A cerimônia mais prestigiada entra pra história e todos os olhos estavam voltados para os noivos.
— É o dia mais feliz da minha vida. — comenta a noiva, usando um colar de esmeraldas.
Fabiano, o noivo, sorri ao ouvir tais palavras.
— Também é o meu, minha querida!
Verena, ao lado de amigos, sorri ao prestigiar aquela união.
— Parece que você fez uma boa jogada em realizar uma cerimônia linda e importante como essa, justo nesse monumento histórico da França. — diz um convidado para a Verena.
— Eu só quero que ele seja feliz!
Muitos convidados de renome internacional e nacional estão presentes, testemunhando o enlace, que acontece nos arredores do Château de Chenonceau, conhecido como o castelo das sete damas.
Assim que os dois dão as mãos, o padre faz uma pergunta:
— Há alguém aqui que se opõe a esse casamento? Se alguém tiver algo a dizer, que fale agora… ou se cale para sempre.
Um silêncio se faz no local e a noiva sorri para o rapaz.
De repente, barulhos vindo do lado de fora.
— Ela não pode se casar com ele! Este casamento é um erro! — diz uma mulher, invadindo a cerimônia de forma exaltada e totalmente contra a noiva, apontando-lhe.
Os convidados, então, ficam em choque ao presenciar a cena.
A noiva fica paralisada com aquelas palavras e o noivo, surpreso, sem saber o que dizer.
Verena se sente envergonhada ao ver aquela confusão e decide agir.
— Mas o que está acontecendo aqui?
A mulher continua firme em seu desejo de estragar a cerimônia.
— Ela não merece estar se casando com o seu filho! Ela o trai.
Fabiano se sente perdido e a noiva, se defende:
— Por que eu trairia justo o amor da minha vida? — e nesse momento, ela olha tensa para os fotógrafos que registram a cena e em seguida, olha para Fabiano, que a encara sério. — Você precisa confiar em mim! Eu jamais lhe traio.
O noivo mantém o olhar sério na noiva.
— Eu tenho provas de que sua futura noiva não presta! — diz a mulher incessante, quebrando o silêncio entre os convidados, mostrando as fotos dela com outro.
Nesse momento, Fabiano se retira envergonhado diante de todos e lágrimas caem dos olhos da noiva.
— Fabiano, volta aqui! — dizia ela, em prantos, praticamente abandonada no altar e virando-se a mulher, diz revoltada: — está satisfeita com o que fez? Acabou com meu casamento, sua biscate!
— Eu só fiz o que era pra ser feito. — responde a mulher, severa.
Verena se aproxima da noiva e lhe dá um tapa em seu rosto, e em seguida, diz:
— Eu achei que você era diferente, mas me enganei completamente. Tira o colar agora! Não merece estar no seu pescoço.
— Mas, minha sogra... — diz ela, em lágrimas.
— Devolva agora e não me chame de sogra. — pede Verena, séria já percebendo que aquele casamento estava sendo um fiasco e que já virou um escândalo. O descontentamento já estava nítido em seu olhar.
Seis meses antes...
Em Sete Lagoas, no estado de Minas Gerais, a setenta e dois quilômetros de Belo Horizonte, acontece uma reunião familiar em uma casa de uma das conhecidas socialites brasileiras.
Na sala de estar, todos estavam falando ao mesmo tempo em volta de Verena, que parecia um tanto cansada no sofá. Após tomar alguns goles de chá, a empresária resolve falar:
— Parem de falar e me escutem! Posso dar a minha posição sobre esse assunto ou não?
Os filhos se acalmam e os empregados ficam atentos, se entreolhando um ao outro.
— Agradeço por pararem de falar. Afinal, é um assunto importante e precisa ser analisado com calma. — diz Verena, repousando a xícara na mesa do centro.
— Então, minha mãe, como fica o planejamento do meu casamento com a Suany? — pergunta Fabiano, tenso.
— Eu quero uma festa com muito glamour. Quero chamar atenção da mídia. — avisa Suany, com um pensamento muito além.
— Se acalme, Suany! Você terá a sua festa de casamento e eu vou proporcionar tudo no maior requinte. — diz Verena, confiante. — E quanto a você meu filho, eu quero que fique tranquilo porque estou pensando seriamente em cada detalhe.
— Obrigado, minha mãe! — diz Fabiano, aliviado.
— Eu estou tão feliz que vocês nem imaginam. — diz Suany interferindo na conversa.
— Suany, você vai ter um casamento de princesa. — comenta Paulo. — o Fabiano tem muita sorte!
— Sorte tenho mesmo de encontrar uma mulher que me ama de verdade. — diz Fabiano.
Verena fica um pouco mais séria nesse momento.
Fabiano recebe uma mensagem no WhatsApp falando de uma festa e aceita participar. Ele então comunica a Suany que vai sair a noite e pergunta se quer ir com ele, mas a jovem se recusa alegando que tem algo a fazer.
— Pode ir sem problemas!
