Após serem flagrados,
Gisele e Daniel sorriem juntos ao perceberem que o clima estava indisfarçável e
que não tinham mais motivos pra esconderem o que sentiam um pelo outro. Ao
perceber a movimentação na sala, Sr. Otávio chega de surpresa e Gisele tenta se
recompor diante do chefe. Ele dá um sorrisinho meio que já estava ciente da
situação toda e questiona sobre seus arquivos, tentando dar uma disfarçada.
Doroth e Wallace se retiram da sala e Daniel decide seguir os dois. Gisele
volta pra sua mesa e decide pegar os arquivos para o chefe, quando este a pega
de suas mãos e lhe aconselha:
–
Fique tranquila, Gisele! Você sabe perfeitamente que é boa no que faz né
–
Senhor, ... – ia se explicar ela, quando ele a interrompe.
–
Não precisa me explicar nada. Sério! Já estava mais que na hora de você
encontrar alguém que te leve a sério. Ele é um cara legal. Invista nele. –
declara o chefe apontando para Daniel que conversava com Doroth na recepção.
Gisele consente, com seu olhar sério e o chefe sai em seguida.
Já não dava mais pra
esperar diante de tanta ansiedade dos pais e dos amigos de Grace.
Foram à polícia e depois da apreensão do celular do pai dela, fizeram a
perícia e o rastreamento da última ligação da jovem.
– Foi da região da costa verde, precisamente de
Angra dos Reis a ligação da moça. – Anunciou o delegado em sua sala quase tomada
pelos amigos e pais da jovem.
Zeca e os outros que estavam a tarde toda acompanhando o caso enquanto
Emiliano prestava queixa e em que estava dando andamento às investigações sobre
o seu paradeiro.
Todos se olharam espantados e assustados e a mãe da menina estava
desolada e abatida devido á atitude da filha e por querer estar ao lado dela
agora.
Mais tarde, Doroth acompanhou Gisele até o seu apartamento:
– Estranho essa ligação da Grace né? –
pergunta
Gisele, confusa.
– Pois é, amiga! Essa situação toda me deixa
completamente nervosa.
– Por que Grace tomou uma atitude dessas,
Doroth? Será que ela ficou doida?
– Alda e Emiliano tiveram uma parcela de culpa
nisso né amiga?
– Verdade, Doroth! Mas Grace também teve culpa
por tudo isso estar acontecendo. Os pais dela estão sofrendo com este
desaparecimento. Eles estão errados sim, mas ela também errou por sair de casa
sem ao menos dar um aviso.
– Amiga, eu entendo uma coisa. Grace deve ter
fugido por causa da pressão que estava vivendo com seus pais. Ela achou que ir
pra Angra seria uma válvula de escape.
– Isso não está certo, Doroth! Grace tomou uma
atitude infantil. Um dia você me disse que ela tinha muitos amigos no Face. Foi
você que me disse ou foi a Júlia que comentou, não sei!
– Ah sim, fui eu que disse à você. Mas o que
pensou agora?
– Bom, às vezes os amigos do Face podem saber
como a gente encontra a Grace.
– Verdade, amiga! Eu vou falar com a Júlia e
com o Murilo. Eles têm amigos no Face que conhecem a Grace também.
Depois de algumas ligações, Doroth volta à amiga e diz:
– Tenho uma informação boa sobre a Grace.
– Conte então amiga!
– Tem um amigo da Júlia que me telefonou agora.
A Júlia pediu pra ele me ligar e ele me contou que Grace tinha um amigo
virtual. Ela não o conhece pessoalmente e o perfil do cara não tinha foto e
pouco se sabe da vida dele.
– Amiga, isso é sério demais. Temos que ir à
delegacia e contar essa informação agora para a polícia.
– Fica tranquila que a Grace vai ser
encontrada.
– Tudo isso pra chamar a atenção dos pais.
Doroth, a Grace pode estar em crise devido ao relacionamento dos pais, mas isso
não justifica o que ela fez. Partir pra Angra pra encontrar um desconhecido que
nem ao menos sabe quem se trata.
– Eu sei que é muito louco isso, mas infelizmente a Grace não estava em sã consciência não. – diz Doroth, perturbada com toda a situação.
Parecia um sonho tudo aquilo pra Grace. Estava diante de um rapaz
maravilhoso que parecia um príncipe em um belo iate que ela nunca andara antes.
