14º Capítulo de Fascínio


Guilhermina aproveita que Lisiane se afastou e se aproxima de seu irmão Fabiano, que estava um pouco disperso em relação a funcionária.
 

— Ela é muito bonita, né? — comenta a irmã, tentando ver qual a reação dele e a resposta vem imediatamente, certeiro. 

— E como. — diz ele, sem pensar e sem olhar pra trás. 

Guilhermina sorri e Fabiano percebendo, se vira pra ela e o encontra surpreso. 

— Guilhermina? 

— Relaxa, irmão. Não vou comentar com ninguém, nem com Suany. 

— Muito obrigado. Eu não sei o que deu em mim agora. — diz ele, passando a mão pela cabeça, preocupado pelo equívoco que cometera. 

— Você realmente quer se casar com a Suany? 

A pergunta de Guilhermina soa um tanto impactante pra ele. 

— Claro, minha irmã. Mas que pergunta é essa? 

— A impressão que eu tenho, Fabiano, com toda a clareza é que você está tentando mentir pra si mesmo. 

Guilhermina convida o irmão para se sentar um pouco no banco ali próximo do jardim. 

— Eu realmente confesso que a Lisiane me atrai um pouco. 

Guilhermina recrimina o irmão, fazendo um gesto negativo. 

— Um pouco, não, meu irmão! Bastante! Eu percebo o jeito como vocês se olham. Só é cego quem não enxerga isso. 

— Estou dando muito na pinta, assim? — se preocupa ele. 

Ela consente e ele se levanta do banco um pouco tenso. 

— Fica calmo. Senta! 

Ele se senta novamente. 

Papo-de-Irmaos

— Você ainda não foi convincente com a sua resposta. Seja sincero, meu irmão! 

— Eu acho que não vou conseguir mentir pra você dessa vez. 

Guilhermina pega na mão do Fabiano e diz, carinhosamente: 

— Seja o que estiver acontecendo em seu coração, não tome atitude precipitada em relação ao casamento. Você tem que se casar por amor verdadeiro e não, por receio de magoar ninguém. 

Fabiano se sente aliviado com aquelas palavras e pega a mão de Guilhermina e beija, com respeito. 

— Eu sou grato por ter uma irmã como você! Muito obrigado de verdade! 

— Fabiano, eu só quero te ver feliz e ponto final. 

Ele consente. 

 

Noêmia se encontra com Tony e estranha a demora dele. Os dois conversam um pouco e se abraçam. Ele inventa uma desculpa e ela acaba caindo na mentira dele. Mas um assunto entra em pauta, no diálogo dos dois. 

— Eu acho que teve gente que não curtiu ver nós dois juntos. 

— Quem, Fernando? — ela se indaga. 

— Sua filha. Ela me encontrou e passou uma indireta. 

Noêmia fica séria com aquilo que ouvira. 

— Mas ela não pode fazer isso com você. Fui eu que te convidei pra esse jantar! 

— Eu senti por um momento, que não sou digno de estar com você. — declara o rapaz, se fazendo de bom moço. 

Suany os encontra juntos e solta seu veneno: 

— Eu não quero ver esse homem com você! 

— Como é que é, minha filha? E desde quando você manda em mim? — Noêmia muda o semblante, repentinamente. 

— Estou de saída, Noêmia! — diz Tony, se retirando e deixando às duas sozinhas. 

— Ele não serve pra você, minha mãe! Ele está atrás do seu dinheiro. 

— É deprimente o que você faz com as pessoas, Suany! 

— Mas mãe… 

— Só porque eu estou bem, feliz e me sentindo uma mulher realizada, por ter achado uma pessoa muito melhor que seu pai e você levanta acusações desse tipo. Não tem vergonha? 

— A senhora está sendo ingênua, minha mãe! 

— Chega! Você passou dos limites. O Fernando pode ser mais jovem um pouco do que eu, mas eu sei que ele é uma pessoa íntegra, boa…  

— Para, mãe! Ele não se chama Fernando. Ele mentiu o nome dele pra se aproximar de você. — reclama Suany, tentando lhe abrir os olhos contra o ex amante. 

— Hoje você está incontrolável! Meça as suas palavras antes de falar algo do Fernando, ouviu? Você não sabe o que está dizendo. 

Verena chega e tenta conter a discussão entre mãe e filha. 

— Pelo amor de santo Deus, o que está havendo entre vocês duas? 

Suany e Noêmia ficam sérias diante da dona da casa. 

— Me perdoa, Verena mas eu já estou de saída. — diz Noêmia, percebendo que aquela discussão não podia continuar mais ali. 

— Desculpa, minha sogra. Eu acho que me excedi um pouco. 

— Tem algum problema que vocês queiram dividir comigo? Eu posso ouvi-las e sei lá, tentar ajudar de alguma forma. — diz Verena, se dispondo a conversar com as duas seriamente. 

— Não é necessário, minha sogra. — diz Suany, recusando. 

— Certeza? — questiona Verena, ao olhar firme para Noêmia dessa vez. 

Noêmia também consente e agradece pelo carinho da bondosa senhora. 

— Agradeço pelo jantar. Foi muito importante. E muito obrigado por tudo!  

Verena dá um breve sorriso e às duas se retiram em seguida. Ao dar um leve aceno, o olhar dela lança uma desconfiança. Por mais que às duas tentassem disfarçar o indisfarçável, era evidente que o atrito não foi por acaso. 

Aproveitando que Verena já estava desacompanhada, Mafalda que passava por perto, pede licença ao esposo e vai ao encontro da amiga. 

