No dia seguinte na empresa, Mafalda e Verena conversam sobre a situação ocorrida no casamento na França, e entre goles de chá, a conversa flui tranquilamente. A socialite, como sempre, acaba amenizando as coisas em nome de uma grande amizade. 

— Eu sei que eu não deveria ter interferido na cerimônia, mas eu conheço o seu filho, como sua família há anos. Aquela situação hedionda não estava me fazendo bem. 

Verena fica séria, diante da amiga e entende sua reação adversa. 

— Agora, não temos mais o que fazer. Eu queria proteger o meu filho dessa traição dela, mas conforme ocorreu, saiu do meu controle infelizmente. 

— Eu me senti enojada com aquela cerimônia, Dona Verena. Me perdoa de coração! 

Verena se aproxima de Mafalda e a abraça fortemente, a consolando. 

— Amiga, você foi corajosa demais entregando os podres da Suany diante de todo mundo. 

— Eu só fiz o que era pra ser feito. Considero seu filho como o meu filho também. 

— Eu sei disso e fico muito feliz pelo seu carinho de verdade. 

As duas se afastam um pouco. 

— E como está o Fabiano? — pergunta Mafalda. 

— Seguindo a própria vida. Ele me fez uma confissão no dia do acontecimento. 

— Que confissão? — se intriga ela. 

— Você nem imagina, minha amiga, mas acho que esse casamento não tinha que acontecer mesmo não. 

— Não entendi agora. — estranha Mafalda, séria. 

— Ele está apaixonado por outra. — declara Verena, sorrindo pra surpresa dela. 

De repente, batidas na porta. 

— Pode entrar! — autoriza Verena. 

— Dona Verena, vim trazer alguns documentos que a sua secretária me pediu pra lhe entregar. — diz Lisiane, gentilmente na porta. 

— Ah sim, claro! Muito obrigada! — diz Verena, pegando os documentos da mão dela. — Mafalda, quero que você conheça a Lisiane. Trabalha comigo aqui na empresa. 

Mafalda e Lisiane se cumprimentam, apertando as mãos. 

— Prazer, viu? Sou a melhor amiga da Verena. 

— O prazer é todo meu. Eu já a vi aqui na empresa. 

— Estou sempre por aqui. — diz ela, sorrindo. 

— A Mafalda e eu temos uma amizade de anos. — completa Verena e virando-se a amiga, diz: — Mafalda, a Lisiane é uma jovem muito especial. Esforçada e bem inteligente. Ela trabalhou em minha casa, naquele jantar que tivemos. 

— Ah é? Poxa, que bom! 

Prazer-em-conhecer

— A Dona Verena sempre me incentiva e eu até fico sem palavras. — diz a atendente. 

— Já gostei de você, menina! Seria uma boa oportunidade, se caso quiser, vir a trabalhar no jantar que também estou pretendendo dar, pra semana que vem. Eu queria até retribuir a gentileza. 

— Mas claro que sim. — permite Verena. 

— Seria uma honra. — diz Lisiane, aceitando. 

— Então, combinado! Vamos nos falando. — diz Mafalda, se sentindo grata. 

Verena sorri alegremente. 

 

Na mansão dos Salles, Suany não respeita os seguranças e exige que precisa entrar. Ao se deparar com a situação, Fabiano permite a entrada dela e os dois se encaram seriamente. 

— Muito obrigada por me deixar entrar. Tem coisas minhas ainda nessa casa e eu quero por direito. 

— Depois de tudo que você fez comigo, você não tem direito a mais nada. 

— Eu passei o maior tempo da minha vida te dedicando carinho, atenção, amor... eu tenho direitos. 

— Amor? Você não tem decência nenhuma em falar uma palavra dessas. Mas tudo bem. Tem algumas malas prontas que eu mesmo pedi pra reservar. Estão no quarto e eu vou pegar pra você. 

— Não. Eu mesma pego! — ela o detém, e passa em sua frente subindo as escadas depressa. 

Fabiano a segue. 

— Vai levar somente as malas prontas e mais nada. 

— Eu quero as minhas joias também. Quero tudo que ganhei. 

Fabiano sorri. 

— Você não está merecendo levar porcaria nenhuma dessa casa. Trate de pegar suas coisas e vá embora daqui. 

— Fabiano, não me faça perder a paciência. Eu já estou farta de vocês me humilharem. 

