No dia seguinte, a expressão de Lisiane ao saber que vai ter que servir funcionários da empresa, em vez de trabalhar com algo muito melhor, fica bem nítida que a ideia não foi bem-aceita. Por mais que ela se recusasse a admitir que aquela ideia não era boa, algo dentro de si dizia pra ela não desistir e seguir em frente. Ela se aproximar de Fabiano e o conquistando, possivelmente abriria novos caminhos futuramente. Os conselhos de Richelle ainda circulavam em sua mente e ela não conseguia nem organizar suas coisas em casa. Agora, ela tinha um apartamento doado por Richelle, e sair daquele quartinho era sua prioridade. Assim que termina de arrumar suas coisas, entrega as chaves agregadas a um bom dinheiro pra proprietária, que analisa bem o pacote recheado e faz um comentário sucinto:

Parece ser bem suficiente pra quem ficou em atraso por mais de dois meses. Ganhou na loteria?

Quem dera, mas ganhei no jogo do bicho. Mais fácil! — mente Lisiane, tentando disfarçar um pouco.

Fácil, é? Se fosse, eu também ganharia. Mas obrigada pelo dinheiro e pelas chaves.

E lá se vai Lisiane, com suas malas e caixas. Apesar de ter poucas coisas, ela parecia estar bem animada com o fato de morar em outro lugar e começar algo novo. Assim que pega o Uber, se vê decidida a deixar suas coisas no apartamento e depois, pedir conta da lanchonete, onde trabalha.


Dionatan se encontra com Richelle e os dois conversam sobre Lisiane.

Parece que a jovem realmente aceitou a proposta, né?

Richelle sorri com a pergunta dele e consente.

Você é inteligente. Admiro sua ousadia! Vai matar dois coelhos numa cajadada só.

Tadinhos dos coelhos.

Eu só quero ver a cara da Suany quando descobrir que está sendo passada pra trás.

Tudo tem que seguir certinho, Dionatan. Nada pode dar errado.

Será que ela vai conseguir conquistar ele?

Lisiane é linda, Dionatan. Se ela estiver bem-vestida, bem maquiada, usando roupas lindas, vai ficar irresistível pra qualquer homem.

Bom, eu percebi mesmo que ela pode ser melhorada.

Eu vou fazer a Lisiane transformada em uma poderosa mulher. Quero ver se o Fabiano não resiste a ela! — Richelle comenta, piscando o olho.


Verena decide encontrar um amigo em um restaurante próximo da empresa.

Que bom revê-la depois de tanto tempo, minha querida!

É sempre bom rever grandes amigos.

E como tem passado? Conte-me as novidades!

Eu estou bem. As coisas estão fluindo.

E os negócios?

Continuam indo bem. Ah, meu filho vai se casar.


Amigos-almocando-juntos


Eu soube disso, minha querida! — diz ele, pegando um copo de uísque e bebendo. — eu soube através de uma rede social, no qual a sua filha Guilhermina postou um conteúdo abordando o assunto. E por falar nela, tem um talento e tanto pra criar posts incríveis.

Minha filha é muito inteligente e apta pra esse ramo. Já eu sou uma ultrapassada em relação a coisas de internet. Nem rede social, tenho! — diz ela, rindo e fazendo ele rir também.

Mas me conta: por que motivos esse encontro?

Então, eu precisava de um conselho amigo. A gente tem uma amizade de anos e apesar de admirar seu trabalho, também tenho uma singela confiança e claro, prezo demais você e sua família.

Está me deixando preocupado. O que ocorre? — ele muda um pouco de expressão.

Acho que o casamento do meu filho pode ser um erro. —declara Verena, séria fazendo Adolfo ficar sério.

Mas por que seria um erro, minha querida?

Verena se aproxima mais de Adolfo.

Eu não tenho provas de nada que possa ser suficientes pra confirmar qualquer suspeita. Por isso preciso do seu auxílio. Adolfo. — diz ela, pegando na mão dele agora. — preciso que investigue a minha futura nora.

Mas isso é um pedido muito sério! Tem certeza? — pergunta o amigo, já se sentindo um pouco angustiado com aquela situação.

Eu nunca tive tanta certeza como tenho na minha vida. Preciso saber o que ela faz toda quinta à noite.

Minha querida, vocês nunca chegaram a conversar sobre o assunto?

Sim, mas não é suficiente. Sinto que algo está errado, entende? Preciso de respostas convicentes.

Certo. Vou ver o que posso fazer. Fica tranquila! — diz Adolfo, beijando carinhosamente a mão dela.

Verena se sente lisonjeada com a atitude do amigo.


Enquanto isso, Lisiane assina o pedido de demissão e o chefe a olha de cima a baixo.

Espero que não se arrependa e venha depois me pedir emprego novamente.

Eu não vou me arrepender. Pode ter certeza!

Pois bem. A escolha é sua. Eu te dei uma chance, mas você tem outros planos. Só lhe desejo sorte!

Obrigada. Foi um prazer trabalhar aqui.

O chefe se retira da sala e a funcionária do RH, reúne alguns papéis da mesa e guarda. Aperta a mão de Lisiane e avisa do prazo de dez dias referentes à rescisão. Saindo da lanchonete, se vê satisfeita de ter saído do trabalho e confia na possibilidade de crescer, na empresa onde vai trabalhar como atendente. E o currículo dela já está na mão do RH da empresa, que analisa bem as informações.

O perfil dela encaixa bem aqui. — diz um dos funcionários do RH para Richelle, que fica feliz pelo feedback.

E a boa notícia chega aos ouvidos de Lisiane.

Eu consegui uma entrevista!

Que entrevista, menina! Nem precisa. Você já está empregada.

Como assim? — se indaga Lisiane.

Você subestima o quanto consigo abrir portas. Te avisei que você conseguiria. Amanhã, você já começa no seu trabalho novo. Chega às nove da manhã no escritório lá. Vou te passar o endereço. Anota!

Lisiane consente e anota rapidamente o endereço citado por Richelle. Chegando numa outra lanchonete próxima dali, ela vê uma discussão entre um cliente e uma funcionária do caixa e começa a se lembrar do seu antigo trabalho. Incomodada com aquela situação, ela se aproxima do cliente bravo e diz:

Amigo, ela só está fazendo o trabalho dela. Se ela está cobrando isso do senhor, e se o senhor realmente fez esse pedido, então precisa pagar.

E quem é você, pra se meter aqui? Cai fora que a conversa não chegou até você!

Lisiane começa a se sentir ofendida naquele momento.

O senhor não vai pagar pelo que comeu, né? Vai deixar a menina do caixa se prejudicar por uma atitude infantil do senhor?

Eu já disse que não vou pagar nada! — diz o cliente, num tom exaltado. — eu não pedi nada disso e está sendo cobrado uma coisa que não comi.

Lisiane fica ainda mais nervosa com a situação, quando de repente, uma voz masculina do interior do ambiente se posiciona:

Eu pago o valor dele. Deixa comigo!

E os passos do homem ecoam pelo salão. Lisiane se vira e o encara.

Fabiano Salles, em pessoa, estava ali.

Quanto que é o valor dele?

Lisiane não raciocina quem era Fabiano Salles, pois nunca teve contato direto com ele. Mas aquela atitude dele a surpreendeu.

E os olhos dos dois se cruzam por um instante. Por que ele estaria justo ali naquele ambiente simples, logo no momento em que ela estaria também? Destino? Coincidência? Coisas da vida, vai saber…