Dias depois, Suany se encontra com Tony na casa dele às escondidas e os dois têm uma conversa séria.
— Minha mãe não devia ter vindo aqui. Que merda!
— Sua mãe é louca! Me desafiou na minha própria casa e me caluniou bastante, mas não pense que fiquei quieto, não! Ela também escutou poucas e boas. — se defende ele.
— Eu tenho que pensar num jeito de despistá-la. — diz ela, refletindo um pouco.
— Eu não sei como ela achou a minha casa. Provavelmente deve ter nos visto juntos alguma noite e me seguiu.
A jovem ao ouvir aquilo, o encara com um olhar sério.
— Isso não pode ter acontecido. Seria o nosso caos.
— De alguma forma, ela chegou até o meu endereço.
— Eu vou dizer a ela que terminamos tudo. Só assim ganhamos tempo.
— Suany, para de ser tola! Ela não vai acreditar nessa babaquice. Sua mãe é mais esperta do que pensa. — reclama Tony, impaciente.
— Eu tenho um plano melhor, meu querido e você vai fazer o que eu disser, direitinho.
— O que você tem em mente?
Suany dá um sorrisinho malicioso.
— Vamos ver se ela vai acreditar depois disso.
Aquelas palavras já deixam Tony curioso.
E a jovem não perde tempo mesmo. Naquela mesma noite, ela chega em casa aos prantos e Noêmia fica assustada.
— Minha filha, o que aconteceu? — pergunta a mãe, correndo até a filha pra ampará-la.
— Ele não presta, minha mãe. Bem que a senhora falou pra mim.
— Suany, o que aconteceu, filha? Você e aquele marginal se viram outra vez? Eu falei pra não ir ao encontro dele.
— Ele me encontrou na esquina e a gente discutiu. Ele me agrediu, falando que ia me matar. — e ela chorava, fazendo a mãe sentir mais ódio de Tony.
— Ele teve a coragem de te bater? Mas isso não vai ficar assim, não! Ele vai se ver comigo.
— Ele foi preso, mãe na mesma hora. — declara ela, com ar de cinismo e falsidade.
— Você chegou a fazer algum boletim de ocorrência contra ele?
— Nãoooo! Não, mãe e nem posso! Se esqueceu que eu tenho um compromisso de casamento com Fabiano. Isso seria vazado e cairia como uma luva pra ele e pra família dele.
— Ah, meu Deus! Isso é verdade! — consente Noêmia, já caindo na mentira da filha. — Mas e como vai ficar essa situação?
— Mãe, eu não posso me encontrar com Fabiano e a família dele nessas condições. Preciso de um tempo pra ficar aqui com a senhora. Me ajuda, mãe! Pelo amor de Deus!
Noêmia passa a mão na cabeça, aflita e consola a filha, carinhosamente.
— Mas aquele marginal vai ter que pagar por isso.
— Ele vai pagar, minha mãe! Foi pego em flagrante e a essa hora, já está atrás das grades. Filho da mãe! Covarde!
— Eu sabia que ele não era de boa índole. Eu alertei várias vezes, mas você não me escuta.
— Acabou, mãe. Não quero mais olhar pra cara dele. — diz Suany, mesmo abraçada à mãe, não demonstra arrependimento algum.
Tony se muda pra um apartamento de um conhecido e joga a chave sobre o balcão antes de observar o local vazio.
“Vou sentir falta da minha casa, mas foi uma boa jogada da Suany.”
De repente, ele recebe uma mensagem no WhatsApp.
“Deu tudo certo. Ela acreditou em mim e está com muito ódio de você.”
Tony se alegra por dentro e depois, se serve de um vinho.
“Ela está com ódio agora, mas assim que eu tomá-la nos meus braços, ela vai passar a me amar.”
No dia seguinte, Noêmia chega na delegacia procurando por Tony e o delegado alega não ter recebido nenhum detento na noite passada com esse nome. Ela fica confusa e o descreve fisicamente pra ele, que decide anotar num pequeno bloco.
— Estranho… não entrou ninguém com esse nome aqui.
— Mas não é possível. Esse mesmo homem foi pego em flagrante na rua, após ter agredido fisicamente a minha filha.
— Se temos uma agressão física envolvida, precisamos verificar a situação imediatamente. Tem o endereço dele pra nos passar? Algum contato de telefone?
Nesse mesmo instante, ela decide encerrar o assunto em imediato após se lembrar de um detalhe importante: o casamento da sua filha com Fabiano e a possibilidade de algo vazar.
— Pior que não sei o endereço dele e nem o número de telefone. — ela desconversa. — eu só sei a fisionomia dele, porque o conheço.
— Minha senhora, como deixa a sua filha se envolver com uma pessoa que não tem o contato e nem ao menos sabe o endereço dela?
— Pois é, eu acabei pecando nisso. — diz ela, tentando desviar o assunto.
— Vamos deixar aqui a sua queixa no nosso sistema e quando tiver o endereço e o telefone desse indivíduo e quiser formalizar uma denúncia, só nos procurar. — diz o delegado, se sentindo cansado e Noêmia agradece.
Uma semana depois…
Verena anuncia oferecer um jantar em sua casa e informa as empregadas da mansão. Noêmia recebe o convite e agradece gentilmente pelo carinho. Adonias e a esposa também são convidados. Richelle fica sabendo da ocasião e já fica pensativa em relação a Lisiane. Agora que sabe que a amiga conheceu Verena, a possibilidade de ela se tornar presente pode ser um passo importante. E na empresa, a socialite analisa alguns papéis em sua mesa acompanhada de sua fiel secretária.
— Eu vou precisar de uma funcionária pra atender em minha casa.
— Eu posso verificar isso pra senhora o mais rápido possível.
— Não! Espere um pouco. Tem uma que conheci semanas atrás.
A secretária a encara um pouco.
— Deixa-me lembrar o nome dela. Calma aí!
Ela permanece em silêncio por alguns segundos antes de sorrir discretamente.
— Ah, lembrei: Lisiane. — diz Verena, em bom tom, com ar de satisfação. — chame ela pra essa noite de jantar em minha casa.
— Pode deixar, senhora! — diz a secretária, consentindo. — algo mais?
Verena dispensa a funcionária, que em seguida, se retira da sala.
“Não sei por que, mas gostei dela. Boa menina. Até parece eu mais jovem com aquele pensamento idealista.”

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