alguma coisa muito boa e ele não sabia o quê.

Parceiros-do-Skate

Logo que Zeca deixou a rampa e deu um salto apanhando o skate no ar, amigos vibraram e aplaudiram.

Murilo logo deu um tapa nas costas dele.

– E ai, lek! Que bicho te mordeu pra você chegar aqui assim?! E olha que eu te conheço muito bem. Coisa boa aconteceu, né?

– Pô, cara não podia ter sido melhor. Valeu rapaziada!!! – disse Zeca falando para os outros e começou uma série de cumprimentos. Mas aquele assunto era estritamente particular e só podia falar mesmo com Murilo que era seu brother mais próximo.

Foram para uma lanchonete próxima dali e se sentaram numa mesa ao ar livre e pediram suco para os dois. E quando estavam frente um ao outro, Zeca ainda com a feição se recompondo depois da série das manobras de Skate, começou a prestar atenção no que o amigo ia falar.

– Alguma coisa muito especial aconteceu, lek. É difícil te ver assim cheio de gás. – disse Murilo.

– Aconteceu sim, cara. E hoje eu dei o meu primeiro passo. Dei o meu ataque como assim dizem.

– Você ta falando da Gisele, né? Sua ambição é voltar pra essa mina. Sempre foi. Você não consegue abrir mão dela.

– Eu fui até a casa dela e aproveitei que a turma ai ta reunida e mobilizada por causa da Grace e fiz o que tinha que fazer. Sabia que ela tava muito preocupada, precisando de alguém e nesse momento de fragilidade dela eu fui fazer a minha parte. Aproveitei pra me declarar pra ela e tentar convencê-la a voltar pra mim.

– Desculpe ai, amigão – sentenciou Murilo – Pow cara, pensa ai, você fez uma molecagem com ela antes, né? Você acha que vai ser fácil conquistar ela assim de uma hora pra outra?

– Cara eu cheguei lá e fiz o que tinha que fazer. Abri meu coração pra ela e não deixei por menos não. Fui bastante sincero com ela e mais...

– Mais o que, Brother?!

– Ela não resistiu quando eu a peguei em meus braços e dei um beijo.

– Cara a Gisele ta escaldada contigo. Eu não vou acreditar que ela te deu essas confianças!

– Eu peguei ela nos meus braços, cara! E mal ela se deu conta já tava ali comigo.

– Cara você pirou. Beijou a mina à força?

– Não cara! Não foi à força. Eu fiz o que tinha que fazer. Dei logo a minha cartada. Cara entenda, eu não quero perder essa garota, quero voltar pra ela, reatar o que nós vivemos no passado e voltar a viver numa boa com ela.

– Lek, você fez muita molecagem com a garota, cara! Sei não!

– Eu confio no meu taco, brother.

– Sei não, lek – continuou Murilo incisivo.

– Que quê há Murilo, ta dando contra, é?!

– Não lek, não se trata disso! Mas como teu amigo, irmão e brother vou logo te avisando. Gisele amadureceu muito com as pancadas que ela levou ultimamente e ela não vai ceder fácil assim não. E tem mais...

– Mas o que?

– Tô sabendo aí que tem um camarada aí que ta afim dela também.

Zeca dá um sorrisinho maroto.

– Na boa, isso é algum plano seu pra afastar a Gisele desse rapaz. Porque se for cara, acho que você vai perder feio.

– Murilo, e se for meu amigo? A Gisele vai ser minha, cara e eu perdi tempo demais entende? Eu vou fazer ela comer na minha mão.

– Só não conte comigo pra reconquistar a Gisele.

– Como é que é? – Zeca franziu a testa e olhava nos olhos de Murilo intrigado – Que é que você ta querendo me dizer, cara?

– É isso que você ouviu brother! Gisele sofreu demais no primeiro relacionamento dela e eu não quero que você faça nada que a prejudique. Esqueça a Gisele e parte pra outra!

Zeca quase deu um salto da cadeira.

– Eu não posso esquecer da mulher que amo. Não mesmo!

– Você vai se dar mal nessa história mano. Segundo fiquei sabendo o Daniel é o cara que trabalha na mesma empresa que ela e que ta afinzaço dela. Eu to te falando isso que é pra você não confiar tanto no seu taco assim não. Você pode perder a vez pra esse cara falou!

Zeca ficou assustado com aquilo e no fundo essa situação o abala, mas tenta não demonstrar.