As duas se cumprimentam, abraçando-se e em seguida, Mafalda faz um agradecimento pelo jantar e sem rodeios, ela declara que não está a favor do enlace entre Suany e Fabiano. 

— Peço desculpas por interferir nesse assunto. Sei que não é da minha conta opinar, mas eu estou sabendo de tudo. 

Verena observa por todos os lados e pega pelo braço de Mafalda e entra por uma pequena sala. 

— Mafalda, pelo amor de Deus, não toque nesse assunto aqui! Estamos entendidas? 

Ela concorda e Verena continua: 

— Meu filho não pode saber disso. Seria um impacto muito grande pra nossa família. 

Nesse momento, Lisiane passa por perto e acaba sem querer ouvindo a conversa dàs duas. 

— Mas ela o trai, Verena! Isso não pode ficar impune. Eu sinto pena do seu filho. 

Verena tenta tranquilizar Mafalda. 

— Eu vou agir na hora certa. Não se preocupa! Não vou deixar o meu filho casar com essa mulher. 

— Você tem o meu apoio, Verena! Conte comigo! — diz Mafalda, sorrindo apertando a mão dela. 

Lisiane fica em silêncio após ouvir aquilo. 

 

Noêmia entra no carro em que Tony estava e ele decide puxar assunto com ela. 

— Você está bem? Parece um pouco angustiada. 

Noêmia se sente cansada por um momento e passa a mão nos cabelos. 

— Foi uma noite agradável, mas, ao mesmo tempo, tensa. Eu e minha filha não estamos nos entendendo mais como era antes. 

— Imagino. Suany não aprova a nossa relação. Percebo isso! 

— Ela está incontrolável, fora dos limites. Você acredita que ela teve a coragem de me falar na minha cara que você está atrás do meu dinheiro e está usando identidade falsa? 

Tony fica sério diante de Noêmia e decide fazer seu jogo sujo. 

— Você acha que ela está falando a verdade? 

— Eu não posso acreditar na minha filha mais. Ela mente! 

— Sua filha vai tentar nos prejudicar de alguma forma.  

— Ela tem que entender que não manda em mim. 

— Noêmia, não quero perder o que estamos construindo. 

O olhar de Noêmia muda com aquela declaração e Tony segura sua mão fortemente. 

— Vamos ser felizes juntos. Só eu e você em Fortaleza. 

Noêmia fica séria com aquele convite. 

— Mas eu não posso abandonar a Suany agora. Por mais que ela se opõe contra a gente, ela é minha filha. 

— Você prefere ficar com sua filha, então? — reclama Tony, tentando de alguma forma influenciá-la. 

— Como vou ficar longe da minha filha? Ela pode precisar de mim. 

— Me perdoa, Noêmia, mas se ela realmente pensasse na sua felicidade, ela nunca ia se opor em nossa relação. 

 

Na manhã seguinte, Verena fica cara a cara com Paulo em seu escritório. 

— Mandou me chamar, minha querida mãe? 

Verena fica observando o jeito do filho. 

— O que a senhora quer de mim, agora? — ele pergunta após ver a expressão dela séria. 

Verena pega uns papéis em cima de sua mesa e diz: 

— Senta aí, Paulo! 

O filho obedece e fica diante da mãe, que o encara sério. 

— A auditoria me passou alguns levantamentos e apontou uma quebra de estoque indevida em relação a joias preciosas. 

— Nossa, mãe! Eu pensei que fosse algo mais sério. 

— Mas isso não é algo sério? 

— Ah, mãe! Fica tranquila! Isso é erro de sistema mesmo, mas estamos resolvendo já. Foi uma falha de atualização e já tem um técnico, fazendo essa manutenção. 

— Você sabe que eu sou leiga nesses assuntos, mas quando existe uma falha na empresa, isso precisa de uma atenção especial porque se ocorrer algum problema, afeta todo o fechamento de vendas. 

— Estou ciente disso, minha mãe. Fica tranquila que o seu filho sabe resolver as coisas, tá bom! — diz ele, se aproximando da mãe e dando um beijo em seu rosto. — talvez um dia, a senhora perceba quem faz as coisas acontecerem aqui na empresa e dá o seu verdadeiro mérito. 

— Eu sei sempre reconhecer quem dá o melhor de si aqui dentro, Paulo. 

— Isso é verdade. A senhora nunca escondeu isso, explicitamente. Tenha um ótimo dia, minha mãe! 

Verena se sente mais tranquila em relação a falha do sistema e Paulo se retira da sala. 

Assim que fecha a porta, o semblante tranquilo desaparece assim que atende um telefonema. 

— Mas isso é sério? Justo hoje! Prepara tudo! Tenho que sair do país imediatamente e pra hoje, ouviu?

Assim que finaliza a ligação, Paulo pensa:

“Parece que a casa vai cair, mamãe e lamento que não estarei aqui pra ver sua queda.”

 

Algumas horas se passam e a secretária trabalha em sua mesa, quando dois policiais chegam acompanhados de um oficial de justiça. 

— Bom dia! Gostaria de falar com a senhora Verena Salles? 

A secretária, um pouco assustada, aciona a chefe e em seguida, os três entram pelo escritório dela. 

— Bom dia! — cumprimenta Verena. — em que posso ajudá-los? 

— Bom dia, senhora Verena Salles! Estamos cumprindo um mandado judicial. 

Verena pega o documento. 

— Deve haver algum engano. 

— A investigação aponta movimentações financeiras irregulares ligadas à sua empresa. 

— Isso é um absurdo. 

— A senhora terá oportunidades de prestar esclarecimentos. Mas neste momento precisará nos acompanhar. A senhora está detida preventivamente. 

A matriarca da família Salles se vê irredutível naquela situação. 

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