Richelle faz um olhar malicioso pra Dionatan, que sorri meio sem jeito. A jovem decide se ater na ligação com Lisiane.
— Eu vou te explicar em detalhes o que você terá que fazer, mas antes, preciso te perguntar uma coisa importante.
Lisiane endurece a expressão.
— O quê? Pode perguntar.
— Você tem algum namorado?
— Ah não! Fica tranquila quanto a isso. Mas por que a pergunta?
— Eu só queria confirmar mesmo a minha dúvida.
— Mas então, como seria essa proposta?
— Ansiosa, hein? — diz ela, sorrindo e deixando Dionatan, morrendo de rir, disfarçando-se para não se expor.
— Sou mesma. Mas olha, se você estiver brincando com a minha cara, vai se ver comigo! Eu não sou tonta!
— Calma! — diz Richelle, mudando de expressão e tentando parecer bem séria agora na ligação. — Vou precisar muito de sua ajuda e não tenho ninguém de confiança que possa fazer isso por mim. Você está mesmo disposta a me ajudar ou não?
— Estou, mas eu quero saber o que eu devo fazer.
— Me encontra amanhã à noite, no restaurante Castellamares. Conhece?
— Conheço.
— Ótimo! Vou te esperar amanhã à noite e a gente conversa sobre isso.
— Então, eu vou ter que esperar até amanhã ainda.
— Não seja ansiosa, Lisiane! A partir de amanhã, você aceitando, sua vida vai mudar e você vai ver pra melhor. Vou te colocar dentro de um lugar que você nem sequer imaginaria que pisaria. Confia em mim!
Assim que Lisiane desliga o telefone, Dionatan se aproxima mais de Richelle e comenta:
— Você é incrível! Tenho que tirar o meu chapéu pra você.
— Eu falei que ela ia aceitar. Sou boa de convencer as pessoas! — e ela se vira ao garçom e diz: — A conta, por gentileza!
Suany chega na casa de Noêmia e ela decide ter uma conversa séria com a filha.
— Eu posso saber onde você estava que não retornou as minhas ligações?
— Eu estava resolvendo algumas coisas. Por quê? Aconteceu alguma coisa, durante a minha ausência?
Noêmia se aproxima da filha.
— Diga na minha cara que você não foi se encontrar com ele?
— Ele quem, mãe? Me deixa!
— Você pode enganar a dona Verena e a família dela, mas a mim não! Suany Ribeiro, olha pra mim e me diga a verdade! — a mãe resolve interrogá-la severamente.
— A senhora está ficando doida. Eu não fui ao encontro de ninguém não!
— Nem do Tony Dantas? — anuncia Noêmia, firme diante da jovem que arregala os olhos séria.
Verena pensa no casamento do filho quando Guilhermina bate à porta.
— Oh, minha filha!
— Está tudo bem? — pergunta a jovem, ao ver a expressão séria da mãe.
— Está tudo bem, sim. Por que não estaria? — pergunta ela, tentando mudar de expressão.
— Por nada. Só achei a senhora um pouco estranha, depois da saída da dona Noêmia. Mãe, a senhora realmente está se sentindo feliz com esse casamento?
Verena fica séria diante da filha e o olhar de preocupação nesse momento fica evidente pra ela.
— Pode se abrir comigo, minha mãe? O que te aflige?
— Fecha a porta!
Guilhermina obedece e fecha a porta, voltando depois pra cama onde a mãe estava deitada.
— Confia em mim!
Verena repousa o livro sobre a mesa da cabeceira e olhando diretamente pra filha, diz:
— Tem uma coisa me intrigando nesse relacionamento da Suany com o meu filho. Só não sei o que é de verdade, mas coração de mãe sente, entende?
— Será que a senhora não está tirando conclusões precipitadas a respeito dela?
— Pois é, filha! Eu tenho medo de ver meu filho sofrer uma desilusão.
— Eu acho que Fabiano está tomando a decisão certa. Suany é um pouco extravagante, exagerada, parece ter um pouco de ambição, mas ele a ama. Dá pra ver na cara dele isso!
— Ambição! — comenta ela, com um ar de seriedade. — por ambição, pode fazer tudo. Até mesmo se casar com um dos homens mais disputados da alta sociedade.
— Mãe, não fique preocupada a toa em relação a isso. — tenta tranquilizar Guilhermina, carinhosa. — seu filho está feliz com Suany e esse casamento vai ser grandioso. E além do mais, ele parece ser bem sensato. Não é mais uma criança e talvez por medo de perdê-lo, a senhora já está colocando alguns obstáculos.
— Não, filha! Não é o fato de que eu ter medo de perdê-lo, pois eu tenho ciência de que filho se cria pra vida e um dia, ele vai sair de casa e arranjar uma família, mas no caso da Suany, tem algo que não cai bem, sabe?
— Fica tranquila, minha mãe! Vai dar tudo certo.
— Filha, obrigada por se preocupar comigo e por me ouvir. Não gostaria que comentasse com ninguém a respeito disso.
— Pode deixar, minha mãe!
Mãe e filha se abraçam nesse momento.