– Quem é esse, vacilão, Murilo? Fala pra mim, irmão!!! Eu preciso vê-lo cara a cara.

– Eu não conheço não. Só sei que trabalha na mesma repartição e seção que ela. – diz Murilo, sério.

– Eu também preciso te lembrar que você me incentivou a procurar Gisele. Não se esqueça disso!

– Sim, mas hoje percebo que vacilei. – diz Murilo. – No fundo mesmo, eu que devia ter tomado uma atitude em relação aos meus sentimentos.

 

Mais tarde, Alda e Emiliano estavam no carro e indo para a delegacia. A situação já estava insustentável. Depois daquele telefonema intrigante e rápido de Grace, Emiliano achou melhor dar parte na polícia antes que algo grave acontecesse. Mas Alda estava um tanto reticente quanto aquela atitude brusca do marido.

– Mas Emiliano, você não acharia melhor avisar os amigos dela e falar sobre a ligação? Afinal de contas eles estão ajudando e precisa saber que ela ligou. Principalmente Gisele.

– Eu sei, Alda, eu não to menosprezando as atitudes e as preocupações dos amigos de nossa filha, mas acontece que já temos uma pista que é a ligação dela e a polícia pode fazer um rastreamento pelo telefone lá de casa de onde ela ligou. Já que Grace se recusou a falar onde ela está, eu acho melhor nos adiantarmos a tomar providencias mais enérgicas antes que aconteça o inesperado, sei lá o quê. Eu também quero minha filha perto de mim e não solta aí no mundo.

– Concordo com você. Mas ela não te falou mais nada depois daquela hora que ela te falou as primeiras palavras no telefone?

– Já te disse nada, nada. Só disse que ta bem e não quis dizer onde estava e com quem. Isso não pode ficar assim. Vamos agir logo antes que aconteça alguma coisa pior.

Logo, chegaram e estacionaram o carro na porta de uma delegacia de polícia mais próxima.


– Como é que é, Daniel? – Se intriga Wallace ao saber que Maria está de volta.

– É o que eu acabei de falar pra você mano. Ela está de volta!

– Caracas brow. E agora?

– E agora que ela vai ficar no meu encalço.

– E tu sabe como é a Maria né?

– Ela é louca, mano. Vai ficar me perseguindo.

– Eu não duvido disso Daniel. Afinal de contas, por que ela voltou?

– Eu não sei. Não me falou nada. Só disse que ia ficar por pouco tempo.

– Mano, se prepara porque se a Maria voltou, é porque algo ela planeja com você.

Daniel fica pensativo com aquelas palavras.


Jovem-serio-na-academia

Grace demorou a entender o que estava acontecendo. Será que o rapaz que ela conversava sempre no WhatsApp estava querendo pregar uma peça nela ou fazer mistério? Ela não estava tão apavorada, até porque para estar ali, tão longe de casa vivendo aquela aventura estava preparada para e disposta a qualquer coisa, a despeito até das preocupações de seus pais.

Demorou um pouco. Ainda teve tempo para que ela pedisse um sorvete num quiosque próximo onde ela estava sentada e depois decidiu a voltar para o mesmo lugar onde sentara a primeira vez. Preferiu ficar ali, pois falara no aplicativo com “ele” onde estava e com que roupa estava vestida. Falara que estava com a mochila também com alguns pertences e que estava disposta até a ficar com ele algum tempo se necessário e dependendo do clima entre os dois.

Quase no fim do sorvete, o telefone toca novamente, e Grace atende com pressa:

– Oi!!!

– Vem pelo corredor que tem na sua frente à esquerda que você vai sair fora do shopping – falou “ele” do outro lado da linha – E você vai no píer onde fica os barcos e alguns iates guardados. Vem andando que eu vou te encontrar.

O coração de Grace disparou de ansiedade. Finalmente ia conhecer de perto o seu “match” que ela conversara tanto com ele na rede social e poder estar frente a frente com ele e quem sabe até... Tocá-lo, estar bem juntinho dele e ouvir pessoalmente as promessas de amor e carinho que tanto a atraiu a ponto dela estar ali louca atrás dele, há mais de duas horas de viagem de sua cidade capital.

Grace caminhou até fora do saguão interno do shopping e viu que estava diante do mar azul à sua frente com a visão da Ilha Grande ao longe e à esquerda via-se um píer cheio de pequenas e médias embarcações conforme o “rapaz” havia instruído que ela se dirigisse.

Ela só tinha que ir andando que ele logo a encontraria.

