Nono Capítulo de Corações Desimpedidos

Grace, à medida que ela ia caminhando devagar e se aproximando do barco que estava ancorado ao cais e que via aquele rapaz em sua frente, seu coração parecia disparar e ela estava deslumbrada com tudo aquilo.

O lugar que era paradisíaco, com o cenário do mar a sua vista, a Ilha grande no horizonte e há poucas horas de barco daquele ponto e o vento sudoeste da tarde fazia esvoaçar seus cabelos e que também fazia fascinar o misterioso rapaz que ela conhecera pela Internet.

Seus cabelos dourados e seus olhos claros, juntamente com seu porte físico dourado pela luz do sol daquela tarde, vislumbrava Grace e ele não podia esperar tanto. Ele estava no convés do barco com uma taça de bebida na mão olhando ela se aproximar e ela quase não podia acreditar no que estava vendo na sua frente. 

Com o copo na mão, o peito descoberto denotando seu físico definido, ele saiu do convés e veio até ao estrado e estendeu-lhe a mão.

O olhar dele parecia hipnotizar a menina e ela erguia a cabeça para olhar pra ele, bem em seu olhar fascinante e que fazia respirar mais forte.

– Vem! – disse ele com uma ponta de sorriso nos lábios umedecidos pelo cálice que acabara de sorver mais uma vez à medida que se aproximava.

Grace sentiu as mãos dele apertarem as suas e estava estonteada com tudo aquilo.

Casal-na-Lancha

Um rapaz belo, num lugar daqueles, num convés de um iate que chamava sua atenção, só podia ser um "um filhinho de papai" solitário e que estava à procura de um grande amor pra preencher os seus dias tristes, pensava ela.

– Eu estava doida pra chegar aqui e te ver. – Ela balbuciava aquelas palavras sem perceber o que estava falando, pois estava impressionada demais.

– Valeu a pena pra você? – perguntou ele levando a mão ao rosto delicado dela.

– Sim. Apesar de tudo, o que ficou pra trás ficou. De agora em diante eu quero ficar perto de você.

– Finalmente nos conhecemos Grace e a partir de hoje, você vai ser feliz comigo.

Ele pousou sua taça de bebida numa mureta na entrada do estrado do barco e envolveu Grace com seus braços fazendo ela ficar bem juntinho ao seu peito bronzeado pelo sol daquele dia e ela estremeceu quando o calor do seu corpo a envolveu.

Ela deixou sua bagagem cair junto aos pés dele e se deixou envolver por aquele abraço quente e envolvente e que nunca sentira antes com alguém tão especial.

O vento do mar da baía de Sepetiba envolvia os dois fazendo exalar um perfume suave e delicado que trazia em sua pele e que o impressionara também.

Os rostos estavam bem próximos e não podia ser de outro jeito depois de tanto tempo se flertando pelo WhatsApp, a quilômetros um do outro.

Ela fechou os olhos, pois já estava sentindo seu rosto queimar à medida que ele aproximava seu rosto calorento com seus lábios quentes aos lábios dela.

E a saudação de "boas-vindas" naquele cais de Angra não poderia ser de outra maneira depois de tanta ansiedade de se conhecerem um ao outro pessoalmente.

Os dois se beijam ardentemente.

 

Mais perto dali um carro de luxo pára bem próximo ao shopping e o motorista particular sai do volante e volta para o outro lado da porta para abrir para um casal que desembarcara a fim de curtir aquela tarde também.  O empresário sai do carro segurando uma mulher muito bela pela mão e colocam os óculos escuros em vista do confronto do sol forte.            

Os dois se beijam também e ela parece estar se sentindo bem de estar naquele lugar e naquela linda tarde à beira mar.

– O senhor vai às compras, Doutor? – perguntou o motorista.

– Sim, Rafael. Se quiser pode dar uma volta e daqui a uma hora esteja aqui.

– Ah querido – fala a mulher – Eu pensei que íamos passear no iate. Você prometeu navegar comigo até a Ilha do Abraão, na Ilha Grande.

– Poxa querida, eu havia esquecido de avisar: o barco tem que ir pra manutenção, pois o motor não está bom e os mecânicos dizem que está prestes a dar uma pane. Por isso preferi deixar parado aqui na marina, pois já chamei os técnicos pra revisarem.

– O senhor esqueceu de avisar ao marinheiro que toma conta do barco, Dr. Rodolfo. Acho melhor procurá-lo e avisá-lo da manutenção e de que o senhor se encontra aqui. – diz Rafael.