— Quem provocou isso, hein? Me fala! — afronta Fabiano, se aproximando dela com um olhar sério. 

— Agora, você joga certas verdades na minha cara, mas você também foi infiel comigo. 

— Pera aí, agora você está me culpando? 

— Beijando uma funcionária sem eira nem beira dentro de sua própria empresa. 

— Pior foi você que se agarrou com outro as escondidas. 

— Cale-se Fabiano! 

Fabiano segura os braços de Suany fortemente. 

— Agora, sou um homem livre pra viver o meu sentimento com outra mulher. 

Suany dá um sorrisinho de deboche. 

— Você e aquela pobre? Belo conto de fadas! 

— Pelo menos, ela é melhor que você. 

Suany perde o controle e desvencilhando dele, lhe dá um tapa no rosto. 

— Vocês nunca serão felizes juntos. 

— Isso é o que veremos, Suany! Quer saber, pega as malditas joias. Cate tudo! Tira qualquer coisa sua desse quarto e some. 

— Eu vou fazer isso mesmo. Tudo isso é meu por direito e você não pode negar. 

— Por mais que não seja merecedora de nada, leve tudo. — diz Fabiano, se virando pra se retirar do quarto quando Suany, sob um olhar de fúria e num ato impulsivo, o empurra contra um armário. 

Fabiano bate com a face na ponta do armário e cai no chão, um pouco tonto e com um sangue escorrendo pela testa. 

Ao se deparar com a situação, ela pega um vaso de flores e atira contra a cabeça do rapaz, o fazendo desmaiar na hora. 

Fabiano fica desacordado diante de Suany, que permanece imóvel e com as mãos na cabeça. 

“O que foi que eu fiz, meu Deus?” 

 

Noêmia visita Fernando em seu apartamento e os se encaram seriamente. 

— Acho que você tem toda a razão quanto a minha filha. 

Fernando se serve de uma taça de uísque e bebe um gole. 

— Que bom que caiu em si. 

— Fernando... — diz Noêmia se aproximando dele devagar e o abraçando. — não quero que nada afaste a gente, nem mesmo minha própria filha. 

— Eu também não quero me afastar de você, Noêmia. — diz o rapaz. 

— Então, vamos esquecer a Suany e viver nossas vidas junto. 

— Isso é o que mais quero. — diz ele, a beijando nos lábios. 

 

Suany fica totalmente imóvel diante do corpo de Fabiano, ali jogado naquele chão e uma vaga lembrança vem à tona. 

“Uma discussão em frente a um lago. 

— Eu não acredito que você teve essa audácia de mentir pra mim. Justo pra mim, Suany! 

— Eu fiz isso pra não te perder, caramba. 

— E você me perdeu. Agora, perdeu! Você me separou da Richelle, armou toda essa farsa só pra me ter ao seu lado e o que adiantou, hein? Você plantou a sua própria discórdia! 

— Ela não merecia você! Nunca te mereceu, afinal de contas. Eu sempre fui mais atenciosa que ela. Sempre estive presente. 

— Você não tem escrúpulos, Suany! Mentiu pra mim, com a cara mais lavada dessas. Você achava que eu não ia descobrir, né? 

— Me perdoa, meu amor! Eu te amo! 

— Chega de falsidade, Suany! Isso não é amor. Isso é uma doença. Você precisa se tratar! 

— Você não vai voltar pra Richelle, né? 

— Mas é claro que eu vou procurá-la depois de tudo que você me fez pra nos separar. Acabou, Suany! Fique fora de meu caminho. 

— Não. Por favor, não faça isso comigo! — diz ela, seguindo-o depressa pelo caminho de terra. 

De repente, ela o abraça fortemente por detrás assim que ele pára por um instante. 

— Eu juro que fiz isso por receio de te perder. 

— Você está doente, Suany. A sua obsessão de ter tudo está lhe fazendo muito mal. 

— Eu posso melhorar com você, meu amor. 

Ele se vira de repente e a encara. 

— Eu nunca imaginei que você fosse esse tipo de pessoa. Estou totalmente decepcionado com você. 

Richelle não te merece, meu amor. Eu fiz o que fiz por amor a você. 

— Uma gravidez falsa, Suany? 

— Por favor, meu amor. 

— Você passou dos limites. Eu não te amo mais. Acabou! 

