Por entre algumas ruas da cidade do Rio de Janeiro, uma jovem é seguida por um desconhecido e, a cada vez que ela andava, os passos atrás dela ecoavam cada vez mais próximos. Ela ficava desesperada tentando ser mais ágil, mas ele parecia não desistir do que quer. 

A bolsa balançava violentamente em seu ombro enquanto ela corria sem sequer olhar pra trás e ele apertando os passos, como um leopardo a fim de pegar sua presa. Até que, de repente, ela se atrapalha e cai no chão. Ele diminui os passos, agora caminhando devagar até ela que, fragilizada e insegura, se torna mais uma vítima inocente daquele crime tão banal. 

E ela começava a gritar por socorro quando ele saca um revólver. Mas os gritos não são suficientes para que aquela situação arriscada e tensa se resolva de imediato. O criminoso se aproxima dela e começa a se preparar para abusá-la sexualmente. Dos olhos da jovem, as lágrimas começavam a brotar. 

 

Dois dias depois 

leu o jornal de hoje? — diz Ingrid para a filha Jéssica, que toma o seu café matinal. 

Qual a notícia de hoje?

— O que aconteceu dessa vez, mãe? — pergunta a jovem, pegando o jornal de imediato. 

— Mais uma jovem foi violentada sexualmente. Sabe o que isso significa, né? O Rio de Janeiro mudou e está cada vez mais perigoso. 

— E como está, mãe! Mas isso está em todo lugar. Não no Rio, e a senhora sabe perfeitamente disso. 

— Eu me preocupo com você, filha. Tenho medo de que algo possa acontecer com você por essas ruas. 

— Mãe, eu preciso trabalhar, estudar... não posso viver trancada dentro de casa. Nada vai me acontecer de mal, ok? 

Você é o meu orgulho, Jéssica! Eu amo muito você, sabia? 

— Ah, mãe! Eu também amo a senhora. — e a abraçou fortemente. 

Ao ver a cena, Amaury se surpreende. 

— Posso participar desse abraço? 

— Pai, junta ! — diz Jéssica sorrindo e fazendo Ingrid sorrir também. 

— Qual a comemoração, hein? — interrompe Amaury. 

Apenas um abraço qualquer. Um abraço que significa o quanto vocês dois são importantes para mim. — responde a jovem, tirando o sorriso do rosto de ambos. 

 

Nesse ínterim, Gracindo organiza os doces da vitrine da sua padaria quando a esposa Bárbara chega e pergunta pelo filho Edmílson. 

— Ele deve ter ido para a escola, amore mio. 

Tão cedo? Hmmm. Nesse angu tem caroço! 

vai começar, mulher! 

— Quando Edmílson sai cedo assim, alguma coisa está errada. Conheço muito bem nosso filho. 

Você acha que ele não foi para a escola? 

— Eu não sei. Eu sei que ele deve estar aprontando alguma coisa errada por . 

— Mulher desconfiada! 

 

E Edmílson não está na escola mesmo não. Ele está na casa de Eleonora e sentindo-se feliz. 

— Se sua mãe descobre que você vai perder aula para ficar na minha casa, ela me mata. — ela diz deitada ao seu lado na cama. 

— Relaxa! Ela não vai saber não. Você não está curtindo esse momento não? 

— É claro, amor, que estou. Eu gosto quando você vem me visitar. 

— Eu vou te visitar sempre. 

Que bom! Só espero não trazer problemas para sua família, que seus pais me odeiam. 

Fica tranquila! Eles nem fazem ideia de que eu voltei a te encontrar. — diz o rapaz, beijando-a nos lábios. 

Você é muito fofo, sabia? E doido, também! 

— Claro! Sou doidinho por você muito tempo. 

— Você sabe que só me afastei da sua casa por causa da sua família, né? Se não fosse por eles, eu ainda entraria lá de vez em quando. 

Esquece minha família. Vamos focar na gente! 

— É por isso que eu te amo, Edmílson. Você é o melhor! 

Vem Aqui

Danilo pega no sono justamente na aula de Física e é acordado pelo professor Juca. A turma sorri ao ver a cara de sono dele. 

— Muito bem, Sr. Danilo, enquanto todos prestam atenção na aula, você está tirando uma soneca daquelas. 

— Ah, professor, desculpa! 