Quem sabe no fim do cais?

O calor da tarde ainda fazia se sentir na localidade, mas era abrandado pelo vento sudoeste que soprava do mar e fazia esvoaçar os cabelos loiros de Grace.

De um barco ali bem próximo ele via aquela loirinha com os cabelos esvoaçados pelo vento se aproximando e viu que ela era mais bonita do que a foto que ele via no Facebook todos os dias em que conversava com ela.

Daí “ele” viu que era a sua hora.

Mal Grace avistou, ouviu um assovio vindo de uma das embarcações de médio porte. Na verdade, era uma lancha potente e grande típico de um Iate de luxo. Quando ela virou e viu aquele rapaz loiro de cabelos igual aos dela também dourados, mas com detalhes para seus olhos castanhos e flamejantes olhando para ela, quase não podia acreditar no que estava vendo ali na sua frente.

– Ele é lindo! – Pensava ela olhando para ele que vinha em direção dela saindo do convés do barco de sunga e peito à mostra e com um copo de coquetel na mão.

Grace mal podia acreditar vendo aquele rapaz saindo daquela maneira vindo recebê-la saindo de um iate de luxo ali nas marinas.

– Oi – se aproximou ele com a taça de coquetel na mão chegando bem perto dela. – Já tava muito tempo esperando por esse momento! Bem-vinda!

– Oi. Obrigada! – Ela parecia embriagada de surpresa. – Eu sou a Grace!

Ele sorri com o jeito dela e responde:

 – Eu sei disso!

lá donna é móbile, qual pluma ao vento, muda di acentto e de pensiero”

“A mulher é mutável, qual pluma ao vento, muda de atitudes como de pensamento.” 

(Ária de "Rigoletto", ópera de Giuseppe Verdi)



Sétimo Capítulo de Corações Desimpedidos

Quando o táxi de Grace estacionou próxima à calçada na entrada do shopping, ela saiu do carro e colocou os óculos escuros aos olhos e jogando para o lado as mechas de cabelos que teimava roçar seu rosto ao sabor do vento do mar que soprava naquela tarde de sol ainda forte e que de certa forma ofuscava a sua vista.

De certa forma estava ansiosa, curiosa e um tanto aliviada também por estar naquele lugar que ela mal conhecia, mas que ouvira muito falar. Nunca havia estado antes em Angra dos Reis. Aliviada por ter a coragem de se depreender de casa onde nos últimos dias estava agoniada devido às discussões constantes dos pais e por não aguentar mais ver de perto aquela situação. Ela imaginava estar ali há duas horas de viagem da Capital atrás de sua possível felicidade, “daquele” que poderia lhe proporcionar a vida que ela sempre sonhou ou pelo menos desejava nos últimos meses em que conversava com ele pelo Face.

Turista-Animada

Começou a andar pela calçada do shopping e entrou no saguão ansiosa. Havia combinado com a “pessoa” de se encontrarem ali naquele lugar e ele a buscaria. O lugar estava vazio e não havia muito movimento. Ela se sentou num banco próximo a uma das lojas do andar térreo e abriu o WhatsApp no telefone.


Seus gestos eram observados no parapeito lá de cima, e “ele” também abriu o telefone e já estava on-line desde muito tempo à espera do contato dela.

Grace sorriu discretamente e seus olhos pareciam brilhar quando o viu também on-line. E começou a escrever:

– Oi! Não te disse que vinha?

Ficou esperando a resposta dele.

Observou que “ele estava digitando...”.

A resposta já estava a caminho.

– Eu pensei que você não tivesse tanta coragem!

– Quero te ver. – escreveu Grace freneticamente ao teclado do telefone. – Onde você está?

Ele saiu do parapeito do andar de cima onde a observava e em vez de descer as escadas para a direção onde ela estava, saiu apressadamente em direção ao pequeno cais ali em frente ao Shopping no externo e se encaminhou para o píer.

Grace sentiu que ele estava demorando a responder e resolveu ligar pela chamada de voz.

Ele sentiu o telefone vibrar e tocar no bolso, mas não atendeu imediatamente, pois tinha algo a fazer. Na verdade, ele queria surpreendê-la.

Grace ficou um tanto trêmula de ansiedade e se levantou olhando para os lados. Não sabia se caminhava ou ficava parada ali. O telefone não atendia e isso a deixava inquieta.

Sentou-se de novo e abriu o WhatsApp novamente.