– Verdade, Rafael. Até porque eu não avisei que ia chegar e é bom avisá-lo antes que ele dê na cabeça de sair com o barco como é o costume dele para “aquecer” os motores como ele diz. – E vira-se para a mulher – Querida, pode acontecer um acidente com o estado do motor do barco do jeito que está. Vamos ao Shopping escolher algo pra você e depois vamos pra mansão.

– Combinado então, Dr. Rodolfo – disse o motorista Rafael – Dou avisar o Demétrio e depois vou dar uma volta na cidade até a hora que o senhor quiser ir embora.  

O rapaz empresário envolve os braços às costas de sua amada e saem caminhando para o saguão do Shopping ali das Marinas de Angra.   

Rafael, o motorista do empresário entra no saguão também mas toma caminho inverso em direção ao cais para localizar o empregado do barco do Dr. Rodolfo que provavelmente estaria no iate de plantão.

Aliás – Pensava o fiel motorista caminhando com o celular na mão enquanto se dirigia ao cais – O Doutor já deveria ter avisado há alguns dias que o barco estava com problema e que o marinheiro não podia sair em hipótese alguma com a embarcação com o risco de correr sério um grave acidente.

Motorista-Particular

Gisele não suporta a ideia de Daniel evitá-la sempre que os dois se encontram na empresa e decide tomar uma atitude drástica.

– Posso saber porque está me evitando? – diz Gisele, intrigada.

Daniel fica sério em relação à jovem.

– Então, to esperando uma resposta! – diz ela, determinada a fazê-lo responder sua pergunta.

– Olha, Gisele! Estamos num local de trabalho e acho que não é um bom momento de a gente conversar agora.

– Eu não sei o que está acontecendo Daniel, mas eu preciso de uma resposta conclusiva.

– Ah é? Você quer uma resposta? Gisele, desejo toda a felicidade do mundo pra você.

Gisele fica confusa e diz:

– Eu não estou entendendo porque está me dizendo isso.

– Você e aquele cara merecem ser felizes.

– Que cara? Você enlouqueceu?

– Ah não me venha com cinismo agora não. Eu vi Gisele. Ninguém me contou nada não!

Gisele tenta entender a que cara Daniel se referia e de repente se lembra.

– Daniel, eu posso explicar. O Zeca...

– Ah então esse é o nome dele. Gisele, eu preciso trabalhar ok!

– Eu e o Zeca não temos nada um com o outro.

– Desculpa Gisele, mas eu preciso realmente trabalhar. – diz ele, tentando se afastar.

– Não antes de eu fazer isso! –Ela o agarra e o beija em seus lábios fortemente, fazendo com que Daniel se entregasse ao amor dela.

 

Wallace chega na empresa onde o irmão trabalha e Doroth o atende gentil.

– Estou à procura do meu irmão que trabalha aqui. Ele se chama Daniel.

– Ah sim eu conheço. Vou levá-lo até ele!

De repente, Amanda, uma funcionária da empresa traz alguns arquivos e as entrega em mãos.

– Muito obrigada, Amanda! Precisava disso mesmo pra hoje. – agradece Doroth, gentil.

– Por nada. Só revisei algumas pautas e pedi para os fornecedores assinarem. Sr. Otávio estava com muita pressa em relação a esses documentos, né?

– E como minha amiga. Você nem faz ideia. Mas fico grata que está tudo aqui prontinho. Você é dez!

– Doroth, e como está a Gisele? Fiquei sabendo da situação da Grace.

– Amiga, a Gisele está na tentativa de encontrar ela. Mas vamos conseguir achar a Grace, pode ter certeza.

– Grace não tem juízo né? Sair de casa assim fugida sem comunicar a ninguém.

– Amanda, a Grace está passando por uns problemas sérios mesmo, mas ela tem a gente. Nós como amigos dela, estamos dispostos a ajudá-la sempre. Onde quer que Grace esteja, nós vamos achá-la porque somos uma equipe. – diz Doroth, confiante.

– Tá certíssima! – consente Amanda, sorrindo.

– Vem Wallace! – chama Doroth. – Vou levá-lo ao seu irmão.

Wallace agradece e segue a jovem.

Ao atravessar o corredor e entrar sala adentro, Wallace e Doroth se surpreendem com a cena do beijo de Gisele e Daniel.

– Eita. – diz Doroth ao ver os dois juntos.

Gisele e Daniel param por um momento, envergonhados e os encontram na porta.

– Irmão, você é o cara! – diz Wallace, completando.

CONVERSATION

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