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As histórias que são postadas aqui são de ficção, porém apenas pra degustação para que os leitores possam conhecer os personagens e a trama envolvida. Caso o autor tenha interesse em compartilhar um conteúdo na íntegra, o site lhe informará automaticamente, portanto não deixe de ativar nossas notificações pra ficar por dentro de cada novidade.
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Leandro Elesbão
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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Hoje acordei preguiçoso demais. Não peguei nem o celular pra ver as mensagens do Whatsapp ainda. A luz do sol batia na janela e seu reflexo iluminava todo o meu quarto. Envolto por lençóis, estava eu na cama e Garibaldi dormindo sob meus pés. Eu olhava pro teto da minha casa pensativo, sobre o meu envolvimento com o Sávio. “Por que me submeto a tal situação?”
Ao mesmo tempo que penso em parar, eu não consigo. Eu sempre me conecto a ele de uma forma tão especial. Livros, filmes, surfe, tarefas diárias... Faço de tudo pra tentar distrair, mas quando ouço seu nome ser chamado por alguém ou me deparo escrito em algum lugar, é a sua presença que invade a mente. Garibaldi acorda e olha pra mim. Ele não faz ideia, mas estou totalmente apaixonado.
Me levanto da cama e faço o café. Coloco ração para o cão e arrumo o lixo pra jogar na caçamba do lado de fora. Ao terminar o café, decido colocar uma música e analisando o calendário, percebo que os dias estão passando bem rápido. Logo, as férias acabam e eu volto à rotina de trabalho. Mexo um pouco no computador, preparo alguns relatórios, mando por email, vejo as mensagens do Whatsapp e respondo alguns contatos, olho pro relógio e de repente, lembro que um amigo vai vir em minha casa, pra me pagar um dinheiro que me deve. Eu pego no livro pra ler pelo menos um pouco enquanto faço um download de um arquivo multimídia. Mas a campainha me tira a atenção e vou atender em imediato. Era a minha vizinha. Ela alisa os pêlos de Garibaldi e diz pra mim:
-         O que anda aprontando de bom?
-         Nada. Eu estou aqui fazendo uns trabalhos no computador. E você vai fazer o que hoje?
-         Eu queria na praia. O dia está tão bonito.
-         Verdade. Mais tarde, vou pegar uma onda.
-         Legal!
-         Eu esqueci de falar contigo, mas o meu ex apareceu.
-         Sério? E ele sabe que você está solteiro?
-         Sabe. A gente conversou um pouco ontem.
-         Mas me conta: como foi este reencontro?
-         Foi bom. Um pouco surpreso da minha parte, mas eu confesso que sempre acreditei que um dia a gente se veria de novo.

Diversão

Nailton decide seguir Heitor e acaba descobrindo a casa onde a ex mulher dele mora com a filha. O rapaz fica dentro do carro observando Heitor sair com a filha pra passear e fica marcando um tempo no relógio.
Assim que Heitor se afasta, Nailton abre a porta do seu carro e vai em direção à porta da casa da ex mulher dele. Com toda coragem, ele aperta a campainha.
-         Já vai! Só pode ser o Heitor que esquece tudo, menos a cabeça. - Diz ela, brava.
Ao abrir a porta, ela dá de cara com o rapaz que vira abraçando seu ex marido no Correios.
-         Você por aqui? O que queres?
-         Eu só quero ter um particular com você.
-         Me desculpa, mas eu não posso te dar atenção.
-         Ah, mas você vai ter que me ouvir sim! - Diz ele, impedindo-a de fechar a porta.
-         Quem você pensa que é pra falar desse jeito comigo? - Diz ela, já ficando estressada.
-         Eu sou o cara que anda saindo com o teu ex marido e dando a ele algo muito melhor que você nunca deu. - Diz Nailton, sério deixando-a com uma expressão de raiva.

Rafael organiza a cozinha quando a campainha toca. Ele gentilmente atende e fica surpreso ao receber a visita. Era um primo de Tiago que estava com malas nas mãos e se apresentou como Rui. Ao cumprimentá-lo, Rafael percebeu que ele não desviava seus olhos dos dele. O rapaz fica chocado com aquela visita, mas ao tempo, surpreso também com a atitude do marido de não ter falado nada a respeito que um parente ficaria com eles por um tempo.
-         Será que eu podia entrar? - Pergunta Rui.
-         Ah sim, claro! Desculpa, mas é que eu realmente não esperava receber visitas e ainda mais, com malas e cuias.
-         O meu primo não lhe contou que eu viria?
Rafael disfarça um sorriso e diz:
-         Pior que não, mas deve ter se esquecido talvez.
-         Poxa! Eu nem sei o que dizer. Estou me sentindo envergonhado.,
-         Calma! Não é pra tanto. Parente do meu marido, também é um parente meu. Fique a vontade, viu!