— Nada de desculpas. Como são conhecidas as três leis de Newton? Diga-me! 

        Ele fica sem saber, confuso, e em seguida, o professor vira-se para uma aluna e diz: — diga-me as respostas! 

A aluna, confiante, responde: 

— Professor, a primeira lei é conhecida como lei da inércia; a segunda, princípio fundamental da dinâmica; e a terceira, lei da ação e reação. — e pisca o olho para Danilo, que faz uma cara de que não curtiu. 

— Bravo! É exatamente isso! Parabéns! — ele volta a encarar Danilo. — viu como temos na aula uma estudante dedicada? 

Danilo ignora o comentário do professor e a aluna sorri confiante. 

— Quanto ao senhorzinho, melhor você começar a prestar atenção na aula, porque no dia da prova não vou facilitar. Ou você ganha um dez ou eu coloco um zerinho bem grande para que seus pais possam ver o quanto você não se importa muito com os estudos. 

O sinal bate e o professor dispensa a turma. 

Danilo sai da sala levando a mochila com raiva, e Júnior o acompanha, zoando-o. 

— Vai me zoar até eu chegar em casa? 

— Cara, você é maluco! Como pode dormir na sala de aula? Ahahahah — e ele sorri bastante. 

— Eu não curto Física, ok! Não sou CDF como você, que vive com a cara no livro. 

— Nossa! Que bicho te cutucou agora? Problemas em casa? 

Que se danem os meus problemas. Você não tem nada a ver com isso. 

Ohh! Não vai me esculachar agora não, né? Eu zoando. Relaxa! 

— E eu estou cansado de tudo. Vou pegar minhas coisas e ir embora para um lugar onde ninguém me conheça. 

— E vai esquecer dos seus amigos aqui? Nossa! Desvalorizou legal! 

— Eu de saco cheio de todo mundo, inclusive de você, que vive colado o tempo todo comigo, se fazendo de bonzinho, mas, na verdade, fica falando de mim pelas minhas costas. 

Você endoidou? Não falo de você, ok! 

— Sei. Admite para si mesmo: você sempre teve inveja de mim. 

— Por que você está dizendo isso? Só porque eu quis pegar sua mina? Eu tinha intenção, sim, de levá-la para minha cama, mas ainda não fiz porque não sou fura-olho. 

— Filho da mãe! 

Ele ameaça dar um soco no rosto dele, mas não . 

— É isso mesmo, Danilo! Você sempre teve as garotas mais bonitas aos seus pés e nunca deu valor a elas. Eu sou diferente de você. Se uma delas ficar comigo, eu pego. 

Escuta aqui! Se você se aproximar da Victória, vai se ver comigo, entendeu? 

— O que você vai fazer, Danilo? Vai me bater? 

— Eu vou quebrar a sua cara. 

Valoriza a Victoria então, brow. Se você não a valorizar, eu a roubo de você! 

Não me provoca, rapaz! Você não sabe do que sou capaz. 

— Sei, sim. Eu te conheço muito bem. Ah, Danilo, você acha que o mundo gira somente para você, né? Que pena tenho de você! 

Ele se afasta, deixando o rapaz irritado. O diretor olha a cena e fica em silêncio. 

 

Jéssica chega na casa de Suzane e as duas decidem conversar na sala. Ela estava teclando com um rapaz por um aplicativo de namoro e a jovem, curiosa, decide perguntar quem é o rapaz da foto ao -la estampada na tela. Suzane decide apresentar o aplicativo à amiga. 

— Namoro virtual? 

— Pois é, amiga! Estou nessa onda também. 

Hummmm... Não acredito muito nisso. Acho besteira tentar encontrar alguém pela internet. Pelo menos nunca me importei com isso. 

— Amiga, você devia tentar. Esse chat é muito bom. Eu fiz boas amizades através dele. Vou te explicar como funciona. 

Ela começa a ensinar algumas dicas para Jéssica, que presta atenção em tudo. Alguns minutos depois, Jéssica acha interessante o chat e é incentivada pela amiga a fazer o cadastro no aplicativo. 

Danilo entra no seu quarto e liga o notebook. Navegando pelo site de busca, ele encontra um anúncio de um aplicativo de namoro muito popular, comentado pelas pessoas e bem avaliado positivamente. Curioso, ele abre o celular e procura pelo aplicativo. Assim que baixa, ele se cadastra. 

