Assim que coloca os pés na entrada do apart-hotel, antes de entregar a chave, a recepcionista comunica a Suany que o cartão foi recusado. A jovem não concorda e tenta passar novamente o cartão, alegando ser um problema técnico na maquininha e a recepcionista, mais uma vez, faz o procedimento.
— Sinto muito, senhora, mas está dando recusado o pagamento pelo cartão.
O olhar de Suany fica diferente devido aquela situação e ela fica sem saber o que fazer naquele exato momento.
“Não é possível que isso esteja acontecendo comigo. Mas que merda!”
— A senhora pode tentar outro cartão, se tiver.
Suany fica com um olhar sério para a recepcionista e diz:
— Eu vou fazer uma ligação e já volto.
Assim que afasta da recepção, Suany liga para o banco e conversa com a atendente. Assim que fica sabendo do bloqueio do cartão, a sua raiva aumenta.
— Mas isso é injusto. Eu pago essa merda direitinho. Vocês não podem fazer esse bloqueio!
— Sinto muito, senhora Suany, mas a senhora é titular dependente do titular. Não possui cartão próprio em seu nome. O titular que requeriu o bloqueio.
Assim que desliga o telefone, Suany coloca as mãos na cabeça e fica revoltada com o pesadelo que está acontecendo em sua vida. Sem dinheiro, sem lugar onde ficar, praticamente sem nada, ela começa a ficar desesperada. Sem saída, ela decide se sentar no banco próximo da entrada do apart-hotel e fica de cabeça baixa.
“Mas que ódio que eu tenho dessa vida.”
De repente, alguém se aproxima dela e a encara ali sentada e cabisbaixa.
— Oi, Suany! Precisando de ajuda?
A jovem ergue a cabeça e o encara, se levantando depressa do banco e o agredindo fisicamente, com alguns socos em seu peito e braço.
— Filho da mãe!
Tony a controla ali mesma e diz:
— Fica calma. Estou aqui pra ajudá-la.
— Você é o último homem da face da terra que eu pediria alguma ajuda. Vá embora! — ela grita, fazendo algumas pessoas ficarem olhando na esquina.
— Eu só vim ajudar, mas já que não precisa. Tudo bem.
— Você é um salafrário! Minha mãe vai descobrir quem você é de verdade. Pode apostar!
— Eu e sua mãe se amamos, Suany e você precisa entender isso.
A jovem desafia um olhar sob ele.
— Você não perde por esperar. Sua hora vai chegar.
— Você está me ameaçando? Acho que as circunstâncias em que se encontra, não são favoráveis pra isso agora.
— Vagabundo! Você conseguiu afastar a minha mãe de mim cada vez mais.
— Negativo. Você a afastou.
— Tenho ódio de você. Maldita hora que eu fui me envolver com você, filho de uma...
— Acho melhor você se preparar porque eu tenho uma novidade pra você. — ele a detém, a controlando.
— Que novidade?
— Na hora certa, saberá. Agora, precisa tomar um banho. Está cansada, suja e isso não lhe cai bem, Suany.
— Eu não preciso de você e nem de ninguém. Vou dar a volta por cima. Pode apostar!
— Talvez dê mesmo, mas agora Suany te olhar assim tão caidinha me dá pena. Ah, antes que eu me esqueça: acho que essa merreca que você me deu no passado, vai te ajudar muito agora. — diz ele, colocando um punhado de dinheiro no banco próximo dela. — só não torra tudo, tá! Eu sei que você tem um descontrole total com grana em mãos. Lembre-se: dinheiro não dá em árvore.
— Você me humilha agora, mas depois se prepara porque o que é seu está guardado.
Tony sorri com as palavras dela e se afasta. Suany olha para o dinheiro e fica cheia de ódio por dentro.
Noêmia decide ir a empresa Empire Essencials e por lá, se encontra com Verena em seu escritório.
— Desde a nossa última conversa que tivemos, a gente não se falou mais por conta do ocorrido com os nossos filhos.
Verena fica em silêncio.
— Eu sei que está magoada comigo e pelo fato de ter ocultado a verdade, mas quero expressar o meu arrependimento.
Verena se levanta da cadeira e caminha um pouco em círculos pela sala. Em seguida, declara:
— O que você fez, foi totalmente errado, mas como mãe também, eu entendo o quanto está sendo difícil estar rompida com a própria filha.
— Eu não reconheço mais a Suany. Ela mudou muito de uns tempos pra cá.
— Sua filha é ambiciosa. Acreditava que ia sustentar uma mentira por muito tempo ao lado do meu filho. Ela o enganava e tentava se fazer de certinha o tempo todo, mas a máscara caiu.
Noêmia fica em silêncio diante de tais palavras rígidas.
— Infelizmente, preciso admitir que ela não agiu certo mesmo.
— Eu disse e repito: as portas da minha casa estão abertas pra você, Noêmia, mas pra sua filha, jamais!
— Eu sei e agradeço por isso, Verena. Eu tenho um coração também. Sinto pena da minha filha, mas não posso ficar passando a mão na cabeça dela o tempo todo. Ela colheu isso e vai ter que pagar.