A ex mulher de Heitor fica indignada com as palavras de Nailton e pede pra ele ir embora, mas o rapaz, corajoso, decide falar mais verdades á ela:
-         Deixa o Heitor em paz! A única obrigação que ele tem é somente com a filha.
-         Olha aqui, eu não sei o teu nome, eu não sei o que anda rolando entre vocês dois. Eu só sei que eu quero ser respeitada e quero privar a minha filha de qualquer coisa absurda que anda acontecendo com o pai dela e outra pessoa.
-         Eu só passei aqui em sua casa pra te dar esse recado mesmo. Eu gosto demais do Heitor e não quero que ele fique se matando todos os dias no trabalho, pra sustentar uma mulher que nem na vida dele não faz mais parte.
-         Você está com dor de cotovelo, meu bem! Enquanto eu estiver viva, eu vou sempre me apossar dos interesses que fazem parte da minha família.
-         Você chegou num ponto que eu queria; família! Heitor não tem direito de te dar um centavo mais. Ele só tem que se responsabilizar pela filha.
-         Você não vai atravessar o meu caminho!
-         Eu tenho pena de você. Muita pena! Fique certa de uma coisa: eu estou de olho! - E ele se afasta, deixando-a irada.
Ao ver ele abrindo a porta do quarto, ela não hesita e provoca:
-         Vai dar o rabo pra ele! - E faz um sinal de malcriação.
-         Com muito prazer! - Diz Nailton, ouvindo do carro e ligando a chave.

Rafael decide ligar para Tiago e Rui percebe. Ele fica observando o jeito do rapaz, que fica tentando várias vezes no telefone.
-         Só dá caixa postal! - Diz Rafael.
-         Deixa! Eu vou embora.
-         Não! Fique! - Diz Rafael, sério.
-         Eu não quero incomodar ninguém.
-         Não está incomodando, anjo. - Ele fala sem querer.
-         Anjo? - Ele pergunta.
Rafael sorri um pouco e pede desculpas, alegando que era só uma maneira de falar.
Se foi uma maneira diferente e boa de falar, Rui gostou e parecia estar achando interessante conhecer o marido do seu primo.

Antes que eu pudesse entrar na água pra surfar, uma mão pousou em meu ombro. O dia estava perfeito e o sol radiante. Era uma tarde espetacular. Mesmo com o calor e o reflexo do sol batendo sobre meu corpo e a prancha entre meu braço esquerdo, eu me virei e olhei para a pessoa que tinha me tocado: Jonas.
Os nossos olhares se cruzaram repentinamente e as nossas bocas pareciam querer a mesma coisa. Ele me beijara diante daquele marzão lindo, em que as ondas batiam sobre nossos pés com tanta rapidez e espuma. Foi um beijo que durou alguns segundos, mas que penetrou tão fundo por dentro e me fez reviver algo que estava se tornando esquecimento. Eu sorri assim que ele me beijou e a gente se abraçou fortemente. Seria o recomeço? Caramba! Começaram as dúvidas.
Jonas estava ali comigo e eu estava surpreso com a guinada que o destino deu. Mas existe uma pessoa que eu achei que não se importava comigo, e que quando viu nós dois ali voltou pro seu carro e deu partida. Sávio estava justo na praia e viu o nosso beijo. Viu o abraço forte. Eu ainda me afastei um pouco do Jonas pra tentar ver direito se era ele mesmo no carro e tive a certeza. Conhecia o seu carro. A sua fisionomia de longe. Jonas pegou pelo meu braço e perguntou:
-         Aconteceu alguma coisa?
Meus olhos viraram-se aos dele e em poucas palavras, consegui falar:
-          Não! Não foi nada.


