15º Capítulo de Fascínio


Acompanhada do seu advogado, Verena tenta reunir forças para enfrentar o forte baque que leva, em relação aos negócios de sua empresa. O delegado mostra fortes indícios que comprovam os desvios comprometedores, as compras ilegais e principalmente, a inexistência de dados consistentes para tais vendas conduzidas de forma ilegal, isso sem falar, nas passagens burladas pela alfândega. Fabiano chega depressa na sala e encontra a mãe em estado de nervos, na presença do advogado, do delegado e do fiscal da Receita Federal.
 

— Desculpa a demora, minha mãe! Assim que soube da notícia, vim direto pra cá. 

— Eu estou sendo detida por um crime que não cometi. — diz ela, tensa com a situação enfrentada. 

— Fica calma, mãe! Senhor delegado, eu tenho algumas provas em mãos de que minha mãe não estava ciente da situação. — diz Fabiano, retirando alguns papéis e entregando-os. 

Interrogatorio-na-policia

O advogado curiosamente, pede pra verificar também e Verena fica assustada com aquilo. 

— Que papéis são esses, meu filho? 

— São algumas provas que obtive de vendas feitas pra Dubai e estavam na sala do Paulo. 

— Paulo? Como ele pôde fazer isso com a gente? E ele ainda me disse se tratar de falha no sistema. 

O fiscal e o delegado comparam as informações e o advogado tenta tranquilizar Verena. Fabiano continua: 

— Não tem nada de falha no sistema, minha mãe. Ele foi leviano com todos nós. 

Depois de avaliar os documentos, o delegado consente. 

— Realmente, as provas são bem coerentes. Esses documentos são viáveis. Mas mesmo assim, a empresa não vai ficar livre das acusações. Teremos que fazer nosso trabalho. 

— Senhor delegado, não pode acusar injustamente Verena Salles por esses crimes, cometidos pelo próprio filho. A empresa vai arcar com as consequências sim, mas senhora Verena não! Aqui estão as provas de que ele fez tudo, sem o consentimento dela. 

— Aqui constam assinaturas de próprio punho dela, autorizando as vendas e isso se torna um ponto muito crítico. — diz o delegado, ressaltando que Verena assinara. 

— Realmente assinei alguns papéis que ele me entregou, mas por confiar nele, achei que se tratava de documentos legais.  

— Senhora Verena agiu por impulso e acabou não conferindo os documentos antes de assinar. Mas ela está aqui para auxiliar nas investigações. — diz o advogado, sensato. 

O delegado e o fiscal se entreolham, trocam algumas conversas em particular e depois se virando à Verena e os outros, diz: 

— Vamos fazer o seguinte. De acordo com as provas levantadas contra o senhor Paulo, vamos iniciar uma varredura pelo local a fim de encontrá-lo. 

Fabiano se alivia. 

— E quanto à senhora Verena? — indaga o advogado. 

— Não podemos deixá-la ir agora. Temos que mantê-la aqui até encontrarmos o Paulo. 

— Eu gostaria que a minha cliente respondesse em liberdade, até que a investigação seja concluída. 

— Não podemos acatar a esse pedido. — resiste o delegado. 

— A minha cliente é uma cidadã responsável e sensata, ciente de suas ações e sem qualquer antecedente criminal. Não vejo razão para que permaneça privada de sua liberdade enquanto a investigação está em andamento. 

O delegado cruza os braços e permanece alguns segundos em silêncio. A repercussão de manter uma empresária conhecida naquela situação poderia trazer problemas maiores do que imaginava. 

— Ok. Perfeito, então! — diz o delegado, consentindo. 

Fabiano abraça Verena e o advogado se sente confiante. 

— Filho, alguma notícia de minha prisão foi vazada na mídia? — pergunta Verena, com tom preocupado. 

— Não, minha mãe. Conseguimos despistar a mídia em relação a isso. E quanto ao meu grande irmãozinho, ele não atende a merda do celular. — se ira Fabiano, deixando a mãe decepcionada.

 

Suany se lembra das palavras de Richelle e decide ir a empresa Empire Essencials. Por lá, ela encontra as funcionárias que ficam batendo papo e pra tentar dar uma de mandona, acaba soltando um comentário ofensivo. 

— Pra trabalhar aqui, ninguém presta mas pra conversar, tem muitos. 

Lisiane que estava fazendo os seus serviços, escuta e fica em silêncio. Depois se retira. 

As funcionárias ficam um pouco assustadas e se afastam uma das outras. 

— Ninguém vai me contar o babado, não! Quero saber o que as araras andam conversando aqui! 

Uma delas decide levantar a mão e Suany percebe. 

— Fala! Qual a fofoca? 

— Senhora Suany, é que a dona Verena foi detida pela polícia. A Receita Federal esteve aqui e a levou com eles. Estão todos comentando aqui na empresa sobre isso. 

Suany fica perplexa, mas desconfia. 

— Isso é verdade mesmo? Não estou sabendo de nada. 

— Eles abafaram o caso pra que a mídia não soubesse de nada. 

— Eu vou checar isso depois, mas já que uma das araras se pronunciou, preciso de uma informação. — e ela chama a funcionária no canto. — vou te recompensar bem com esse auxílio. 

— Está bem, senhora! — diz a funcionária, se aproximando e atenta. 

— Preciso saber o nome de quem está se encontrando com meu futuro marido. — diz Suany, decidida. 

— Mas eu não sei dizer, senhora Suany. 