Ela viu que ele ainda estava on-line. Mas por que razão ele não atendia o telefone? – Se perguntava ela, ingênua.

 

Daniel sai do chuveiro e se arruma pra ir ao trabalho quando batem à porta.

– Só pode ser o Wallace pra chegar a esta hora. – Ele comenta, envolvendo a toalha pelo corpo e abrindo a porta.

– Oie! – diz uma jovem morena de olhos claros e corpo esbelto.

Daniel se surpreende ao ver que sua ex estava ali na sua porta.

– Maria?

– Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai até Maomé.

– O que faz aqui?

– Não vai me convidar pra entrar, delícia?

– Você não é bem-vinda aqui.

– Nossa! Quanta indelicadeza! Quando eu te conheci, você era mais legal, educado, um verdadeiro gentleman.

– Ainda sou, Maria, mas para alguns eu prefiro mudar meu jeito de ser.

– Hum. Bom se você não me convida a entrar, eu entro mesmo assim. – Ela invade a sua casa e ele fica perplexo. – Tudo mudou desde que eu me ausentei. Móveis diferentes.

– Por que voltou, Maria? Eu não lhe disse que sua presença na minha vida é passado?

– Daniel, o seu problema é que você leva as coisas tão a sério demais.

– Isso só pode ser uma piada. Você vem na minha casa e ainda me tira? Maria, vá embora!

– Não vou, não! Sinto sua falta, gatinho!

– O que você quer Maria pra me deixar em paz?

– Calma Daniel! Você precisa tomar um suquinho de maracujá pra acalmar os nervos.

Daniel fica impaciente com a presença da ex em sua casa.

Rapaz-de-Toalha

– Não se preocupe que eu vou ficar por pouco tempo na cidade. Logo estarei voltando pra casa.

– Que benção! É a melhor notícia que recebo nesta manhã.

Ela sorri e diz:

– Pode trocar de roupa se quiser. Finja que nem estou aqui!

– Engraçadinha! – diz ele, indo pro banheiro. – Confesso que nem aguardava sua presença hoje aqui.

– Ah e eu gostei de te encontrar. Ainda mais assim de toalhinha, mostrando este corpinho gostoso.

– Eu odiei. – Ele grita.

– Azar o seu meu amor. E aí, namorando?

– Não é da sua conta. – Ele sai do banheiro vestido, enxugando os cabelos molhados com a toalha.

– Ah isso é o que você pensa meu amor. Ainda estamos juntos, querendo ou não.

– Só se for nos seus sonhos, porque eu perdi totalmente o interesse em você desde que me colocou um par de chifres.

– Isso foi passado, gato! Foi apenas um lancinho que tive. Não foi tão importante quanto os momentos que passamos juntos.

– Quem ama de verdade não trai. Mas quer saber a verdade: estou em outra sim! E ela é melhor que você.

– Jura? Você é meu, Daniel e de mim ninguém te tira.

– Você não vai se meter na minha vida. – Ele a pega pelo braço e a força a sair porta afora. – Não basta o que você fez com a minha vida não?

– Você é um babaca!

– E você acabou com a minha vida, Maria! Eu nunca vou te perdoar. Por favor, vá embora!

– Eu vou sim Daniel, mas a gente vai se ver mais vezes. Foi um prazer revê-lo amor. – Ela sai porta afora e ele fica irritado. – Tchauzinho, gostoso!

 

Doroth chegou mais que depressa no apartamento de Gisele depois do expediente no escritório e não só estava curiosa para saber o que aconteceu e intrigada do que poderia ter acontecido entre ela e Daniel. Será que Daniel deixou mancada e houve algum desentendimento com Gisele? Ele saíra lá do escritório naquela tarde tão decidido a tomar uma atitude a mais para conquistar Gisele. O que será que aconteceu? – Se perguntava Doroth.

Gisele veio recebê-la na porta ansiosa e sua expressão era de aflição.

– Ô amiga. To aqui. Fala. Você estava tão nervosa ao telefone.

– Obrigada, Doroth por ter vindo aqui. Eu to precisando desabafar. Muito...

As duas se sentaram e ficaram de frente uma para a outra.

– Doroth... – Começou Gisele, mas se referindo a Zeca. – aconteceu amiga! Ele veio aqui e...

– Veio??? – interveio Doroth surpreendida, mas se referindo a Daniel, mas não quis falar ainda que dera o endereço a ele.

– Eh, ele veio aqui entrou por essa porta e aconteceu o que não esperava.