Atenção: Para dar continuidade a leitura de "Expectativas", a obra está disponibilizada nos seguintes links:


quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Cada encontro que eu tinha com Sávio, embora não valesse a pena para algumas pessoas por envolver grana como forma de pagamento para um ato sexual, fazia aumentar um pouco aquele 1% de chance de ele querer algo mais além da cama. Sonhador, né? Talvez eu esteja sendo confiante demais nisso, mas o que custa acreditar que um dia ele se apaixonaria por mim e me desse todo aquele carinho do mundo. “Pára, Higor!”
Esse pensamento é tão absurdo. Eu não posso ficar criando expectativas com um homem que ganha dinheiro fácil, como o Sávio. Pode ser o mais carinhoso, o mais safado, o cara metido à gostosão, mas ele só está se importando com o dinheiro que vai cair na palma da mão, quando terminar de fazer o serviço e colocar as roupas de volta no corpo.
Eu olhava para ele, deitado do meu lado, dormindo que nem um anjo e em minha cabeça, os pensamentos dizendo pra eu parar de me iludir. Em poucas horas, ele vai acordar e sair por aquela porta e eu, vou ficar novamente sozinho. Sozinho até um outro dia quando ele chegar e dormir de novo em minha cama. Às vezes, penso que estou me sentindo usado, mas tem dias que eu sinto saudade de estar junto dele.

Nailton toma cerveja para tentar tirar Heitor da sua cabeça. Ainda no clube em plena madrugada, o rapaz não consegue esquecer as palavras do seu ficante. Por mais sinceras que fossem aqueles dizeres, ele acreditava em algo no futuro próximo: uma possibilidade de ser feliz ao lado de Heitor, mesmo que tivesse que enfrentar alguns obstáculos pelo caminho, como a filha do próprio que por mais criança que seja, um dia tinha que entender a escolha do pai e a ex mulher, que talvez nem faça ideia que o ex marido tenha atração pelo sexo masculino.

Espairecer a Mente

Heitor nunca se assumiria de verdade. Nunca admitiria que ele gosta de ficar com homens. Pai zeloso, amoroso, homem de família, respeitável diante dos amigos, discreto... Nailton sabia que as chances de ficar com Heitor eram mínimas. Quando Heitor o convidava para a sua casa, não existia conversa. Poucas vezes, os dois ainda batiam um papo e tal, mas na maioria,...
Depois, ele voltava para casa, louco ainda com o gosto no paladar e feliz...

Desde a discussão que tivera, Tiago e Rafael não estão se falando muito. Os dois deitam na mesma cama e mal conseguem trocar palavras um com o outro. Rafael já se sente arrependido por ter ido morar com Tiago, sem conhecê-lo suficientemente melhor pra ter tomado tal atitude. Pode ter sido precipitação demais, mas o fato é que Rafael é muito rápido. Ele toma atitudes sem pensar. Acreditando que talvez seria feliz com Tiago, ele bateu o pé e falou pra sua mãe que queria muito morar com o namorado em outra cidade. Tiago é ciumento, agressivo às vezes, mas quando ele gosta, realmente se entrega. Se dedica. Rafael foi morar com ele porque realmente sentiu vontade de somar com o namorado, de cuidá-lo. Existia um sentimento naquele namoro de uma forma tão intensa que hoje, está deixando de ser. Rafael estava conhecendo a atitude de Tiago e a forma como ele o trata, depois do primeiro desentendimento, que apesar de ter sido um pouco boba, foi explicada.
Tiago não era o príncipe encantado dos sonhos de Rafael. Tudo não passa de um conto de fadas.

Era quase meio dia.
Pensando com meus botões, estou diante de um capítulo de um livro que um amigo meu tinha recomendado. Enquanto folheava a página, Garibaldi me olhava deitado. Ele sabia no fundo que eu não me sentia completamente feliz. A solidão me vencia a cada tempo. Garibaldi por mais que seja presente, era apenas um cão. Ele não conversava comigo. Ele só ficava próximo de mim. Me entendia talvez. Mas como não podia falar, apenas fazia gesto para que eu pudesse perceber que eu não estava totalmente só. Amigo, protetor, confiável, Garibaldi tinha qualidades e defeitos. Toda vez que chegava alguém em minha casa, ele ficava de guarda para qualquer coisa que eu precisaria pedir em minha defesa. Tinha medo dos fógos de artifícios, do vento forte que batia incessante na persiana, dos raios que cortavam o céu escuro. Só não tinha medo de gente.
Ele era audaz o suficiente para tomar conta do próprio espaço.