Fabiano a beija nos lábios enquanto Verena conversa com os filhos sobre os convidados.
Próximo dali, uma jovem fica desesperada ao ver as contas chegando a cada semana.
— Meu Deus, o que eu faço da minha vida? Como vou quitar isso tudo?
E as ligações de operadoras não se cansam.
— A senhora consegue quitar o seu débito hoje?
— Minha senhora, tem como esperar até o final do mês.
— Desculpa, senhora! Mas a sua negociação se encerra até hoje senão enviaremos o seu nome junto com o débito para o SERASA.
Atônita, Lisiane fica sem saber o que fazer com a situação.
Batem a porta e ela, aflita, atende.
— Lisiane, preciso do valor do aluguel. — diz a dona do quartinho.
— Mas ainda não recebi. Eu não esqueci da senhora, não. Fica tranquila!
Seu coração apertou. Ser despejada não era uma possibilidade, mas sim um abismo!
— Lisiane...
— Por favor, preciso de mais tempo. Não posso ir pra rua! Não agora!
— Vou esperar até amanhã. — diz a dona, já impaciente.
Ao sair de casa, Lisiane vai pro trabalho e assim que inicia sua dura rotina, o chefe já começa a implicar com ela.
— O que eu falei com a senhora ontem, hein?
— Poxa. Eu esqueci mesmo de ter posto o lixo pra fora.
— Pois é! Você não tirou o lixo da lanchonete. A mosca fez varejo e acabou deixando a cozinha fedendo. Veja só aquilo! Tá um horror e a culpa disso tudo é sua!
— Por favor, não me mande embora! Eu estou aflita. Toda enrolada com dívidas. Estou prestes a ser despejada do quartinho que aluguei.
— Eu devia sim te mandar embora, mas você atende bem os clientes, faz minha lanchonete ter retorno financeiro. Por isso não vou te dispensar, mas se fosse outro, eu faria.
— Muito obrigada! Prometo que hoje não vou deixar o lixo novamente lá!
— Agora, antes de mexer com outra coisa, vá tirar aquele fedor de lá da cozinha senão hoje ninguém trabalha lá.
— Está bem! — diz Lisiane, se prontificando a fazer o serviço.
Assim que ela recolhe o lixo e coloca na caçamba do lixo, ela encontra uma garota fumando. Mas sem falar nada, decide voltar pra lanchonete quando a jovem, a chama.
— Ei! Você mesma!
— Está falando comigo? — pergunta Lisiane.
— E por acaso, tem mais alguém aqui além de mim e de você?
Lisiane sorri e acena que não.
— Perfeito. Está se sentindo cansada?
— Eu te conheço? — Lisiane se intriga com a pergunta dela.
— Deve ser um porre trabalhar num restaurante com um chefe mandão e ridículo. Como é que você aguenta?
— Eu faço essa pergunta pra mim várias vezes, mas eu preciso do trabalho. É importante pra mim! Tenho contas pra pagar.
— E quem não tem, minha querida? Eu mesma devo cinco mil e você acha que eu estou deprimida? Eu devo e não nego. Pago quando posso, mas não fico atrás de balcão de lanchonete me matando pra quitar minhas contas. Eu sou mais eu!
— Peraí. Você me chama pra ficar me tirando, é isso? Eu tenho mais o que fazer. Me dá licença!
— Isso! Volta pro balcão daquela lanchonete e seja feliz, minha querida. Tá necessitada!
— Olha aqui: eu não vou ficar batendo boca com uma desconhecida que não sabe nada da minha vida. E que se dane se estou necessitada. Você não me conhece, oras!
— Tadinha. — diz a jovem, agora com ar de zombaria.
— Não vou perder o meu tempo mais com você. Deixa eu trabalhar, ok! Ah, e acho que você precisa fazer o mesmo. Arruma uma ocupação e não me torra o saco!
— Chega, Lisiane! Chega de bobeira e vamos conversar sério.
— Conversar sério? — Lisiane se indaga. — e como sabe o meu nome, sua bandida?
— Ué, você trabalha na lanchonete. Atende vários clientes. Eu já fui atendida por você e me surpreendi muito.
Lisiane fica séria por um instante.
— Agora, estou entendendo. Você deve ser algum vigia do meu chefe. Só pode!
Ela cai no riso.
— Fala logo, o que você quer de mim?
— Eu sou uma pessoa útil que pode te ajudar.
— Me ajudar? Assim do nada? Eu não acredito em fada madrinha.
Mais uma vez, a jovem sorri com ar de deboche.
— Você está de brincadeira comigo.
— Tão inocente! Confesso que estou gostando de você. É boa!
— Não se atreve...
— Psiu!!! Bico fechado que vou falar agora, tá! — interrompe ela, com ar de superioridade. — Você
quer continuar nessa vida… ou mudar de vez?
— Minha vida não é tão ruim assim… Eu tenho emprego, tenho planos.