— Sua filha já está pagando por todo mal que nos fez, Noêmia. — diz Verena, com um olhar firme.
De repente, o celular toca e a socialite decide atender em imediato.
— Oi Guilhermina. O que houve? Minha nossa! Como isso aconteceu?
Noêmia fica perplexa com a preocupação de Verena.
— Tá! Calma! Eu vou pro hospital agora mesmo. — diz Verena afastando um pouco o celular do ouvido e comenta com Noêmia: — sua filha colocou o meu filho no hospital.
Noêmia fica em choque ao ouvir aquilo.
Tony paga em dinheiro a um vendedor, que sorri alegremente por ter feito um bom negócio.
— Parece que a sorte sorriu pra mim hoje. — diz o vendedor, apertando a mão dele.
— Agora, finalmente eu tenho que preciso. — diz o rapaz, admirando o iate recém-comprado, ancorado no píer.
Ao ouvir a campainha tocar, Suany abre a porta e se depara com Lisiane.
— Não esperava sua visita justamente aqui. O que faz aqui?
— Precisamos conversar, Suany.
— Eu não quero conversar com você. Justamente você, que me traiu pelas costas, quando se aproximou de Fabiano novamente.
— Eu já imaginava que você saberia disso. Afinal, o beijo aconteceu na empresa, né?
— E você ainda tem coragem de chegar aqui e me falar isso? Não tem vergonha, Lisiane? Eu achei que estaria do meu lado, mas não! Você também está se opondo a mim e eu fui tonta em ter acreditado em você.
— Eu não vou negar que tenho sentimentos pelo Fabiano, mas eu precisava vir aqui. Suany, eu quero te ajudar!
— Basta! Dispenso a sua ajuda, Lisiane. Dê o fora daqui. Não confio mais em você.
— Acho que deveria confiar. — diz Lisiane, tentando mudar o jogo.
Suany fica com um olhar sério pra jovem.
— Escuta aqui, mocinha! Eu não sou idiota, não! Você e Fabiano estão juntos. Talvez, até a amizade com a Richelle também esteja firme e forte, né?
— Engano seu, Suany! Eu e Fabiano estamos realmente juntos mesmo, mas tudo aconteceu naturalmente, sem pressão. Quanto a Richelle, não estamos tão próximas como imagina.
Suany se aproxima bem perto de Lisiane e a provoca:
— Você não ganha nada, mentindo desse jeito. Tenha decência e fala logo a verdade. O que você veio fazer aqui, sua maltrapilha?
Lisiane decide se impor diante de Suany.
— Eu estou cansada das pessoas me manipularem, dizendo o que devo e o que não devo fazer da minha vida. Richelle queria me transformar numa pessoa vingativa como ela, mas eu não quero isso pra mim, ouviu bem? Eu não quero mais ficar no meio de uma rivalidade que não é minha.
Suany fica com um olhar sério.
— Ela comentou algo do meu passado pra você?
— Sim. — diz Lisiane, com um olhar sério. — Falou do Christopher!
Suany fica em choque ao ouvir aquele nome.
— O que ela falou sobre o Christopher?
— Que a amava e que você o tirou dela. — declara Lisiane.
Suany fica com os olhos arregalados, e depois tenta dar uma disfarçada.
— Christopher me amava muito. Eu não cheguei a tirá-la dela.
— Não foi bem assim que ela me disse, Suany. Ela falou que você roubou o namorado dela de uma forma que ele nunca mais quis olhar pra ela.
— Isso é mentira, querida! — diz Suany, tentando amenizar a conversa, dando um sorrisinho. — pura dor de cotovelo. Richelle mentiu pra Christopher. Alegou que estava grávida dele, acredita?
— Grávida? — indaga Lisiane, admirada.
— Pois é, mas a sorte é que Christopher descobriu a farsa depois e terminou com ela. Aí a gente se aproximou, entende?
— Eu não sabia disso, Suany!
— Lisiane, a sua amiga não presta! Richelle nunca prestou. Veja só: mentir que estava grávida pra ter o namorado sempre ali por perto. Pra quê isso, querida?
— Realmente é um jogo muito baixo. — concorda Lisiane.
— Agora, eu não entendo porque ela está levantando esse assunto. E o que mais me deixa curiosa: por que te falou isso?
— Talvez pra atrapalhar a nossa amizade, Suany! — declara Lisiane, tentando manter a compostura e a imparcialidade.
— Lisiane, eu não me importo que você esteja com Fabiano.
— Não se importa?
— Não. Não mais! Mas eu espero que você realmente esteja do meu lado porque estou disposta a virar esse jogo e vou mostrar pra todos aqueles que viraram as costas pra mim, que eu dei a volta por cima.
— Suany, eu não quero ser sua inimiga. Nunca quis ser de verdade.
— Mas a partir do momento que você se aproximar da Richelle contra a mim, vai ser querida.
— E você acha que eu vou me aproximar dela?
— Não sei. Não confio em ninguém mais.
— Nem que eu te dissesse que Richelle quer procurar Christopher.
Suany a encara de repente, com aqueles olhos arregalados novamente.

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