Heitor estava na fila dos Correios, esperando sua vez de ser atendido quando Nailton o encontra. Os dois se cumprimentam e de repente, Nailton o abraça, esquecendo-se por um momento de que ele é super discreto.
-         Nailton, o que pensa que está fazendo?
-         Desculpa! Eu acho que não consegui me controlar.
Mas foi tarde! A ex mulher de Heitor viu a cena e ficou séria demais. Ela decide se aproximar dos dois e diz para Heitor, em claras palavras:
-         Eu não sabia que você tinha amizade com gente desse tipo.
-         Desse tipo como, minha senhora? - Pergunta Nailton, mudando de expressão.
-         Deixa pra lá. - Diz ela, dando de ombros.
Nailton se despede de Heitor e sai, deixando-o com a mulher que fica observando a sua retirada.
-         Depois quero conversar contigo sobre esta nova amizade.
-         Não temos assunto nenhum pra conversar. - Ele rebate.
-         Eu sou mãe da sua filha. Eu não vou permitir que ela fique próximo de pessoas desse nível.
-         Eu e o Nailton somos amigos e nos respeitamos muito. - Diz ele, sob os olhares das pessoas e inclusive, dela.


terça-feira, 15 de outubro de 2019


Quando o táxi de Grace estacionou próxima a calçada na entrada do shopping, ela saiu do carro e colocou os óculos escuros aos olhos e jogando para o lado as mechas de cabelos que teimava roçar seu rosto ao sabor do vento do mar que soprava naquela tarde de sol ainda forte e que de certa forma ofuscava a sua vista.
De certa forma estava ansiosa, curiosa e um tanto aliviada também por estar naquele lugar que ela mal conhecia, mas que ouvira muito falar. Nunca havia estado antes em Angra dos Reis. Aliviada por ter a coragem de se depreender de casa onde nos últimos dias estava agoniada por causa das discussões constantes dos pais e por não aguentar mais ver de perto aquela situação. Ela imaginava estar ali à duas horas de viagem da Capital atrás de sua possível felicidade, “daquele” que poderia lhe proporcionar a vida que ela sempre sonhou ou pelo menos desejava nos últimos meses em que conversava com “ele” pelo Face.
Começou a andar pela calçada do shopping e entrou no saguão ansiosa. Havia combinado com a “pessoa” de se encontrarem ali naquele lugar e ele a buscaria. O lugar estava vazio e não havia muito movimento. Ela se sentou num banco próximo à uma das lojas do andar térreo e abriu o Whatsapp no telefone.
Seus gestos eram observados no parapeito lá de cima, e “ele” também abriu o telefone e já estava on-line desde muito tempo à espera do contato dela.
Grace sorriu discretamente e seus olhos pareciam brilhar quando “o” viu também on-line. E começou a escrever:
- Oi. Não te disse que vinha?
Ficou esperando a resposta dele.
Observou que “ele estava digitando...”. A resposta já estava a caminho.
- Eu pensei que você não tivesse tanta coragem!
- Quero te ver. – Escreveu Grace freneticamente ao teclado do telefone. - Onde você está?


Encontro Virtual

Ele saiu do parapeito do andar de cima onde a observava e em vez de descer as escadas para a direção onde ela estava, saiu apressadamente em direção ao pequeno cais ali em frente ao Shopping no externo e se encaminhou para o píer.
Grace sentiu que ele estava demorando a responder e resolveu ligar pela chamada de voz.
Ele sentiu o telefone vibrar e tocar no bolso, mas não atendeu imediatamente, pois tinha algo a fazer. Na verdade, “ele” queria surpreende-la.
Grace ficou um tanto trêmula de ansiedade e se levantou olhando para os lados ansiosa. Não sabia se caminhava ou ficava parada ali. O telefone não atendia e isso a deixava inquieta.
Sentou-se de novo e abriu o Whatsapp novamente.
Ela viu que “ele” ainda estava on-line. Mas porque razão “ele” não atendia o telefone? - Se perguntava ela.