Ele decide entrar no mesmo chat de namoro online quando seu irmão menor Jordan chega. 

— O que está fazendo aqui, prego? 

— Eu vim ver se você tem um dinheiro para me arrumar. Preciso ir ao jogo de basquete com os meus amigos. 

pediu ao nosso pai? 

— Ele disse que você tem. 

— Sempre, né? Peraí que vou dar uma olhada. 

Ele se afasta do notebook quando o menino olha de relance. 

— O que é isso? 

Ohh! Isso é para adultos. Está aqui o dinheiro. o fora! 

Poxa, você nem vai me dizer o que é. 

— Vai, rapaz! Vai para o seu jogo e me deixa em paz. 

O menino sai do quarto irritado e Danilo volta a teclar no notebook. 

De repente, um sinal sonoro alerta o aviso de mensagem e Jéssica, que neste momento estava em seu quarto e sobre sua cama, decide verificar. 

“Quem será, hein? Bom, vou responder.” 

E ela digita um “Oi”. E depois: “Tudo bem?” 

E assim começa o jogo de perguntas e respostas. Um responde ao outro sucessivamente. Até chegar na seguinte pergunta: “Solteira?” 

Jéssica responde que sim e Danilo diz a mesma coisa. Um sorriso se abre no rosto de ambos. 

“Podemos marcar um encontro, futuramente. 

Agora ela fica em silêncio, sem saber o que dizer. Mas, de repente, seus dedos teclam nas seguintes letras que correspondem à palavra “Sim”. 

Que bom! Fico feliz que queira me encontrar. Posso te ver por videochamada?” 

Chat de Namoro

Digitando

Jéssica fica em dúvida e recusa o convite. Danilo, por sua vez, fica chateado, mas entende. 

E passam dias e dias e a conversa entre os dois fica boa demais. Quando Danilo não a chama no chat, ela mesma toma a iniciativa. E vice-versa. 

Jéssica abre um sorriso ao receber a mensagem dele. 

Danilo, por sua vez, em certos períodos demora a responder porque fica pensando no que dizer. 

Os dois trocam experiências de vida, conselhos, às vezes brincam um com o outro, falam de sonhos, até mesmo da política do país. E assim cada um sabe da vida do outro, criando a amizade entre os dois. 

— Amiga, você está apaixonada! — diz Suzane para Jéssica, que se surpreende. 

Que isso! Eu mal o conheço 

— Mas você gosta dele. para ver nos seus olhos, amiga! viu como o chat te ajudou? 

— Só você mesma, né? Mas eu vou te confessar: eu gostei dele, sim. Ele parece ser uma pessoa legal. 

Sintomas do amor, Jéssica! 

— Para com isso, ! Danilo é apenas um amigo e a distância entre a gente atrapalha muito. 

Você acha que a distância atrapalha duas pessoas de se amarem? 

— Eu acho. Moramos longe um do outro. Não vai dar certo, viu. 

— Para o amor não tem distância, Jéssica. Se vocês se apegarem um ao outro e quiserem mesmo ter algo sério, a distância não vai atrapalhar em nada. Pense nisso! 

Jéssica fica em silêncio com as palavras de Suzane. 

 

Victoria visita Danilo em sua casa e os dois conversam. Ela sente o rapaz diferente e o questiona 

Está diferente, sim. Posso saber o que está havendo? 

Não é nada, Victoria. Impressão sua.ele nega. 

— Bom, então ! Vamos sair hoje? 

Pra onde? 

— Sei , para algum lugar especial onde tenha nós dois. 

— Um motel?supõe ele. 

— Pode ser. Até gosto da ideia de passar a noite com você. 

— Só que não estou a fim de sair hoje para lugar nenhum. 

— E por quê? — se intriga ela. 

Simplesmente não estou a fim. Eu queria ficar sozinho. 

— Tem mulher na parada, né? Me diz qual é o nome dela. 

— Victoria, não exagera! Não conheci ninguém não! 

— Danilo, você está estranho e nem quer sair comigo. Alguma coisa de errado está acontecendo e eu quero saber, ok! Quem é a ordinária que está roubando você de mim? 

Danilo sentiu um aperto no peito. Por alguns segundos, evitou encará-la. Sabia que qualquer palavra, poderia denunciá-lo. 

Pára com Isso