– Como não esperava, amiga? Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer mais seriamente. Gisele você está sendo muito dura.

– Ele me disse algumas palavras, me agarrou, me beijou e... – Um sorrisinho despontou do rosto de Gisele ao falar aquilo.

– E então? – falou Doroth – Vai continuar reticente, de coração fechado, não dando chance a você mesma de ser feliz?

– Eu não o quero mais, Doroth! O meu coração parece se abrir, e eu começo a viver uma inquietude por causa de outra pessoa que você sabe quem é. Pela primeira vez estou confessando isso a você abertamente.

– ... Ah, é?! – Doroth ficou mais surpreendida não entendendo muito bem ainda e se levantou.

– Amiga me ajuda! Estou tão confusa! Ainda mais do que aconteceu hoje à tarde aqui. Eu só o quero como amigo! Eu estou definitivamente apaixonado por outra pessoa.

Doroth estava mais intrigada ainda com aquela conversa de Gisele e não estava entendendo mais nada. E falou:

– Olha amiga, eu tenho que te falar uma coisa. – Se sentou novamente ao lado dela ao sofá.

– Ele conversou longamente comigo lá na repartição hoje á tarde e eu vi a sinceridade do coração dele. Sei que ele ta a fim de verdade e resolvi ajudá-lo. Eu o incentivei a vir aqui e abrir o coração pra você.

Gisele se levantou olhando para a amiga intrigada.

– Você ta louca, Doroth? Como é que você pode fazer uma coisa dessas?! Eu não quero esse cara na minha vida.

– Mas Gisele, não faça isso. Ele é a chance de você ser feliz, é capaz de tudo por você! Eu sei, eu vejo nos olhos dele e nas atitudes dele que... Que ele quer você. Ele gosta de você de verdade, entende?

Gisele estava confusa e não estava entendendo a amiga e suas palavras. E logo ela que sabia tudo o que ela passou.

– Não, Doroth, você só pode estar brincando comigo!

– É verdade! Ele saiu lá do escritório tão resoluto, tão decidido! Eu sabia que ele vinha aqui falar contigo e pensei também que você ia acabar de uma vez por todas com essa intransigência com o rapaz.

– Doroth, pelo amor de Deus pare com isso! Quando eu e ele trocamos conversas, eu fico irritada porque ele sabe me tirar do sério, mas no fundo eu gosto disso.

Doroth começa a se sentir mais confusa com aquele papo.

– Gisele, você não consegue enxergar os fatos!

– Amiga, eu estou gostando do Daniel.

– Mas é dele mesmo que eu to falando!

– Como assim? Ele ia vir aqui??

– Sim, o Daniel! Ele tava vindo pra cá falar contigo. Não foi ele que te deixou assim nervosa e inquieta como você está agora?

Gisele levou a mão ao rosto pasmada e mal podia acreditar nessas últimas palavras de sua amiga.

– O... O Daniel?!

– Que foi Gisele? Afinal de contas você ta falando de quem? O Daniel não esteve aqui?

– Eu to falando do Zeca, Doroth. Foi ele que esteve aqui me pedindo pra voltar e quase me beijando a força. Aliás, nos beijamos!

“Daniel não veio. Não cumpriu o que prometeu!” – pensou Doroth olhando para Gisele também pasmada, até pelo fato de saber que Zeca a beijara.

– Eu quero o Daniel, Doroth. Eu admito isso. E tudo o que eu queria nessa tarde é que ele tivesse do meu lado e entrasse naquela porta e me dissesse tudo o que tinha para me dizer. Dessa vez eu acho que não iria resistir!

Doroth, ouvindo aquilo não podia agora imaginar o que poderia ter acontecido. Por que será que Daniel não veio? – Ela tentava entender.


Sexto Capítulo de Corações Desimpedidos

Zeca parecia não querer se afastar de Gisele e ele viu ali a oportunidade que ele tanto queria que era de se aproximar e recuperar todos os momentos bons que eles viveram numa época não muito distante.

Daniel olhando para aquela cena parecia que o mundo desabara sobre sua cabeça. Aí estava a razão então porque ela o evitava. Era porque ela estava com aquele cara – pensava ele – e ela não o queria dar satisfações sobre aquilo tudo. Entendeu que não tinha nada a fazer ali e nem como amigo simplesmente ele não tinha condições de intervir na crise que Gisele estava passando, pois ele reconhecia aí o seu interesse de conquistá-la e de agradá-la e que queria entrar naquela história de querer saber do paradeiro de sua amiga Grace por ela. Afastou-se da porta e suas pernas tremulavam juntamente com suas mãos que tremiam segurando o corrimão das escadas ao descer.