Doroth chegou mais que depressa no apartamento de Gisele depois do expediente no escritório e não só estava curiosa para saber o que aconteceu e intrigada do que poderia ter acontecido entre ela e Daniel. Será que Daniel deixou mancada e houve algum desentendimento com Gisele? Ele saíra lá do escritório naquela tarde tão decidido a tomar uma atitude a mais para conquistar Gisele. O que será que aconteceu? – Se perguntava Doroth.
Gisele veio recebê-la na porta ansiosa e sua expressão era de aflição.
- Ô amiga. To aqui. Fala. Você estava tão nervosa ao telefone.
- Obrigada Doroth por ter vindo aqui. Eu to precisando desabafar. Muito...
As duas se sentaram e ficaram de frente uma para a outra.
- Doroth... – Começou Gisele, mas se referindo a Zeca. - Aconteceu amiga! Ele veio aqui e...
- Veio??? – Interveio Doroth surpreendida, mas se referindo a Daniel, mas não quis falar ainda que dera o endereço a ele.
- Eh, ele veio aqui entrou por essa porta e aconteceu o que não esperava.
- Como não esperava, amiga? Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer mais seriamente. Gisele você está sendo muito dura.
- Ele me disse algumas palavras, me agarrou, me beijou e... - Um sorrisinho despontou do rosto de Gisele ao falar aquilo.
- E então? - Falou Doroth – Vai continuar reticente, de coração fechado, não dando chance a você mesma de ser feliz?
- Eu não o quero mais, Doroth! O meu coração parece se abrir, e eu começo a viver uma inquietude por causa de outra pessoa que você sabe quem é. Pela primeira vez estou confessando isso a você abertamente.
- ... Ah, é?! – Doroth ficou mais surpreendida não entendendo muito bem ainda e se levantou.
- Amiga me ajuda! Estou tão confusa! Ainda mais do que aconteceu hoje à tarde aqui. Eu só o quero como amigo! Eu estou definitivamente apaixonado por outra pessoa.
Doroth estava mais intrigada ainda com aquela conversa de Gisele e não estava entendendo mais nada. E falou:
- Olha amiga, eu tenho que te falar uma coisa. _ Se sentou novamente ao lado dela ao sofá.
- Ele conversou longamente comigo lá na repartição hoje á tarde e eu vi a sinceridade do coração dele. Sei que ele te ama de verdade e resolvi ajudá-lo. Eu o incentivei a vir aqui e abrir o coração prá você.
Gisele se levantou olhando para a amiga intrigada.
- Você ta louca, Doroth? Como é que você pode fazer uma coisa dessas?! Eu não quero esse cara na minha vida. Nunca mais.
- Mas Gisele, não faça isso. Ele é a chance de você ser feliz, é capaz de tudo por você! Eu sei, eu vejo nos olhos dele e nas atitudes dele que... Que ele quer você. Ele te ama de verdade, entende?
Gisele estava confusa e não estava entendendo a amiga e suas palavras. E logo ela que sabia tudo o que ela passou.
- Não, Doroth, você só pode estar brincando comigo!
- É verdade! Ele saiu lá do escritório tão resoluto, tão decidido! Eu sabia que ele vinha aqui falar contigo e pensei também que você ia acabar de uma vez por todas com essa intransigência com o rapaz.
- Doroth, pelo amor de Deus Pare com isso! Eu gosto do Daniel!!!


Amigas

- E é dele mesmo que eu to falando!
- Como assim? Aqui??? Ele vinha aqui??
- Sim, o Daniel! Ele tava vindo prá cá falar contigo. Não foi ele que te deixou assim nervosa e inquieta como você está agora?
Gisele levou a mão ao rosto pasmada e mal podia acreditar nessas últimas palavras de sua amiga.
- O... O Daniel?!
- Que foi Gisele? Afinal de contas você ta falando de quem? O Daniel não esteve aqui?
- Eu to falando do Zeca, Doroth. Foi ele que esteve aqui me pedindo prá voltar e quase me beijando a força.
"Daniel não veio. Não cumpriu o que prometeu!" – Pensou Doroth olhando para Gisele também pasmada.
- Eu quero o Daniel, Doroth. Eu admito isso. E tudo o que eu queria nessa tarde é que ele tivesse do meu lado e entrasse naquela porta e me dissesse tudo o que tinha para me dizer. Dessa vez eu acho que não iria resistir!
Doroth, ouvindo aquilo não podia agora imaginar o que poderia ter acontecido. Porque será que Daniel não veio? - Ela tentava entender.

(...)


Daniel sai do chuveiro e se arruma pra ir ao trabalho quando batem à porta.
- Só pode ser o Wallace pra chegar a esta hora. -Ele comenta, envolvendo a toalha pelo corpo e abrindo a porta.
- Oi! -Diz uma jovem morena de olhos claros e corpo esbelto.
Daniel se surpreende ao ver que sua ex estava ali na sua porta.
- Maria?
- Se maomé não vai a montanha, a montanha vai até maomé.


