Diante de Verena em seu escritório à porta fechada, estavam Fabiano, Lisiane e a gerente encarregada. O olhar da socialite era de seriedade.
— Pois bem, eu acho que mereço uma explicação.
Fabiano decide falar.
— A culpa foi minha. Eu a beijei.
Lisiane, um pouco envergonhada, abaixa a cabeça e depois, completa:
— Acho que eu me excedi também. Desculpa, Dona Verena!
A socialite encara os dois sérios.
— Aqui é uma empresa de respeito. Tudo bem, meu filho, que você passou por situações difíceis ultimamente, mas essas coisas não podem acontecer aqui dentro, não.
— Me perdoa, minha mãe, mas eu nem pensei na hora. Só queria estar com ela— diz Fabiano, se declarando pra Lisiane na frente da mãe. — eu não me importei com mais nada na hora. Tenho sentimentos, mãe!
Verena muda sua expressão e reconhece que o filho estava bem resolvido em relação aos sentimentos com aquela jovem.
— Lisiane. — ela o chama pelo nome e faz a jovem erguer os olhos e encará-la de frente. — não se preocupe com o seu emprego, ok? Longe de mim querer te prejudicar aqui!
Lisiane se alivia e Fabiano se sente mais tranquilo.
A gerente decide se pronunciar nesse instante.
— Se a senhora Verena permitir, eu posso estar recolocando a Lisiane em outro setor pra que não ocorra mais situações como essa.
— Não. Negativo! Os dois estão apaixonados. — declara Verena, pra surpresa de cada um ali na sala. — eu vejo o brilho dos olhos deles. Pra que afastar? Nada vai mudar. Lisiane continua conosco, na área que atua bem.
— Muito obrigada. — diz Lisiane, se pronunciando agora.
— Querida, fica tranquila! Eu gostaria de ter uma conversa agora à sós com ela. Permitem? — pede Verena, soberana.
Fabiano consente e beija o rosto da mãe e se retira em seguida da sala, com a chefe de sua amada.
Assim que fica mais à vontade com Lisiane, Verena lhe faz uma pergunta:
— Esse envolvimento com meu filho é sério?
Lisiane se pasma com a pergunta dela, mas responde tranquila:
— A gente está se conhecendo, Dona Verena.
— Suany sabia da relação de vocês dois?
— De alguma forma, sim. — revela Lisiane. — ela chegou até me propor pra eu me afastar de Fabiano, senão eu correria o risco de ir pra rua.
— E você não se afastou.
— É impossível não se afastar. Por mais que a gente tentasse se afastar um do outro, o nosso sentimento sempre vencia. Dona Verena, eu juro que não queria ficar no meio da Suany e do Fabiano. As coisas aconteceram naturalmente e depois, perdeu o controle.
— Ele gosta de você, Lisiane. E de verdade. Não o magoe! Não, mais! — ela pede, encarecidamente.
Sem poder voltar pra casa da mãe, Suany opta em ficar em um apart-hotel pra tentar descansar sobre os últimos acontecimentos e entre vários goles de champanhe, cai na cama cansada. Toque de campainha a soar.
“Que saco! Nem aqui tenho paz!”
Assim que atende, se depara com Richelle.
— Ah, não! Você, não!
Richelle dá um sorrisinho de deboche.
— Surpresa!
— Vá embora, sua víbora! Some daqui!
— Como é bom te ver caída, né? — provoca Richelle, sorrindo.
— Estou caída agora, mas vou me erguer.
— Eu sei que vai. Mas não tão fácil quanto pensa.
— O que mais você quer, hein? Não era isso que queria? Me ver na lona.
— Você sabe que eu quero muito mais que isso. Esse foi apenas o começo da sua queda.
— Richelle, tanto que você fez que você conseguiu. Você jogou a família Salles contra mim de uma forma que me impressiona.
— Eu? Querida, eu não cheguei a fazer muita coisa, não! As suas atitudes que resultaram nisso.
— Estou cansada de ser pisoteada por vocês. Mas eu entendo a sua raiva. Tudo o que você mais queria era estar no meu lugar, não é isso?
Richelle sorri debochadamente.
— Em que lugar, Suany? Você não tem mais nada, querida!
— Graças a você, né?
Richelle, mais uma vez sorri com as palavras dela.
— Vá embora, Richelle! Eu não estou me sentindo bem pra te aturar hoje.
— Agora, o caminho está livre pra Fabiano ser feliz com Lisiane. — diz Richelle próximo do ouvido dela.
Suany lança um olhar desafiador pra rival.
— Lisiane sabe do perigo que a cerca.
— Eu não teria tanta certeza, minha cara. Ainda mais que agora Fabiano mostrou o verdadeiro interesse por ela. Ah, você não sabia? — provoca Richelle, ao ver a expressão estranha no rosto da jovem. — Lisiane e Fabiano se beijaram na empresa diante de tanta gente.
— Você quer me enlouquecer? Só pode! Fora daqui agora!
— Aceita que dói menos, Suany! Você nunca mais vai ter o seu Fabiano de volta e isso me traz muita alegria de verdade. Agora, passe bem! — diz Richelle, se afastando.
Ao fechar a porta, Suany cai aos prantos e sua raiva se torna maior.
Noemia pensa nas palavras de sua filha e decide fazer um teste com Fernando. Percebendo que o rapaz estava saindo do banho, ela decide observá-lo melhor para ver se acha a tal marca.
— Está tudo bem? — pergunta o jovem, sorrindo ao ver o olhar sério dele.
