Ao ter conhecimento do valor da conta do cliente bravo, o empresário quita e acaba com a confusão na lanchonete. O cliente se retira e a atendente do caixa lhe agradece profundamente. Lisiane decide pegar o seu pedido e ir embora, quando ele a detém por um momento.
— Oi! Eu queria te perguntar se está tudo bem? Não achei legal o que aquele cliente fez no caixa e você tentou defender uma pessoa inocente. Isso foi um gesto bonito!
Lisiane vira-se e os olhos dela se encontram com o dele.
— Eu trabalhei como caixa e já tive experiências parecidas com a dela. Não me senti bem ao vê-la sendo ofendida, por algo que acho totalmente absurdo. O cliente consumiu. A obrigação dele é pagar. Se você não pagasse, ela estaria no prejuízo agora e possivelmente poderia ser demitida por justa causa. E tudo isso por causa de um cliente sem noção.
Fabiano mantém o olhar fixo nela e consente.
— Posso te pagar pelo menos um café?
— Tudo bem. — diz ela, aceitando a gentileza dele.
![]() |
| Cena criada por IA |
Os dois se dão as mãos e se apresentam, gentilmente. Até ali, ela não tinha conhecimento ainda de que ele era filho de Verena, o homem que Richelle queria que ela o conquistasse.
— Dois cafés por favor! — ele pede à balconista, que anota o pedido.— eu achei incrível o seu jeito de lidar com a situação.
Lisiane sorri, um pouco sem jeito.
— Acho que, quando a vida aperta, a gente aprende a se virar.
— Está passando por alguma dificuldade? Se quiser, pode falar. — diz ele, recebendo das mãos da balconista os dois cafés. — esse é seu!
Ela endurece a expressão antes de responder, assim que pega a xícara quente de café.
— Eu mal o conheço. Deixa esse assunto pra lá!
— Mas quero passar a te conhecer, se quiser. Não seja tão dura e me conte logo. Há alguma coisa em que posso te ajudar?
— Bom, eu estou passando por uns perrengues no momento mas acredito que as coisas vão se resolver em breve. Consegui uma oportunidade de trabalho numa das empresas mais bem conhecidas da cidade e acho que trabalhar lá vai ser o começo de uma nova fase.
Fabiano bebe um gole de café e comenta:
— Posso saber em qual empresa seria? Tenho contatos e isso pode te ajudar mais em sua nova carreira.
— Empire Essencials. O nome da empresa é essa! Eu cheguei a anotar aqui no meu telefone. Peraí, mas acho que é isso. — diz ela, revirando as mensagens do WhatsApp, quando percebe ele sorrir um pouco. — posso saber o motivo da graça? — diz ela, num tom mais sério agora.
— Eu trabalho lá e… — ia completar a frase, quando um amigo do trabalho o surpreende, chamando pelo seu nome.
Os dois se cumprimentam, apertando as mãos e começam a conversar sobre trabalho, quando Lisiane percebe que estava na hora de se retirar dali.
— Antes que eu me esqueça, essa é Lisiane. — apresenta Fabiano ao amigo Denilson, que se apresenta também.
— Prazer é todo meu. — diz ela, simpática.
— A gente vai precisar conversar sobre o planejamento dos negócios. — diz Denilson.
— Ah, claro! Vamos conversar sobre isso. Lisiane, foi bom te conhecer e espero que tudo dê certo.
— Sim. Obrigada de coração! A gente se vê. Tchau! — diz ela, se retirando da mesa. — e mais uma vez, obrigada pelo café!
Fabiano sorri com as palavras dela e assim que a jovem se afasta, Denilson percebe um clima diferente.
— Amigo, que brilho nos olhos é esse?
— Me respeita. Vou me casar em breve. — diz Fabiano, mudando de assunto.
— Sei. — o amigo desconfia.
Verena abre o seu cofre, discretamente escondido no seu closet e tira uma caixa dourada azul de veludo. Ao colocar em cima da penteadeira, ela destrava a caixa e abre devagar, admirando a bela joia de família, passada de geração a geração.
E exibindo aquele colar de diamantes com uma gota de esmeralda que reluzia, ela balbucia algumas palavras:
— Eu nunca vou deixar você cair em mãos erradas. Pela nossa família!
A lembrança da avó surgiu como um reflexo distante na memória de Verena.
“ — Esse é seu presente de casamento, minha querida neta. Quero que guarde com todo amor e carinho! — dizia sua bondosa avó, feliz por vê-la de vestido de noiva e diante do espelho.
— Minha mãe, isso é uma relíquia de família. Não tenho palavras pra descrever a emoção que estou sentindo em receber um presente tão especial e único na minha vida.
— Verena Salles, você merece tudo que há de bom nessa vida e essa jóia de família é sua, por gratidão.”
E as lembranças continuam surgindo.
“ Verena diante do altar, com o seu futuro esposo usando aquele colar de diamantes, e deixando os convidados surpresos como aquela joia era tão reluzente.”
Um sorriso se abriu em sua boca.
Verena segurou o colar firmemente e aproximando do seu peito, ela soltou um breve suspiro, como se aquela joia fosse seu amuleto da felicidade. No fundo, ela sabia que se passasse adiante, teria que ser para alguém que realmente a merecesse, assim como sua avó determinou. Mas pensar que Suany poderia merecer, aquilo já era uma incógnita.
— Peguei vocês! — declara o amigo de Verena, com um olhar sério ao fitar a foto de Suany com o amante no celular.
Em seguida, ele decide ligar pra Verena e contar o ocorrido.
Ela fica surpresa com o recado, pois suas desconfianças tinham sido confirmadas.
— E agora, o que pretende fazer em relação a sua futura nora?
— Nada. — diz Verena, firme em sua decisão.
O amigo fica confuso agora.
— Verena, você me pediu um auxílio e eu acatei seu pedido, com toda a amizade do mundo e agora, que tem a prova, não fará nada.
A socialite para um pouco e pensa por um momento, antes de falar algo na ligação e assim que reflete melhor sobre as circunstâncias, diz:
— Tudo tem o seu momento certo, Adonias. E o momento certo da Suany vai chegar no tempo certo.
Dionatan chega na casa de Richelle, que o abraça e o convida para tomar um uísque. O rapaz aceita gentilmente o convite e ela estranha a expressão alegre dele.
— Aconteceu alguma coisa na empresa pra você estar com esse sorrisinho no rosto?
Dionatan não consegue disfarçar.
— Anda! Me conta! Quais são as boas novas? — pergunta Richelle, curiosa.
— Parece que o seu plano vai falhar.
Ela toma de impulso surpresa.
— Como assim, falhar? O que está sabendo?
— Ouvi boatos na empresa hoje de que Fabiano esteve tomando café com uma mulher que aparentemente não era sua futura noiva.
Richelle fica surpresa com as palavras do amigo.
— Não acredito! Outra mulher na jogada. Não pode! Quem era ela?
— Não sabemos. Mas deixou ele com brilho nos olhos.
— Não pode ser verdade. Deve ser fake, isso! Ele só tem olhos pra Suany. — declara Richelle, desconfiando.
— Na verdade, acho que ele ficou encantado por ela. Assim diz o amigo dele, o tal do Denilson.
— Tira essa história a limpo agora! Vai! — incentiva Richelle, fazendo o amigo sair da casa dela rapidamente pra verificar o assunto.
— Richelle, tu está doida? Acabei de chegar! — reclama ele.
— Anda logo e me deixa a parte de tudo. Procure o Denilson e esclareça isso de uma vez por todas. Preciso saber mais a respeito dessa mulher. — diz Richelle, pressionando-o.


0 Comentários