Atenção: Para dar continuidade a leitura de "Corações Desimpedidos", a obra está disponibilizada nos seguintes links:




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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Daniel chega em casa e encontra seu irmão á espera dele.
- E aí cara, vim te esperar aqui, mas não esperava que você chegasse tão cedo. Vim falar prá você a novidade: aquilo que você me pediu para ajudar achar a tal garota: a Grace...
- Pode esquecer, cara, pode esquecer! - Disse Daniel antes que seu irmão acabasse de falar. -  Te agradeço por tudo, mas não precisa mais não.
Daniel se jogou no sofá exausto e abatido e Wallace estranhou seu jeito.
- Que foi, fera, que aconteceu? Você parecia tão entusiasmado e empenhado em ajudar a tal Gisele nesse caso. E eu sei muito bem porque, sabe disso.
- Pois então pensou demais!
- Perai cara, eu venho aqui na melhor das intenções tentando te dar uma moral no que você me pediu e você me dá várias patadas dessa.
Daniel estava estressado e olhou para o irmão ansioso. Seu olhar estava transtornado.
- Desculpa ai, mano. Não é nada com você não. Não é nada disso. Eu é que sou um babaca mesmo.
- Perai, cara, o que aconteceu? Desanimou de ajudar a garota?
- Não vale a pena não cara. Não vale a pena mais nada. Vamos sair prá tomar alguma coisa e no caminho te conto.
- Calma aí cara, você ta muito nervoso e cair na bebida assim sem mais nem menos não vai adiantar nada. Não quer me contar o que ta acontecendo?
- Porra, cara eu fui lá. Lá no apartamento dela. A Doroth me ajudou e me deu o endereço para ir lá conversar com ela e hoje tinha certeza que ia colocar ela na parede e tomar uma decisão em relação a nós dois. Esperava que ela ia parar de me tratar mal às vezes que eu me declaro prá ela.
- Poxa, cara imagino que ela não quis te receber ou que deu tudo errado!
- Mais do que errado, cara. Quando ia chegando a porta tava meio aberta, pois alguém parecia ter acabado de chegar. E você não imagina o que eu vi.
- Viu o que, cara?
- Ela tava beijando outro maluco, brother. Foi isso que eu vi.


Papo Sério

Wallace olhava para o irmão sem entender e tão intrigado quanto o irmão.
- Agora sei,... - Continuava Daniel - Agora eu sei porque ela me recusa e me dá sempre fora. Eu devia ter vergonha na cara! Ela ta com aquele cara que eu vi ela beijando.
- Mas e aí?
- Ai que eu meti o pé antes mesmo de entrar e falar com ela. Eu só vi porque empurrei a porta que tava entreaberta e vi os dois se beijando. Ninguém me contou não, cara, eu mesmo vi.
Wallace via o quanto seu irmão tava arrasado e não o vira assim desde que ele teve a crise amorosa com Maria.

Alda e Emiliano continuavam a conversarem e o clima estava acirrado entre os dois.
- Que é isso, Alda, você ta me mandando embora.
- Eu quero que você tome uma decisão entre nós dois, Emiliano e entenda de uma vez que não dá prá nós vivermos esses tormentos a ponto até de atingir nossa filha e passarmos por essa agonia como agora.
- Você que me persegue, Alda, sempre arrumando motivos para nossas brigas. Você é a culpada de tudo. Eu já não aguento mais isso. E agora quer me culpar também por tudo.
- Eu quero minha filha de volta!  E depois que isso se resolver, você decide se vai continuar vivendo ao meu lado me dando uma vida direito e digna.
- Mas não te falta nada, Alda, e nunca faltou nem prá você e nem prá nossa filha.
- Você sabe muito bem do que estou falando, Emiliano, você sabe. Nada é mais precioso do que a atenção, o carinho, a companhia, tudo isso que você esqueceu há tempos. Há muito tempo que você vive indiferente comigo e eu to me sentindo um nada ao seu lado por causa desse teu tratamento comigo.
Emiliano vira-se para o lado e Alda para o outro querendo chorar. Emiliano bem sabia do que ela estava falando e ele realmente se sentia desgastado ao seu lado e não sabia o que dizer.
O silêncio foi quebrado com o toque do telefone. Sem ter noção da urgência ou não do telefonema Emiliano vai atender, mas fala:
- Deve ser Gisele com novidades.
Alda se vira e fica olhando.
- Alô!
- Pai! - Do outro lado da linha.
- Grace??? Onde você está?
Alda corre quase que desesperada para o lado do marido ao telefone:
- A Minha filha!!! 
Do outro lado da linha falando ao celular, Grace mal podia se dar conta do visual que se descortinava diante dos seus olhos quando ela desceu daquele ônibus naquela rodoviária daquela cidade balneária à três horas do Rio de Janeiro.
- Eu to bem pai. To bem. Fala prá mamãe ai prá ficar tranqüila ai que logo que puder to voltando.
Grace sabia que seu pai iria insistir no telefone, mas que isso acontecesse, ela desligou o celular e colocou em sua bolsa de novo. Nas suas costas estava com sua mochila e parecia ter chegado naquela cidade para ficar.
Logo, antes de pegar um táxi ela contemplou o mar que estava a sua frente e que fazia parte da paisagem daquele ponto da rodoviária e reconheceu de longe o que ela muitas vezes ela tinha visto de passagem em sites de turismo. Pelos contornos das montanhas daquela ilha lá ao longe ela reconheceu: Era a Ilha Grande e que logo ao pegar uma traineira em algum ponto próximo ali onde ela estava já estaria lá.
Mas antes disso, precisava se encontrar com uma pessoa que ela premeditadamente tinha marcado no Facebook e que desejava conhecê-lo muito pessoalmente. E não seria ali o local do encontro. Logo que conseguiu um táxi ali mesmo perto da plataforma onde o ônibus a deixou ela se dirige ao motorista:
- To querendo ir à um Shopping perto de um lugar chamado... esqueci agora, moço.
- Sei. Perto das Marinas! - falou o Motorista - Entre moça!
- Antes de ir pra este shopping, eu posso conhecer um pouco a cidade? Amo Angra!
- Tudo bem então.
Quando Grace entrou no veículo e se sentou na parte de trás, ela se sentiu incomodada diante de uma paisagem tão deslumbrante e aquele vidro fumê do veículo atrapalhando.


