16º Capítulo de Fascínio

Chegando no apartamento, Richelle e Lisiane se abraçam fortemente e a ex atendente de lanchonete resolve contar tudo o que houve. Sem demonstrar surpresa, Richelle comenta: 

— Eu já imaginava que isso aconteceria. 

Lisiane fica com os olhos arregalados sobre ela. 

— E por que não me contou nada? 

Richelle enche um copo de uísque e se vira a jovem. 

— Eu estive com a Suany e a preparei para a realidade. 

Lisiane fica com um olhar sério. 

— Eu deveria ter sido consultada né? Aquela mulher nojenta me falou coisas horríveis e você não me contou nada do encontro que teve com ela. 

— Lisiane, calma! — diz Richelle, tentando tranquilizá-la. 

— Calma o cacete! Você quer me ferrar, é isso? Que droga de proposta é essa, hein?  

— Eu já falei pra você ficar calma. 

Lisiane coloca as mãos na cabeça e de repente, toma o copo de uísque dela e entorna no chão, atirando o objeto que cai em mil pedaços. Richelle sente a raiva da jovem naquele momento. 

— Eu estou cansada de me fazerem de boba! Eu posso perder tudo o que tenho, mas nunca vou deixar de seguir meus princípios. Eu sou uma pessoa íntegra e não mereço passar por humilhações nessa vida, nem ser comandada por ninguém. 

— Eu acho que está muito nervosa, e gostaria que me ouvisse um pouco. 

Lisiane dá um sorrisinho. 

— Por te ouvir tanto que acabei ouvindo coisas que não queria. 

— Eu errei, sim. Admito. Deveria ter preparado você antes pra esse encontro com a Suany. Me desculpa! 

— Nojenta miserável! — diz ela, lembrando das palavras de Suany. 

— Eu entendo que está com raiva, mas eu quero o melhor pra você. 

Lisiane desconfia com um gesto. 

— É verdade? Eu te tirei daquela lanchonete horrível. Te coloquei na empresa dos Salles. Você chegou a entrar na mansão deles. Se aproximou do Fabiano. 

— E tudo isso pra quê? Me diz? Voltar pra estaca zero? 

— Não. Você não vai voltar pra estaca zero. 

— Suany me fez uma proposta. Se eu não aceitasse, eu perderia o meu emprego. 

— É claro que você aceitou, né pelo seu emprego? 

— Justamente, aceitei. — confessa Lisiane. — pelo meu emprego. Tenho um apartamento novo que preciso cuidar, embora nem seja meu de verdade. 

Richelle fica pensativa com as palavras de Lisiane e se aproxima dela. 

— E como fica a nossa proposta diante disso? 

— Nada mudou, Richelle. Agora sou eu que determino as cartas. Eu vou me aliar a Suany contra você. Vou fazer o jogo dela. 

— Mas eu te ajudei, Lisiane? É dessa forma que me retribui? 

— Fica tranquila, minha querida! Você vai ver do que sou capaz. 

 

Algumas horas depois, uma presença masculina encontra Lisiane em um restaurante bem distante dali e os dois trocam um papo, em particular. 

— Como foi o encontro com a Suany? — ele pergunta, curioso. 

— Detestável. Mas foi da forma que você imaginou mesmo. — ela relata. 

— Mas confesso que você se saiu bem no final das contas. 

— Tento, né? Entrei nesse jogo pra não perder nada. Agora, preciso agir na discrição e seguir cada etapa. 

— Se precisar de mim, já sabe. Tem meu contato! 

— Com certeza! — ela diz, sorrindo. 

— E quanto às novidades? 

— Descobri uma coisa importante. Parece que Verena e Mafalda sabem da traição dela com esse tal de Tony. 

— Legal. E o que mais?

— A chata da Suany desaprova a relação da mãe com um cara chamado Fernando. As duas não estão tão próximas mais. 

— Interessante. Você acha que consegue se inteirar mais do assunto? 

— Posso dar um jeito, mas não prometo. — diz Lisiane, tomando uma taça de vinho. 

O desconhecido pega na mão dela, carinhosamente e ela recua. 

— Ainda gosta dele, né? 

— Sim. Eu não posso mentir pra você. Ele foi a melhor coisa que me aconteceu, nesse jogo de mentiras. 

— Entendo. — ele consente. — sabe que tenho sentimentos por você. 

— Obrigada por não me deixar sozinha nessa, mas não posso corresponder. — ela agradece, gentilmente. 

— Desde o momento que te conheci, eu te falei que você não ficaria sozinha nesse jogo da Richelle e quanto aos meus sentimentos, eu admito que perdi feio. — o desconhecido diz, em claras palavras, fazendo ela ficar mais tranquila e abrindo um sorriso discreto. 

— Eu e você temos uma amizade boa. Não desperdice isso! 

Suany chega na mansão toda alegre, com várias sacolas de compras e encontra Fabiano à sua espera na sala. 

— Oi amor, como foi seu dia? — ela pergunta, lhe dando um beijo na boca e largando as sacolas em cima do sofá. — ah, estou me sentindo tão cansada! Não imagina o dia que tive. 

Fabiano a encara sério e pega o celular. 

— Enquanto a nossa família passa por apuros, você se diverte fazendo vídeos na rede social e principalmente, comentando sobre a prisão da minha mãe. 

Suany fica com um olhar assustado e tenta se defender. 

— Amor, eu realmente não fiz por mal intenção e nem pra me divertir às custas de ninguém. Minha sogra é inocente dessas acusações medíocres que lançaram contra ela. Logo, a mídia esquece disso. 

— Você não podia ter exposto a minha mãe nas redes sociais. Eu estava preservando a nossa família da mídia e você estragou tudo. 

— Mas o caso é tão sério assim, amor? 

— Você não percebe o quanto errou com ela? Minha mãe quase foi presa por irregularidades na empresa, fruto de algo implantado pra incriminá-la. — reclama Fabiano. — você me decepcionou muito! 

Fabiano se retira da sala e deixa Suany sozinha. 

— Amor, onde você vai a essa hora da noite? 

O empresário não responde e fecha a porta com toda a força.

Suany fica com um olhar sério.

“Ele vai atrás daquela mulherzinha. Filha da puta!”

 

Saindo da mansão, ele telefona pra Lisiane que atende imediatamente. 

— Fabiano, acho melhor não nos vermos hoje! 

— Eu preciso te ver. Por favor! 

— Fabiano… 

— Por favor, Lisiane! — insiste ele, até que ela consente. 

Chegando numa praça, os dois se encontram e se sentam um diante do outro. 

— Desculpa insistir, mas eu queria muito te ver. 

— Fabiano, acho que a gente precisa se afastar. — pede Lisiane, evitando qualquer contato dele. 

As lembranças do encontro com Suany, a proposta de Richelle em fazê-la infiltrar na família dele, a mudança brusca de vida que teve… vêm à tona de repente, tentando fazê-la pensar muito antes de continuar aquela conversa, mas o olhar dele a faz esquecer tudo isso. 

— Tem coisas nessa vida que não dá pra evitar, Lisiane. — e ele pega na mão dela de repente. 

— Por que você é assim, teimoso, hein? 

— Quanto mais eu tento me afastar, mas penso em você. 

Fabiano beija Lisiane e ela acaba se rendendo ao momento, esquecendo planos, pessoas, tudo e se dando uma chance de viver aquela oportunidade. 

Primeiro-Beijo

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