Gisele num impulso viu que bastava e que aquilo não tinha nada a haver.

– Por favor, Zeca é melhor você ir embora!

– Me perdoe, Gisele, mas eu fiz o que estava em meu coração. Eu ainda adoro você e quero que você me perdoe não por este momento, mas por tudo o que eu te causei de ruim no passado.

– Eu não quero falar sobre isso agora. Não é momento de rever o passado algum. Eu estou preocupada com Grace e tenho de qualquer maneira avisar os pais dela o que você me passou ainda pouco.

Cabisbaixa e trêmula ela se sentou no sofá tentando digitar no telefone para casa de Alda, mas Zeca a deteve segurando suas mãos de completar a ligação.  Ele a segurou pelo ombro fazendo que ela o olhasse nos olhos novamente, sentados os dois ali.

– Será que eu posso esperar uma nova chance?

Gisele estava abalada com tudo e muito confusa e não esperava aquilo diante dos devaneios que ela estava tendo antes por Daniel.

Se desvencilhou de Zeca mais uma vez e:

– Zeca obrigado por tudo, continue me mantendo informada de qualquer novidade, mas eu preciso que você vá embora agora. Obrigada pela companhia e pelo teu empenho. Eu preciso ficar sozinha agora.

– Mas esse beijo não significou nada pra você?

Discussao-de-Casal

– Zeca, esse beijo nem era pra ter acontecido. Somos amigos e não confunda amizade com outros tipos de sentimentos. – Ela declara em poucas palavras.

Zeca saiu sem dizer mais uma palavra, olhando para Gisele, mas percebeu que ela ficara impactada e que aquela reação dela poderia ser um sinal de esperança para ele, ignorando o fato de ela querer só a amizade dele.

Quando ele saiu, Gisele foi depressa trancar a porta e ficou encostada sobre ela olhando para o vazio com o rosto pálido e não sabia o que pensar mais.

Tudo o que ela precisava naquele momento era ver Daniel, estar perto dele, poder desafiá-lo novamente diante da ousadia dele. Talvez desta vez – pensava ela, consigo mesma – Ela já não seria tão dura e cedesse um pouco mais.

Daí a pouco Gisele pega o telefone e fala com Doroth.

– Como estão às coisas por ai?

– Tudo sob controle amiga. – disse Doroth um tanto curiosa pois não sabia qual atitude Daniel iria tomar depois da conversa dos dois naquela tarde. – E você? Está bem?

– Sim, sim, eu... To bem. Um tanto cansada.

– Amiga, eu to estranhando a sua voz e te conheço muito bem. Tem certeza do que ta me dizendo? Você está bem mesmo?

– Olha, Doroth, ... – Gisele já sabia que não conseguia esconder nada da amiga. – Quando terminar o expediente aí preciso que venha até aqui.

Doroth estranhou a aflição da amiga e pensou logo que Daniel dera alguma bandeira e que poderia comprometer a amizade das duas. E ficou um pouco pensativa.

– Você ta me ouvindo, Doroth?

– Sim, eu vou já pra aí quando terminar tudo aqui.

– E o Daniel? Está aí?

– O Daniel?! – Doroth não estava entendendo nada.

– Sim, o Daniel. Como está ele aí no serviço?

– Ele deu uma saída, pois não estava se sentindo bem, mas está tudo sob controle.

– Mas aconteceu alguma coisa?

– Não amiga, ta tudo bem. Olha deixa eu chegar aí pra nós conversarmos melhor, pode ser?

– Te aguardo então. – desliga Gisele.

 

Quando Doroth desligou, ela ficou ainda parada com o telefone na mão e não conseguia entender o que poderia ter acontecido. Ela lembrava que Daniel saíra dali resoluto a tomar atitudes a mais em relação a Gisele e não podia entender o que poderia acontecer e que o que poderia dar errado. Estava mais curiosa ainda por saber o que poderia ter acontecido diante do nervosismo de Gisele e aquele telefonema intrigante. Começou a apressar as coisas para sair logo para ir pra casa da amiga.

Sua distração foi interrompida com a entrada do Sr. Otávio que entrara com sua valise na mão como que de saída.

– Olá, Doroth! Eu to de saída, vou me encontrar com um cliente novo e não volto. Peço que cuide de tudo aí e feche o escritório.