Turista

- Posso descer o vidro aqui moço?
- Sim! – Responde o taxista, sorrindo.
Num aperto de botão, o vidro desceu e o sol daquela tarde ainda iluminava com maestria a paisagem deslumbrante daquele local e o ar de montanha ainda predominava de quando ela via durante a viagem pela estrada sinuosa de Santos até aquela cidade.
Logo que saiu da rodoviária ela pôde ver o carro se emaranhar no trânsito e diante de uma orla maravilhosa, movimentada e que oferecia o cenário de várias ilhas ali mesmo. Além do cenário da Ilha Grande de longe ela podia ver ainda outras pequenas ilhas que fazia parte das trezentas e sessenta ilhas que se dizia ter naquela região.
- Que parte é essa da cidade, moço?
- Essa aqui é a Praia do Anil. Praticamente estamos no centro da cidade. Mas a moça não é daqui de Angra dos Reis?
- Não. Sou do Rio.
- Vem à casa de parentes por aqui?
Grace deu um sorriso e falou.
- Não moço. Na verdade, vim atrás de uma paquera que eu conheci pela internet e vou me encontrar com ele nesse shopping aí das Marinas. Vai demorar chegar, moço? - Pergunta ela feliz e radiante por estar em Angra dos Reis.


sexta-feira, 11 de outubro de 2019


Zeca parecia não querer se afastar de Gisele e ele viu ali a oportunidade que ele tanto queria que era de se aproximar e recuperar todos os momentos bons que eles viveram numa época não muito distante.
Daniel olhando para aquela cena parecia que o mundo desabara sobre sua cabeça. Aí estava a razão então porque ela o evitava. Era porque ela estava com aquele cara – pensava ele – e ela não queria lhe dar satisfações sobre aquilo tudo. Entendeu que não tinha nada a fazer ali e nem como amigo simplesmente ele não tinha condições de intervir na crise que Gisele estava passando, pois ele reconhecia aí o seu interesse de conquistá-la e de agradá-la e que queria entrar naquela história de querer saber do paradeiro de sua amiga Grace por ela. Afastou-se da porta e suas pernas tremulavam juntamente com suas mãos que tremiam segurando o corrimão das escadarias ao descer.
Gisele num impulso viu que bastava e que aquilo não tinha nada a haver.
- Por favor, Zeca é melhor você ir embora!
- Me perdoe, Gisele, mas eu fiz o que estava em meu coração. Eu ainda adoro você e quero que você me perdoe não por este momento por tudo o que eu te causei de ruim no passado.
- Eu não quero falar sobre isso agora. Não é momento de rever o passado algum eu estou preocupado com Grace e tenho de qualquer maneira avisar os pais dela o que você me passou ainda pouco.
Cabisbaixa e trêmula ela se sentou no sofá tentando digitar no telefone para casa de Alda, mas Zeca a deteve segurando suas mãos de completar a ligação.  Ele a segurou pelo ombro fazendo que ela o olhasse nos olhos novamente, sentados os dois ali.


