Por mais que seja difícil admitir a verdade, Verena imaginava no fundo que seus filhos se sentiriam estranhos se ela dissesse que tinha ciência da traição de Suany e o comportamento deles demonstrou isso, confirmando qualquer dúvida que tinha, principalmente de Fabiano que começou a se sentir mais pra baixo. 

— Eu achava que você estava feliz e não queria que aquela mulher te fizesse sofrer, se a verdade viesse à tona. — diz Verena, com os olhos se enchendo de lágrimas por ver a reação adversa do filho. 

— A senhora não podia ter feito isso comigo. Eu confiei na senhora! 

— Calma, Fabiano! — pede Guilhermina, repensando melhor a situação. — acho que minha mãe queria te proteger apenas. 

— Mas o que adiantou a proteção? — rebate Fabiano, tenso. — Filho, eu não imaginava que você estava a fim de outra pessoa e para tentar te proteger, eu deixei esse casamento acontecer. — diz Verena, se lamentando. 

— Mãe, eu ia me casar com uma vigarista. A senhora tem alguma noção disso? 

— Tinha muita coisa em jogo nesse casamento, filho. Tenta entender! — declara Verena, se sentindo um pouco nervosa. 

— Fabiano, ela está certa! — defende Guilhermina. — você sabe que tinha muitos olhares voltados pra essa cerimônia. 

Fabiano fica pensativo por alguns instantes e Guilhermina o consola. 

— Eu sei que é difícil, meu irmão, mas nossa mãe só quis o seu bem.  

— E por pensar em você, meu filho, que eu cheguei até a fazer um acordo com ela antes do casamento. — completa Verena, sob os olhares sérios dos filhos agora. — e ela aceitou o meu pedido, em troca de uma boa grana. 

— Posso saber que pedido foi esse? — pergunta Fabiano. 

Assuntos-de-Familia

— Que se casasse contigo e depois de um certo período de tempo, se separasse de você. Eu não tinha muitas escolhas a essa altura do campeonato, meu filho! Só não queria ver a Suany dentro da família pra sempre. 

— Não acredito que ela teve a coragem de aceitar. Isso prova que eu fui usado. — se lamenta ele. 

— Todos nós acreditamos nela, meu irmão. — diz Guilhermina, sendo realista. — ela pisou na gente sem dó nem piedade. 

— Eu quero ficar olho a olho com ela. — diz Fabiano, sério. 

— Filho... — intercede Verena, preocupada. 

— Por favor, mãe! Eu preciso ter essa conversa com ela. 

Guilhermina consente e Verena então muda de expressão. 

— Você vai sofrer mais ainda com esse encontro, Fabiano. — diz Guilhermina, séria. 

— Não. A Suany vai se arrepender de ter me usado, de ter feito eu de palhaço durante esse tempo todo. — diz Fabiano, decidido, socando a mão na mesa. 

 

No quarto, Suany se sente sozinha ainda usando aquele vestido de noiva. Dos seus olhos, lágrimas rolam face abaixo. As chances de entrar na família Salles agora se tornaram praticamente inexistentes e vai ser muito difícil encontrar outro bom partido pra se aproximar, já que o estrago do seu casamento virou notícia mundial. A revolta de ter perdido tudo ainda dilacera seu coração e o ódio que sente pelas pessoas que lhe fizeram mal, é algo devastador. Ela atira objetos contra a parede e grita alto. Cai no chão arrasada e se debate, como uma menina turrona. De repente, batidas na porta e com lágrimas nos olhos, pede pra ir embora. 

Uma secretária avisa da porta que ela precisa ir embora naquele exato momento, pois tem um carro à sua espera. 

Suany enxuga os olhos, nesse instante e decide se levantar do chão. Ela abre a porta bem devagar e se depara com a secretária. 

— Desculpa incomodar, senhora Suany mas eu vim a pedido de Dona Verena. O carro que vai levá-la pro aeroporto está a sua espera e eu vim te ajudar a preparar tudo. 

— Claro, entre! Eu não quero ver ninguém, ok! 

— Nem a Dona Verena não deseja isso, senhora Suany! Pediu pra senhora ser retirada pela porta do fundo. 

— Eu não sou mulher de sair pela porta dos fundos. Ouviu bem? 

— Tudo bem, senhora Suany. — diz a secretária, consentindo. 

Algumas horas depois, ela sai acompanhada de alguns seguranças e da secretária e entra rapidamente no carro, que parte em seguida. 