Enquanto isso, Noêmia impede a filha de fugir do assunto e tenta lhe tirar a verdade a qualquer custo.
— Eu te conheço, minha filha! Você estava com o Tony? Confessa!
— Pára com isso, mãe! Esse assunto já está cansando a minha beleza. Que ódio!
— Você pode não admitir que estava com ele, mas eu sei que estava. Sua cara não engana, filha! Você está traindo o melhor partido da cidade com um cara que não tem um vintém sequer.
— Pára de encher o meu saco, mãe e me deixa em paz, por favor!
— Se você estragar a sua vida por causa desse Tony, eu mesma vou acertar as contas com ele. Ouviu?
— Tony é um amigo apenas. A gente não tem nada um com o outro. Eu amo Fabiano e a senhora devia ter mais bom senso em confiar em mim.
— Você é igualzinha ao seu pai. Nunca deu motivos pra confiar!
— Então, dane-se você e suas desconfianças. Me deixa em paz!
Suany se retira e vai pro quarto, deixando a mãe pensativa.
O dia surge lindo, com mais um sol radiante despertando no horizonte. E mais uma vez, Lisiane se prepara pra mais um dia de trabalho, na lanchonete. A ansiedade de saber como seria essa proposta da Richelle ainda atormenta seus pensamentos, que cria certas dúvidas se vai nesse encontro ou não. Mas quando ela pensa no fato de ser despejada e nas dívidas, Lisiane se controla e diz pra si mesma que precisa tentar. Precisa ir ao encontro de Richelle mais tarde e descobrir que proposta seria essa, que mudaria a sua vida totalmente. E com o passar das horas, esse encontro logo chega. Lá está Lisiane, entrando no restaurante Castellamares e se encontrando com Richelle.
— Olá, querida! — cumprimenta ela.
— Oi, Richelle! Aqui estou! — diz Lisiane, séria, se sentando a sua frente.
— Está preparada pra saber da proposta?
Lisiane consente.
— Pois, bem! Você quer a boa ou a má notícia primeiramente?
— Já que estou na merda, me diz logo a má notícia.
— Não exagera, mas tá bom! A má notícia é que você vai precisar mudar completamente quem é. — alerta ela, séria.
— E qual é a boa notícia?
— Dívidas pagas. Dinheiro. Conforto. Uma vida nova. — diz Richelle, pontuando. — preciso desenhar ou você já entendeu?
— Eu vou ter que enganar uma pessoa pra me tornar bem de vida?
— Exatamente e minha querida, não é qualquer pessoa não! Acredite! O nome dele é Fabiano Salles, o melhor partido da alta sociedade. Filho de Verena Salles.
— Por que isso, Richelle? Eu não sou ninguém à frente desse homem.
— Agora. Mas com a minha ajuda, você vai ser. Pode confiar!
— Não. — Ela decide se levantar da mesa. — Não posso fazer isso. Isso é contra meus princípios.
— Você vai ter tudo, Lisiane. Vai se tornar uma pessoa diferente do que você é agora. Não tem nada a perder!
— Nada a perder? E a minha dignidade?
— Pense, Lisiane, que será por uma boa causa. Você está à beira de um abismo. Você precisa mudar de vida e pra já! Eu vou estar contigo o tempo todo. Confia!
— Isso é muito arriscado, Richelle! E se ele descobrir depois a verdade?
— Você só precisa entrar na vida dele…
— Por que não escolhe outra pessoa pra fazer o seu serviço?
— Quem, Lisiane? Quem faria esse serviço pra mim?
— Eu não sei. Mas como você deve ter muitos contatos, pode ser que ache alguém mais interessante que eu.
Richelle sorri com as palavras de Lisiane.
— Está com medo de entrar na vida do Fabiano?
— Eu acho que não estou preparada.
— Ah, entendi! E você está preparada pra ser despejada ou futuramente demitida? — provoca Richelle, colocando as cartas na mesa. — Pense bem, minha querida! A oportunidade não bate duas vezes na mesma porta, não! Você é uma pessoa esforçada, dedicada, simples… Você trabalha o mês inteiro pra ganhar quase nada. Aguenta humilhação todos os dias. Vive cercada de dívidas. Enfim… Estou te dando uma chance de mudar de vida. O que mais eu preciso fazer pra te convencer de que essa oportunidade é única?
As palavras de Richelle são como facas no peito de Lisiane e ela percebe que a jovem estava certa, em relação a tudo. Ela tem contas a pagar, precisa de um teto confortável e de um emprego estabilizado e aceitando a proposta, ela teria grandes benefícios. Seu coração estava apertado demais. Ela desviou o olhar e apertou as mãos sobre a mesa.
— Por que motivos você está me fazendo essa proposta?
— Eu preciso ajudar o Fabiano a se livrar de uma enrascada.
— Que enrascada? — o tom dela muda completamente.
— O casamento dele, minha querida. Fabiano vai se casar com uma pessoa que não presta e você é a única que pode deter isso, se aceitar entrar nesse jogo. — diz Richelle, firme.
Lisiane permanece imóvel e em silêncio.


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