– Sim, Sr. Otávio!

Ele se vira para ela um pouco antes de tomar a porta e pergunta:

– E Gisele, como está? Já conseguiu resolver lá o caso da amiga desaparecida.

– Ainda não Senhor Otávio, mas ta todo mundo mobilizado. Mas amanhã ela estará de volta.

– Não seja por isso, o importante é ela resolver esse caso e ficar bem. E o Daniel? Onde está?

– Ele deu uma saída mais cedo, Sr. Otávio. Mas algum problema?

– Não, não de maneira alguma... só uma observação: Daniel e Gisele... Ta acontecendo alguma coisa entre esses dois?

Doroth ficou um tanto assustada com a pergunta do Sr. Otávio.

– Não!... Não de maneira alguma, Sr. Otávio, quer dizer... pelo menos que eu saiba.

Sr. Otávio deu um sorriso cúmplice se dirigindo para a porta:

– Esses dois não sei não! Sinto que ta rolando, como vocês falam, alguma coisa no ar.

E saiu.

Doroth viu aí então que o clima entre Daniel e Gisele estava já indisfarçável.

 

Daniel chega em casa e encontra seu irmão à espera dele.

– E aí cara, vim te esperar aqui, mas não esperava que você chegasse tão cedo. Vim falar pra você a novidade: aquilo que você me pediu para ajudar achar a tal garota: a Grace...

– Pode esquecer, cara, pode esquecer! – disse Daniel antes que seu irmão acabasse de falar. –  Te agradeço por tudo, mas não precisa mais não.

Daniel se jogou no sofá exausto e abatido e Wallace estranhou seu jeito.

– Que foi, fera, que aconteceu? Você parecia tão entusiasmado e empenhado em ajudar a tal Gisele nesse caso. E eu sei muito bem por que, sabe disso.

– Pois então pensou demais!

– Perai cara, eu venho aqui na melhor das intenções tentando te dar uma moral no que você me pediu e você me dá várias patadas dessa.

Daniel estava estressado e olhou para o irmão ansioso. Seu olhar estava transtornado.

– Desculpa ai, mano. Não é nada com você não. Não é nada disso. Eu é que sou um babaca mesmo.

– Perai, cara, o que aconteceu? Desanimou de ajudar a garota? Desabafa ai pro seu brother!

– Não vale a pena não cara. Não vale a pena mais nada. Vamos sair pra tomar alguma coisa e no caminho te conto.

– Calma aí cara, você ta muito nervoso e cair na bebida assim sem mais nem menos não vai adiantar nada. Não quer me contar o que ta acontecendo?

– Porra, cara eu fui lá. Lá no apartamento dela. A Doroth me ajudou e me deu o endereço para ir lá conversar com ela e hoje tinha certeza de que ia colocar ela na parede e tomar uma decisão em relação a nós dois. Esperava que ela ia parar de me tratar mal às vezes que eu ia me declarar pra ela.

– Poxa, cara imagino que ela não quis te receber ou que deu tudo errado!

– Mais do que errado, cara. Quando ia chegando a porta tava meio aberta, pois alguém parecia ter acabado de chegar. E você não imagina o que eu vi.

– Viu o que, cara?

– Ela tava beijando outro maluco, brother. Foi isso que eu vi.

Wallace olhava para o irmão sem entender e tão intrigado quanto o irmão.

– Agora sei, ... – continuava Daniel – Agora eu sei porque ela me recusa e me dá sempre fora. Eu devia ter vergonha na cara! Ela ta com aquele cara que eu a vi beijando.

– Mas e aí?

– Ai que eu meti o pé antes mesmo de entrar e falar com ela. Eu só vi porque empurrei a porta que tava entreaberta e vi os dois se beijando. Ninguém me contou não, cara, eu mesmo vi.

Wallace via o quanto seu irmão estava arrasado e não o vira assim desde que ele teve a crise amorosa com Maria.

Alda e Emiliano continuavam a conversarem e o clima estava acirrado entre os dois.

– Que é isso, Alda, você ta me mandando embora?

– Eu quero que você tome uma decisão entre nós dois, Emiliano e entenda de uma vez que não dá pra nós vivermos esses tormentos a ponto até de atingir nossa filha e passarmos por essa agonia como agora.

– Você que me persegue, Alda, sempre arrumando motivos para nossas brigas. Você é a culpada de tudo. Eu já não aguento mais isso. E agora quer me culpar também por tudo.