 

Ciente da partida de Suany, Verena comunica ao filho Fabiano que se sente enraivecido. 

— Mas eu queria vê-la! 

— Ela já partiu pro Brasil, meu filho. 

Fabiano se sente irado. 

— Tudo bem. No Brasil, a gente vai se encontrar então. 

— Filho, eu ainda acho que esse encontro é um erro. 

— Não, mãe. Ela ainda não me ouviu. A senhora não vai me tirar esse prazer. Não mesmo! 

— Não vale a pena, meu filho bater boca com uma mulher daquele nível. Você é muito melhor que ela! 

— A senhora nunca vai entender, mãe. Ela causou um estrago enorme nas nossas vidas e isso não tem perdão. 

— Você quer conversar com ela, converse então! Mas toma cuidado! 

Fabiano dá um sorrisinho e Verena fica séria. 

Batidas na porta. 

Verena atende em seguida. 

— Oi, dona Verena. Vim avisá-la de que o carro chegou. 

— Meu filho, está pronto pra voltar para o Brasil? — pergunta Verena, se virando pra Fabiano que consente. 

 

Das Ilhas Maldivas, Paulo fica pensativo sobre o fiasco do casamento do irmão e decide planejar algo. 

“Eu acho que vou precisar de uma nova aliada” 

Ele observa as fotos de Suany rolando nas manchetes de jornais e o vídeo viralizando na internet. 

“Com uma mulher encantadora dessas, não tem pra ninguém.” 

 

De volta à Sete Lagoas, em Minas Gerais. 

Dias depois... 

Suany chega na casa da mãe e as duas se abraçam fortemente. Mas o abraço não dura por muito tempo, não! 

Ao se afastar da mãe, Suany decide jogar seu veneno: 

— Por sua culpa, eu fui humilhada por aquela família. 

Noêmia fica perplexa com aquela acusação. 

— Você endoidou? Quem planta, colhe e você colheu, no dia do seu casamento. 

— Está satisfeita agora? Meu casamento com Fabiano acabou! 

— Eu sinto muito por isso, filha, mas você não me ouviu. Achou que ia se dar bem na base de uma mentira. 

— Tudo estava indo tão bem. Mas você foi se envolver justamente com um cafajeste e aí desandou tudo. 

— Como é que é? Não coloca o Fernando no meio disso, não! Quem fez a merda foi você, minha filha! 

— Seu namoradinho não é tão inocente quanto pensa, não. 

— Se você veio aqui pra me insultar e insultar o Fernando, ponha-se daqui pra fora agora mesmo, infeliz! 

— Acorda, minha mãe! Fernando é o meu ex amante Tony. Eu o peguei na sua frente e não foi uma vez só não. Foi várias! 

Noêmia se revolta com as palavras da filha e dá um tapa em seu rosto. 

— Não acredita em mim? Tira a prova dos nove. Existe uma marca no corpo dele que eu conheço muito bem. — confessa Suany, tentando virar o jogo a favor dela e deixando a mãe, totalmente fora de controle. 

 

Fabiano chega na empresa e encontra Lisiane trabalhando. 

Ele perde o descontrole e vai até ela rapidamente. Sem pensar em nada e ninguém, o empresário se aproxima da atendente. Ao ver a jovem ali em sua frente, ele para por um instante com aquele olhar sério. O olhar dela também o encara. Dos lábios, nenhuma palavra é pronunciada. O contato visual influencia o momento e ele a beija nos lábios, pra surpresa dela. Aquela cena ali na empresa choca funcionários e visitantes que estavam no local. Foi um beijo de saudade e alívio. Um beijo sem culpa. Audacioso. Surpreendente. Inevitável. Não deveria acontecer ali? Não. Mas Fabiano não se importava com mais nada. Ele só queria demonstrar aquilo que estava guardado em seu coração há dias, desde que pisara no altar com uma mulher que acreditava ser de confiança. E agora, conhecendo a verdade sobre Suany, decidiu parar de fugir dos próprios sentimentos. Perdidamente apaixonado por Lisiane, o empresário não mediu consequências e avançou! 

Encontro-romantico-no-trabalho

E lá estão os dois no meio daquela empresa, se beijando e se abraçando, vivenciando o momento sob olhares de várias pessoas.  

E essa cena surpreende Verena, que ao pisar do elevador pra fora, os pega em flagrante. 

“Então é ela!”