E assim que ele a empurra devagar e se vira pra sair dali, ela pega um pedaço de pau que estava no meio do caminho e bate na cabeça dele, fazendo-o cair desmaiado. 

— Você e ela nunca serão felizes. 

Ao arrastar o corpo dele para perto do píer, ela joga no lago bem devagar. 

Ensanguentado, o jovem rapaz afunda aos poucos nas águas do lago enquanto Suany olha para ele, com aquele olhar frio e sério. 

E o mesmo olhar estava nos olhos dela, ao observar Fabiano em sua frente caído. Ela decide mexer nele, pra ver se tentava acordá-lo e percebendo que talvez matara, sai depressa do quarto levando seus pertences. 

Assim que desce as escadas com suas coisas, a empregada a encontra. 

— O que está fazendo aí parada? Trate de me ajudar a sair com minhas coisas. 

A empregada obedece e a ajuda. Chegando próximo da porta, Guilhermina a encontra. 

— O que você faz em minha casa, sua naja? 

Suany fica preocupada ao encontrá-la ali. 

— Posso saber o que a nojentinha faz aqui? — pergunta Guilhermina, com um olhar desafiador. 

— Eu só vim catar o que é meu. Não acho justo sair de uma relação sem levar nada. 

— Sabe o que não é justo, Suany: é a sua falta de integridade e essa cara de aproveitadora. Você não tem direito de levar nada daqui. — diz Guilhermina, fazendo sinal para os seguranças se aproximarem. 

— Eu estou cansada de todos vocês. Me deixa passar agora, Guilhermina! — diz Suany, já se sentindo um pouco tensa se Fabiano acordar e encontrá-la ali ainda na sala, depois do que ela fez com ele no quarto. 

— Você não vai levar nada de valor daqui, sua meretriz. — determina ela, séria. 

Percebendo os olhares dos empregados e dos seguranças e analisando melhor a situação, ela decide deixar algumas malas na sala. 

— Você venceu, por enquanto mas as coisas vão virar, acredite! Eu ainda vou catar tudo o que eu consegui nesses malditos anos que fiquei com o seu irmão. 

— Se retira da minha casa agora, ordinária! — diz Guilhermina, se posicionando contra a jovem de uma forma que nunca se posicionou antes. 

Suany olha pra trás e encara os olhares dos empregados, a olhando e virando-se a Guilhermina, consente, pegando apenas sua bolsa e deixando as malas tudo ali. Em seguida, na companhia dos seguranças, ela sai da mansão. Assim que passa pelo portão, um dos seguranças fecha com toda a força e ela sente uma raiva intensa por dentro. 

Guilhermina sente a ausência de Fabiano e pergunta aos empregados. Um deles avisa que ele estava no quarto com ela. A jovem sobe as escadas e encontra o irmão caído no chão desacordado. 

Desesperada, ela grita pra chamar a ambulância. 

 

Richelle atende a porta, assim que ouve a campainha e se depara com Lisiane. 

— Acho que precisamos conversar. 

— Ah! Você por aqui? Como está a vida, sem a Suany por perto? 

Lisiane sorri. 

— Não sou amiga da Suany. 

— Percebi. Aliás, não só eu. Dionatan também. Estamos perplexos com sua atitude, Lisiane. 

— Deixa disso, Richelle. Você sabe que entrei nesse jogo pra tentar me dar bem financeiramente. 

— Parabéns. Você conseguiu, minha cara! 

— Dionatan me deu um conselho de que eu precisava vir falar com você e realmente, ele está certo. Apesar de tudo, você me ajudou no início. Se não fosse por você, eu não teria chegado ao Fabiano. 

Richelle fica pensativa por alguns instantes. 

— Porra, Lisiane! Você deu um tiro no meu pé, se tornando amiguinha da Suany. 

— Mas acho que Suany não precisa saber que estamos tendo essa conversa, né? 

Richelle dá um sorrisinho e diz: 

— Você é bem esperta. Eu não me arrependo de ter lhe feito aquela proposta pra mudar de vida. 

Foi justamente por isso que me aproximei dela. 

— Bandida! 

Lisiane sorri e as duas se abraçam fortemente. 

— Você merece um prêmio por ter me feito de trouxa. 

— Eu nunca quis me afastar de você, Richelle. Apesar de você ser meio doida, eu gosto de você. 

— Meio doida? Eu sou doida! 

Lisiane sorri.