— Ah, para. Chama isso de emprego ótimo? Sua vida é bem chata. Não sei dos seus planos, mas mora de aluguel, vive cheia de contas pra pagar e nem tem tempo pra se cuidar direito.
— Está me espionando, é? Eu não admito!
— Vamos ater a realidade: você quer trocar de emprego agora ou quer continuar na mesma? Eu sei que precisa de ajuda. Dá pra ver na sua cara!
Lisiane fica pensativa por alguns instantes.
— Eu nem te conheço.
— Não seja por isso. Meu nome é Richelle. — diz ela, sorrindo direcionando sua mão a ela pra cumprimentá-la.
— Por que quer me ajudar? — pergunta ela, desconfiada.
— Porque além de ser teimosa, é uma pessoa boa e merece ser ajudada.
— A conversa está boa, mas preciso voltar pro trabalho. — desconversa.
— Aqui está o meu cartão. Me liga se realmente tem interesse de ser ajudada. E sem brigas, tá! — diz Richelle, entregando o cartão a ela. — só não desperdice a chance de mudar de vida. Bom trabalho! Ah, já se passaram meia hora. Vai descontar do seu banco de horas.
— Ai, meu Deus! — Lisiane diz ao olhar o celular e guardando o cartão no bolso, corre em disparada.
Ao cair da noite, Lisiane volta para o seu lar depois de um dia estressante de trabalho e, ao se jogar na cama cansada, fica pensativa no que fazer nos próximos dias. Ela então, se lembra da jovem e pega o cartão do seu bolso. Fica observando por alguns minutos e depois, amassa o cartão e deixa em cima da mesa de cabeceira. Em seguida, tira as roupas e os sapatos e decide ir para o banheiro. Coloca uma música para tocar no Spotify e toma um banho morno. Mas a ideia de ser despejada dali a qualquer momento atormenta sua cabeça.
A campainha toca e o jovem Tony decide abrir a porta.
— Oi! Senti saudades! Demorou muito pra me ver, hein?
— Eu também senti, meu lindo. — diz Suany, provocante. — Não posso demorar muito. Agora que estou de casamento marcado, tem gente demais me cercando.
O rapaz a pega no colo e fechando a porta rapidamente, a beija toda.
— Você me instiga, sabia?
A jovem se rende aos seus beijos e lhe arranha devagar nas costas.
— Só de pensar que você vai se casar com aquele trouxa, me dá uma raiva que você nem imagina.
— Eu preciso, amor! Mas a gente vai continuar se vendo. — diz ela, se afastando um pouco.
— Eu quero mesmo continuar te vendo. Você não vai me escapar tão fácil assim não.
Suany sorri com as palavras dele.
— Logo, estaremos com uma boa grana!
— Isso merece um brinde. — diz ele, decidindo pegar um champanhe.
— Calma! — diz Suany, o detendo e tocando em seu peito, como lhe seduzindo. — Ainda não está na hora de comemorarmos. Agora, eu quero você!
— E eu também te quero muito, sabia?
— Então, aproveite o dia de hoje! — diz Suany, tirando a blusa enquanto Tony lhe beija o pescoço.
Verena procura por Suany pra tratar de assuntos relacionados ao casamento e a empregada da mansão avisa a bondosa senhora de que a jovem saiu, pra ver a mãe dela. De repente, a mãe de Suany toca a campainha e a empregada atende.
— Oi, dona Noêmia! Tudo bem? — cumprimenta Verena ao vê-la ali.
— Oi! Tudo sim, minha querida!
As duas se abraçam.
— Aconteceu alguma coisa? Parece angustiada! — pergunta ela, sentindo a mãe de Suany um pouco estranha.
— Então, eu vim falar com minha filha. Ela está?
Verena fica séria e se entreolhando com a empregada que ainda estava ali presente, responde à Noêmia:
— Eu achei que a sua filha estivesse em sua casa.
— Não! — diz Noêmia, estranhando. — Cheguei de viagem faz poucos dias e ainda não estive com a minha filha. Ela disse que iria em minha casa?
Em um restaurante, Richelle janta com um amigo e os dois conversam sobre uma tal proposta.
— Mas você acha que ela vai aceitar isso? — pergunta Dionatan.
— Ela precisa quitar as contas, meu caro. Vai acabar aceitando, tu vai ver! — diz ela, convencida.
— Só quero ver a cara da Suany quando essa menina entrar na família Salles.
— Suany vai ter seu império cair, porque eu vou apostar minhas fichas na Lisiane estragar os planos dela.
— Você está muito convencida de que ela vai aceitar essa proposta. Eu acho melhor não colocar os cavalos na frente da carroça.
— Confia em mim, Dionatan!
Lisiane analisa as dívidas e ao ver o cartão amassado, ela decide ligar pra jovem, que lhe abordou mais cedo.
— Eu sabia que ia ligar. Fez uma ótima escolha! — diz Richelle, se sentindo radiante e piscando o olho pra Dionatan que sorri.
— Eu aceito a proposta. — diz Lisiane, séria. — Só me diga o que eu preciso fazer.


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