Tony decide comprar roupas novas e com o dinheiro que Suany depositou em sua conta, resolve mudar o visual. Agora, com um jeito mais elegante e sedutor como sempre, já atrai olhares de quem passa por perto e aproveita, para dar entrada na compra de um carro zero. Ao receber as chaves do vendedor, o homem galanteador sorri feliz e coloca seu óculos escuros no rosto.
Tony observa o próprio reflexo no retrovisor do carro, antes de sorrir discretamente.
E o convite de participar do jantar de Verena vira uma chance pra Lisiane entrar na mansão e conhecer mais a fundo, a família Salles. Richelle já fica alegre com a notícia e vibra.
— A sua chance chegou, minha querida! Agarre essa sorte com todas as suas forças.
A jovem passa a mão na cabeça e Richelle já reclama:
— Você não vai dar pra trás agora, né?
— Não é isso, Richelle. Só estou pensando no Fabiano. É um jantar e ele estará acompanhado da noiva.
— Ah, relaxa! Vai ser inevitável esse encontro, sim mas você vai se sair bem e aposto que a tonta da Suany nem vai desconfiar.
— Você tem certeza mesmo disso?
Richelle se aproxima de Lisiane e a segura, firmemente fazendo a jovem a encará-la assustada.
— Você e o Fabiano já ficaram?
— Não… — diz ela, gaguejando.
— Então, relaxa! Se solta um pouco. Sabe qual é o seu problema, Lisiane?
A jovem fica confusa, mas não tira atenção dos olhos dela.
— Você tem medo de se arriscar. Precisa mudar, se você realmente deseja o Fabiano de verdade na sua vida.
— Eu fico insegura em relação a isso.
— Você é muito boba. Pense nas coisas que aconteceram até agora. Os bons resultados que conseguiu atingir, com sua simplicidade, educação e talento. Até a Verena gostou de você.
— Bem, isso é verdade…
— E minha querida, se você se recusar a ir nesse jantar, Verena vai ficar muito chateada. — diz Richelle, usando seu método manipulador como sempre.
Noêmia observa algumas fragrâncias femininas na vitrine e fica admirando. A vendedora se aproxima e traz um dos perfumes mais pedidos pelos clientes e pede pra ela sentir o aroma. A mulher fica encantada com o cheiro daquele perfume e pergunta pelo valor. A vendedora responde e ela fica indecisa, se comprava o perfume. De repente, Tony se aproxima dela e comenta:
— É uma fragrância bem recomendada e o aroma de flores de laranjeira misturado às notas de jasmin traz um frescor leve e descontraído pra qualquer momento do dia.
Noêmia se surpreende com aquele conhecimento do desconhecido e ao se virar pra ele, o encontra.
— Estranho. Acho que te conheço de algum lugar.
— Acho improvável, mas gostou?
— Como? — ela se indaga, um pouco confusa.
— Do perfume. — ele esclarece, sorrindo.
— Ah, claro! Bem convincente o seu comentário sobre o aroma. Deve conhecer muitas fragrâncias aqui, né?
— Alguns. Se quiser, levar eu posso lhe presentear.
— Ah. Não precisa de verdade. — se recusa Noêmia.
A vendedora interfere o diálogo:
— Eu posso recomendar outro, se desejar.
— Acho que ela gostou muito desse. — diz Tony, parecendo ser gentil.
— Eu gostei muito desse, sim mas não posso levá-lo agora. — insiste Noêmia.
— Se não quiser levar o perfume, me daria a honra de tomar um café comigo?
— Eu não posso aceitar o convite. Tenho algumas coisas pra resolver.
— Posso saber ao menos seu nome?
— Me chamo Noêmia e você?
— Fernando Tchezzi. — diz ele, pegando em sua mão e beijando.
— Prazer em conhecê-la, Fernando. Você é um homem muito educado, mas tenho impressão de que já nos conhecemos só não lembro bem de onde.
— O prazer é todo meu, minha querida. Eu não lembro se nos conhecemos antes, mas eu acho que gostaria de ter te conhecido. — diz ele, fazendo charme e sendo conquistador.
— Você sabe mesmo conquistar alguém na conversa, mas realmente hoje não consigo tomar um café contigo. — ela hesita por um momento.
— Poxa, que pena! Eu ia gostar de ter uma companhia. Conheço uma cafeteria que faz um café especial. Talvez te agrade!
Noêmia continua hesitante um pouco e o homem insiste.
— Acho que um cafezinho não vai atrapalhar muito.
Enquanto isso na empresa, Paulo se zanga mais uma vez com a sua funcionária e a destrata mal só por causa de um erro em alguns relatórios. A funcionária sai da sala arrasada, em lágrimas e aquilo chama a atenção de Fabiano que passa pelo corredor no mesmo instante. Ele decide entrar na sala do irmão e questionar pelo ocorrido.
— Não venha se meter no meu trabalho aqui, não! — diz Paulo, em tom rígido.
— Estou desconhecendo sua atitude. Você nunca agiu assim com sua funcionária. O que está acontecendo? — estranha Fabiano.
— Estou com pepinos pra fatiar e não se meta! Aqui quem manda sou eu!
— Nessa sala, sim mas na empresa não! Nenhum funcionário pode ser destratado dessa forma por ninguém aqui.
— Chegou o defensor dos pobres e oprimidos. — provoca Paulo.
— Realmente somos bem diferentes na questão de lidar com nossos funcionários e não preciso agradá-los pra ser respeitado.
— Você não é ousado como eu, Fabiano. Deve ser fácil viver sendo o favorito dela.
— Então, isso lhe incomoda? — afronta Fabiano.
— Você não imagina o quanto.
— Me desculpa, meu irmão mas não mudo meus atos por ninguém e nem por algo que possa comprometer meus princípios. — revida Fabiano, se sentindo cansado daquela discussão.
Paulo soca com toda a força a parede.
— Vá embora da minha sala!
Fabiano sustenta o olhar em silêncio e ao observar na mesa, percebe um papel, que parecia ser uma nota de compra e venda de uma joia para Dubai e fica em silêncio.
— Conversamos em outro momento, quando estiver mais calmo.
Fabiano se retira da sala, em seguida.
Ao chegar na sua sala, Fabiano decide fazer uma ligação para a secretária e discretamente, pede algo em sigilo absoluto.
— Eu posso ver o que consigo com essa informação. — diz a secretária, concordando.
— Preciso que seja bem discreta com isso.
Ao perceber que ela consentiu em ajudá-lo, Fabiano desliga o telefone.
Noêmia aceita tomar um café com Fernando (Tony) e os dois conversam à vontade. De repente, os dedos dos dois se tocam brevemente na mesa e ela solta devagar. Verena e Adonias passam por perto e encontram os dois conversando, um pouco distante.
— Parece que a Noêmia está bem acompanhada. — comenta ela.
— Estranho. Tenho a nítida impressão de que eu já o vi em algum lugar.
— Aquele homem? — ela se intriga.
— Sim. Mas ele está diferente.
— Talvez seja alguém que só conheceu de vista. Deve ser um homem importante. Olha como ele se veste! — identifica ela, de forma gentil fazendo Adonias consentir, ainda com uma expressão desconfiada.


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