— Sim. Eu estou apenas pensativa em relação a minha filha.
Ele decide se aproximar dela.
— Já lhe disse pra não se martirizar tanto com Suany. Ela é bem crescidinha e você precisa seguir sua vida agora comigo.
— Eu não entendo quanto ódio sabe que ela tem da gente.
— Amor, ela quer chamar atenção. Sabe que perdeu o lugar na família Salles e agora, está querendo se meter na sua vida.
— Minha filha está incontrolável, Fernando. Eu não a reconheço mais.
— Ela sempre está dando um jeito de me colocar contra você. Eu acho que é melhor a gente até dar um tempo, sabe? Eu gosto de você pra caramba, mas sua filha não me aceitaria nunca.
— Fernando, não se sinta assim. Minha filha não manda no meu relacionamento.
— Mas parece que manda. Toda vez que ela chega aqui na sua casa e vocês discutem, você sempre fica diferente comigo.
— Eu não estou diferente com você, Fernando.
— Se você também não gosta de me ver aqui, fala. Eu vou pra minha casa. Dou um tempo pra você se quiser. Mas eu fico me sentindo um estranho aqui dentro, no meio desse embate entre vocês duas.
— Não é fácil pra mim, como mãe, entende?
— Sempre colocando o zelo de mãe na frente de tudo. Noêmia, sua filha não tem limites como você mesma disse. Segue sua vida e deixa ela com as escolhas erradas que ela mesma faz.
— Você está certo. Eu sempre tenho essa mania de ficar protegendo a Suany o tempo todo. Você acredita que ela teve a coragem de falar que te conhece bem?
— E você acha que eu já me envolvi com ela?
Noêmia fica pensativa e Fernando percebe.
— Viu como você acredita na sua filha facilmente? Ela te manipula.
— Não é isso, Fernando. Eu não me sinto manipulada pela Suany.
— Então, fala. Como ela me conhece bem?
— Eu não sei dizer, Fernando. Ela comentou que você tinha uma marca que a faz conhecer bem. Eu nem sei que marca é essa, porque também não vi.
Fernando fica sério diante de Noêmia e declara:
— Eu vou te provar que não tenho nenhuma marca no meu corpo. — diz ele, tirando a roupa.
— Por favor, não faça isso, Fernando. — ela tenta o conter, mas já é tarde.
Fernando fica nú diante de Noêmia e se vira pro lado e pro outro, pra mostrar pra ela que não existia nenhuma marca.
Como é possível??
— Satisfeita?
— Fernando... não precisava ter feito isso.
— Precisava, sim. — diz ele, colocando a cueca novamente.
— Me desculpa.
— Eu vou embora agora. Conversamos depois. — diz ele, colocando as outras peças de roupa e saindo em seguida.
Assim que sai da casa de Noêmia e entra no carro, Fernando se senta no banco do volante e desce um pouquinho a calça.
“Parece que o corretivo deu certo. Nada que uma boa maquiagem não resolva.”
Em uma cidade distante, tem uma pessoa que está prestes a ir pra Sete Lagoas.
— Tem certeza de que quer encontrá-la? — pergunta uma estranha mulher.
E ele, com um olhar sério diante do vídeo circulando no TikTok da noiva ser abandonada no altar, responde:
— Eu preciso encontrá-la.
— Sabe que corre perigo né se a ver?
— Com certeza, mas perigo maior vai ser ela tentar me matar novamente.
Dionatan visita Lisiane em seu apartamento e os dois bebem juntos.
— Agora que está rompida com Richelle, não vai me esquecer né?
— Dionatan, eu gosto de você. Só não dá mais pra ficar sendo amiguinha da Richelle, depois do que ela fez.
— Reconsidere, Lisiane. Richelle gosta de você.
Lisiane sorri.
— Será? Eu tenho minhas suspeitas.
— Lisiane, ela te tirou de um emprego e colocou na empresa. Te fez se aproximar dos Salles. Isso não lhe basta?
— Ela fez o que fez pra provocar a Suany.
— Não seja ingrata, Lisiane. Ela te ajudou e isso basta. Você tem que retribuir isso.
— Você está certo. Eu vou falar com ela. Estou um pouco chateada, mas vou seguir seu conselho. Apesar de tudo que houve, acho que preciso mesmo ter essa conversa com ela.
— Eu posso preparar esse encontro entre vocês, sem problema algum. Só marcar o dia, horário e local.
— Não é necessário. Eu vou a casa dela.
— Lisiane, você é uma boa pessoa. Você é íntegra, de bom coração. Eu tenho muito carinho por você.
— Dionatan, você se mostrou ser um amigo. Muito obrigada por tudo mesmo.
— Eu só acho que as pessoas precisam de uma segunda chance. Você e Fabiano estão próximos agora. Verena te adora. Tem seu emprego garantido, seu apartamento. Agora, precisa ver quem te ajudou a chegar nisso tudo né?
— Eu já entendi o seu recado e realmente, eu esqueci por um momento disso. Mas pensa, Dionatan, com a Suany no meu pé, não tinha como ficar próxima da Richelle também, entende?
— Super entendo, mas agora a sua amiga Suany caiu.
— Não somos amigas. Nunca fomos pra dizer a verdade. Eu só aceitei essa aliança da Suany, pra tentar me afastar do Fabiano. Não queria que nada desse errado.
— Acorda Lisiane! Deu tudo errado! Você tentou se afastar, mas não conseguiu.
— Pior que não mesmo, amigo. — confessa Lisiane, séria.

0 Comentários