Alguns minutos depois já estava de biquíni, um chapeuzinho panamá de
sol que ele arrumara pra ela e ele a tratava como um verdadeiro cavalheiro.
Ficara observando seu tórax e seus braços rígidos enquanto ele içava as
velas do barco que iam pôr em curso ao mar em instantes. Era seu primeiro
passeio dos sonhos com alguém que só conhecia pela web.
Antes de assumir o volante do barco, ele passa por ela, a envolve nos
braços de novo e a beija mais uma vez.
Depois, se servem de um coquetel de frutas e se dirigem para o convés à
dentro pra ligar o barco para levar à alto-mar.
E à medida que o barco ia saindo, o vento esvoaçava seus cabelos.
Rafael, o motorista se aproxima e vê de longe o barco do Dr. Rodolfo
deixar o cais.
Conseguira também ver a jovem que estava com o rapaz e grita atônito:
– Oh doido! O que você está fazendo? Desliga o
motor! –
E corre pelo cais afora desesperado. – Pára, seu maluco! Você não pode fazer isso!
Percebendo que não tinha jeito, liga pra Dr. Rodolfo.
Rodolfo, à mesa de um restaurante dentro do shopping, diante de suas
taças de uma bebida nobre do seu costume interrompeu o beijo da sua amada
devido ao celular que tocava insistentemente.
Quando olhou no visor, se irritou um pouco.
– Eu falei pro Rafael me buscar daqui há uma
hora. Por que será que ele está me ligando?
– Pode ser um imprevisto, amor.
– Rafael é muito eficiente. Nunca deixa os
problemas por maior que seja chegar até a mim. Alô! – Ele atende depois de
alguns toques.
A mulher vê quando o rosto do seu marido se ruboriza ao ouvir o
empregado do outro lado da linha.
– Aconteceu alguma coisa, meu amor? – pergunta
ela, séria.
– Rafael, eu estou chegando aí. Me aguarde! A
conta por favor! – Ele pede ao garçom que passa por ali.
– Eu estou preocupada com você. O que houve?
– Nem queira saber porque uma bomba está pra
explodir nas minhas mãos.
Ela fica séria.
A bússola da embarcação estava apontada em direção da serra rumo à Ilha
Grande, onde Demétrio, o empregado de Rodolfo queria levar Grace. Ele não
deixou perceber, mas saiu da cabine um tanto cabreiro, pois estava sentindo
cheiro de queimado vindo da casa de máquinas, mas saiu para fora e ao vento que
levava o cheiro para longe ele tentou disfarçar o pânico que começara a sentir
indo abraçar a sua paquera que estava ali deslumbrada por ele, pensando que ele
era o milionário proprietário daquele barco.
Demétrio e Grace se abraçaram mais uma vez com o barco em movimento e
ela estava plenamente envolvida por ele. Num lance de olhar para trás das
costas dele, ela ainda pode ver uma fumaça preta que saía do escapamento atrás
do barco e gritou assustada:
– O que é aquilo, meu Deus!!! O que está
acontecendo!?
Enquanto isso no cais as pessoas já haviam se ajuntado diante do
tumulto que se formara enquanto Rodolfo e seu motorista que olhavam para o
barco em alto mar soltando aquela fumaça preta e uma greta de fogo na parte de
baixo.
– O que esse idiota vai fazer?? – esbravejou
Dr. Rodolfo.
– O pior que tem uma moça com ele. – diz Rafael.
– Mas quem será essa mulher que ta com ele?! – perguntou a mulher
do Dr. Assustada e abraçada a ele.
No barco, Grace se encontrava em pânico e gritava desesperada.
– O que é que ta acontecendo cara? O que é que
você vai fazer? Esse barco ta pegando fogo!!!
– Eu vou tentar dar um jeito na situação. –
diz ele, mas
ela continuava nervosa.
Ele percebeu que o motor estava superaquecido.
A polícia logo apareceu no shopping acompanhado com a viatura de
bombeiros.
Logo desceu do carro da corporação a bombeira Tenente Priscila que mal
havia chegado viu de longe a bola de fogo que se formara no mar diante de
olhares curiosos que viam a cena dramática.
O iate em que os dois se encontravam explode na baía de Sepetiba
minutos depois.