– Eu quero minha filha de volta!  E depois que isso se resolver, você decide se vai continuar vivendo ao meu lado me dando uma vida direito e digna.

– Mas não te falta nada, Alda, e nunca faltou nem pra você e nem pra nossa filha.

– Você sabe muito bem do que estou falando, Emiliano, você sabe. Nada é mais precioso do que a atenção, o carinho, a companhia, tudo isso que você esqueceu há tempos. Há muito tempo que você vive indiferente comigo e eu to me sentindo um nada ao seu lado por causa desse teu tratamento comigo.

Emiliano vira-se para o lado e Alda para o outro querendo chorar. Emiliano bem sabia do que ela estava falando e ele realmente se sentia desgastado ao seu lado e não sabia o que dizer.

O silêncio foi quebrado com o toque do telefone. Sem ter noção da urgência ou não do telefonema Emiliano vai atender, mas fala:

– Deve ser Gisele com novidades.

Alda se vira e fica olhando.

– Alô!

– Pai!

– Grace??? Onde você está?

Alda corre quase que desesperada para o lado do marido ao telefone:

– A Minha filha!!!

Do outro lado da linha falando ao celular, Grace mal podia se dar conta do visual que se descortinava diante dos seus olhos quando ela desceu daquele ônibus naquela rodoviária daquela cidade balneária à três horas do Rio de Janeiro.

– Eu to bem pai. To bem. Fala pra mamãe ai pra ficar tranquila que logo que puder to voltando.

Grace sabia que seu pai iria insistir no telefone, mas que isso acontecesse, ela desligou o celular e colocou em sua bolsa de novo. Nas suas costas estava com sua mochila e parecia ter chegado naquela cidade para ficar.

Logo, antes de pegar um táxi ela contemplou o mar que estava a sua frente e que fazia parte da paisagem daquele ponto da rodoviária e reconheceu de longe o que ela muitas vezes ela tinha visto de passagem em sites de turismo. Pelos contornos das montanhas daquela ilha lá ao longe ela reconheceu: Era a Ilha Grande e que logo ao pegar uma traineira em algum ponto próximo ali onde ela estava já estaria lá.

Mas antes disso, precisava se encontrar com uma pessoa que ela premeditadamente tinha marcado no Facebook e que desejava conhecê-lo muito pessoalmente. E não seria ali o local do encontro. Logo que conseguiu um Uber ali mesmo perto da plataforma onde o ônibus a deixou ela se dirige ao motorista:

– To querendo ir à um Shopping perto de um lugar chamado... esqueci agora, moço.

– Sei. Perto das Marinas! – falou o Motorista – Entre moça!

– Antes de ir pra este shopping, eu posso conhecer um pouco a cidade? Amo Angra!

– Tudo bem então.

Quando Grace entrou no veículo e se sentou na parte de trás, ela se sentiu incomodada diante de uma paisagem tão deslumbrante e aquele vidro fumê do veículo atrapalhando.

– Posso descer o vidro aqui moço?

– Sim! – responde o motorista, sorrindo.

Num aperto de botão, o vidro desceu e o sol daquela tarde ainda iluminava com maestria a paisagem deslumbrante daquele local. O Uber decidiu fazer algumas rotas diferentes, para que a jovem pudesse ter a oportunidade de conhecer um pouco a cidade em seguida, avançou para o destino.  

Além do cenário da Ilha Grande de longe ela podia ver ainda outras pequenas ilhas que fazia parte das trezentas e sessenta e cinco ilhas que se dizia ter naquela região.

– Que parte é essa da cidade, moço?

– Essa aqui é a Praia do Anil. Praticamente estamos no centro da cidade. Mas a moça não é daqui de Angra dos Reis?

– Não. Sou do Rio.

– Vem à casa de parentes por aqui?

Grace deu um sorriso e falou.

– Não moço. Na verdade, vim atrás de uma paquera que eu conheci pela internet e vou me encontrar com ele nesse shopping aí das Marinas. Vai demorar chegar, moço? – pergunta ela feliz e radiante por estar em Angra dos Reis.

O motorista estranhou a resposta dela e fez-lhe um alerta:

– Desculpa me intrometer, mas tem certeza de que essa pessoa é confiável? Encontros de internet, podem ser arriscados.

A jovem fica um pouco séria, mas em seguida, responde:

–  Ele é de confiança. Estamos conversando há meses.

Jovem-no-Taxi