Juntos

- Será que eu posso esperar uma nova chance?
Gisele estava abalada com aquilo tudo e muito confusa e não esperava aquilo tudo diante dos devaneios que ela estava tendo antes por Daniel.
Se desvencilhou de Zeca mais uma vez e:
- Zeca obrigado por tudo, continue me mantendo informada de qualquer novidade, mas eu preciso que você vá embora agora. Obrigada pela companhia e pelo teu empenho. Eu preciso ficar sozinha agora.
Zeca saiu sem dizer mais uma palavra, olhando para Gisele mas percebeu que ela ficara impactada e que aquela reação dela poderia ser um sinal de esperança para ele.
Quando ele saiu, Gisele foi depressa trancar a porta e ficou encostada sobre ela olhando para o vazio com o rosto pálido e não sabia o que pensar mais.
Tudo o que ela precisava naquele momento era... Ver Daniel, estar perto dele, poder desafiá-lo novamente diante da ousadia dele. Talvez desta vez – Pensava ela, consigo mesma – Ela já não seria tão dura e cedesse um pouco mais.
Daí a pouco Gisele pega o telefone e fala com Doroth.
- Como estão às coisas por ai?
- Tudo sob controle amiga. – Disse Doroth um tanto curiosa pois não sabia qual atitude Daniel iria tomar depois da conversa dos dois naquela tarde. – E você? Está bem?
- Sim, sim, eu... To bem. Um tanto cansada.
- Amiga, eu to estranhando a sua voz e te conheço muito bem. Tem certeza do que ta me dizendo? Você está bem mesmo?
- Olha, Doroth... - Gisele já sabia que não conseguia esconder nada da amiga - Quando terminar o expediente aí preciso que venha até aqui.


Telefonema

Doroth estranhou a aflição da amiga e pensou logo que Daniel dera alguma bandeira e que poderia comprometer a amizade das duas. E ficou um pouco pensativa.
- Você ta me ouvindo, Doroth?
- Sim, eu vou já pra aí quando terminar tudo aqui.
- E o Daniel? Está ai?
- O Daniel?! - Doroth não estava entendendo nada.
- Sim, o Daniel. Como está ele aí no serviço?
- Eh, ele deu uma saída, pois não estava se sentindo bem, mas está tudo sob controle.
- Mas aconteceu alguma coisa?
- Não amiga, ta tudo bem. Olha deixa eu chegar aí prá nós conversarmos melhor, pode ser ?
- Te aguardo então. – Desliga Gisele.
Quando Doroth desligou ela ficou ainda parada com o telefone na mão e não conseguia entender o que poderia ter acontecido. Ela lembrava que Daniel saíra dalí resoluto a tomar atitudes a mais em relação a Gisele e não podia entender o que poderia acontecer e que o que poderia dar errado. Estava mais curiosa ainda por saber o que poderia ter acontecido diante do nervosismo de Gisele e aquele telefonema intrigante. Começou a apressar as coisas para sair logo para ir prá casa da amiga.
Sua distração foi interrompida com a entrada do Sr. Otávio que entrara com sua valise na mão como que de saída.
- Olá, Doroth! Eu to de saída, vou me encontrar com um cliente novo e não volto. Peço que cuide de tudo aí e feche o escritório.
- Sim, Sr. Otávio!
Ele se vira para ela um pouco antes de tomar a porta e pergunta:
- E Gisele, como está? Já conseguiu resolver lá o caso da amiga desaparecida.
- Ainda não Senhor Otávio, mas ta todo mundo mobilizado. Mas amanhã ela estará de volta.
- Não seja por isso, o importante é ela resolver esse caso e ficar bem. E o Daniel? Onde está?
- Ele deu uma saída mais cedo, Sr. Otávio. Mas algum problema?
- Não, não de maneira alguma... só uma observação: Daniel e Gisele... Ta acontecendo alguma coisa entre esses dois?
Doroth ficou um tanto assustada com a pergunta do Sr. Otávio.
- Não!... Não de maneira alguma, Sr. Otávio, quer dizer... pelo menos que eu saiba.
Sr. Otávio deu um sorriso cúmplice se dirigindo para a porta:
- Esses dois não sei não! Sinto que ta rolando, como vocês falam, alguma coisa no ar.
E saiu.
Doroth viu aí então que o clima entre Daniel e Gisele estava já indisfarçável.


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