— Já percebi que você não quer o meu dinheiro, mas está bem: eu vou procurar outra pessoa que me informe. 

— Espera! — pede a funcionária. — não fale que foi eu, tá! 

Suany consente. 

— Ela se chama Lisiane. Eu a vi com seu marido dias atrás. Os dois sempre se encontram depois do expediente pra tomar um café. 

 

Lisiane faz os seus afazeres, quando a sua chefe chega em sua direção e a chama. Assim que as duas entram na sala, encontram com Suany que já estava por lá esperando. 

— Senhorita Suany, essa é a Lisiane! 

— Então é você! 

Lisiane fica séria por um instante ao olhar a jovem, que a encarava de cima a baixo como se fosse algo insignificante. 

— Me deixa a sós com ela! 

A chefe de equipe estranha e consente, deixando às duas na sala. 

Suany se aproxima de Lisiane e dá uma volta por ela, a encarando. A jovem fica um tanto insegura com aquela atitude dela e solta um comentário. 

— Eu estou aqui ao seu chamado. Em que posso ser útil? 

— Vamos parar com as gracinhas e ir direto ao ponto. 

Lisiane fica imóvel diante dela. 

— Por que está saindo com meu marido? 

Ela fica em silêncio. 

— Acho que já sei a resposta. Foi paga por Richelle pra conquistar o meu marido e me tirar do pódio, né? 

E mais uma vez, Lisiane não responde. 

— Escuta aqui: Lisiane! Eu vou me casar com Fabiano, custe o que custar e você não vai conseguir destruir meu relacionamento. 

— Eu acho que preciso voltar pro meu trabalho. 

— Não. Você vai pra rua! — diz Suany, tentando ser mais esperta que a jovem. — ao menos que você queira se aliar a mim. 

— Eu não quero prejudicar o Fabiano. 

— Então, você admite que gosta dele? 

— Eu não posso perder esse trabalho, Suany! 

— Você é tão linda. Richelle deve ter te treinado direitinho. Estão de parabéns. — diz Suany, firme nas palavras e a provocando. — quanto você quer pra se aliar a mim? 

— Eu não quero o seu dinheiro. 

Intimidacao-de-rivais

— Isso é o que todos dizem. Mas acho que seria vantajoso você se aliar a mim hoje, porque senão minha querida, eu vou pedir pra te jogarem na rua com uma mão na frente e outra atrás. Qual a sua resposta, hein? — chantageia Suany. 

Lisiane reconhece a perda e consente. 

— O que você quer de mim, Suany? 

— Agora, estamos nos entendendo. — diz ela, demonstrando satisfação. — primeiramente, rompa com meu futuro marido. Ele é meu e de mais ninguém. 

— Está certa, mas eu não tenho nada com Fabiano. 

— Ainda. Mas seja o que estiver acontecendo entre vocês, isso acaba hoje! Se afaste do meu marido ou você vai ver o peso das consequências. 

— Posso voltar pro meu trabalho agora? 

— Não. Eu quero você trabalhando pra mim agora. Cumpra o que te pedi e depois, conversamos novamente. Pode trocar de roupa, mudar o cabelo e aprender etiqueta. Algumas pessoas nunca conseguem esconder de onde vieram. Agora, se retira! 

No olhar de Lisiane escorre uma lágrima e ela então, se retira da sala deixando Suany confiante. 

Assim que sai da sala, Lisiane tenta reunir forças pra pegar o celular e mandar uma mensagem pra Richelle. 

“Eu estou arrasada. Nunca fui tão humilhada hoje.” 

Ao receber a mensagem, Richelle se preocupa. 

— Lisiane está precisando de ajuda. 

Dionatan fica sério com aquelas palavras da amiga. 

 

Com a polícia acionada, Paulo ainda consegue fugir do Brasil no seu jatinho particular. Despreocupado com tudo que fez pra prejudicar a família Salles, ele toma champanhe próximo da janela e com uma aparência bem satisfatória. 

“E que essa família feliz se exploda.” 

Pensando já em usufruir do seu belo apartamento nas Ilhas Maldivas, o filho de Verena se sente feliz por cada grana que recebeu, de vendas promissores e indevidas. 

O delegado pede pra que acionem a polícia federal do exterior, para que Paulo seja detido o mais rápido possível. 

Fabiano e a família Salles ficam em choque com tamanha situação. 

— Até agora, a ficha não caiu de que o meu próprio filho fez isso com a gente. — se revolta Verena. 

— Ele vai pagar por isso, minha mãe!

— Me sinto culpada. Eu devia ter prestado atenção em cada documento entregue por ele. Meu próprio filho me deu uma rasteira!

Fabiano coloca a mão na testa, arrasado.

— Não se culpe, minha mãe! A senhora confiou num egoísta.

— Eu me recuso a aceitar isso, meu filho! Francamente! 

— A nossa sorte é que você conseguiu esses relatórios, senão sua mãe ainda estaria detida lá. — comenta o advogado da família. 

— Meu Deus do céu, muito obrigada! — Verena coloca as mãos pra cima, agradecendo. 

— E agora, não vamos poder ocultar isso da mídia por muito tempo. — se preocupa Fabiano. 

— E por falar em mídia, o que a sua futura noiva está fazendo nas redes sociais? — questiona Verena ao ver o vídeo da Suany comentando sobre a investigação da empresa. 

Fabiano fica com um olhar sério e decide entrar em contato com ela imediatamente. O advogado comenta: 

— Senhora Verena, isso não é bom. 

Verena sente um mal-estar. 

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