Adonias pede pra a esposa se sentar e, diante dela, decide dar-lhe alguma explicação sobre aquela situação.
— Mas isso é absurdo, meu amor! A família da Verena precisa ficar ciente disso. — se revolta Mafalda.
Adonias toma de sobressalto, nesse instante.
— Foi a própria Verena que me pediu sigilo absoluto sobre esse assunto.
Mafalda fica boquiaberta com aquela revelação.
— Isso é um segredo de estado. Ninguém pode saber da traição de Suany, antes do veredito final dela. Entendeu?
— Eu estou chocada com isso, meu amor. — diz Mafalda, se sentindo arrasada por dentro. — conheço essa família há anos e nos tornamos tão próximos deles, que um disparate desses é algo que não consigo tolerar. Essa Suany não presta!
— Eu também fiquei muito surpreso com isso, minha querida!
— Sinto pena do Fabiano. Considero ele como um filho. Se tem uma coisa nessa vida que não aceito é traição. Desgraçada!
— Calma, amor! Temos que ter todo o cuidado agora com Suany. Ela não pode desconfiar que sabemos, ok?
— Não se preocupe, querido! — diz ela, beijando seus lábios. — minha boca é um túmulo! — e se retira, deixando-o sério.
Suany coloca Fabiano contra a parede, só por causa de um comentário que ele deixou escapar naturalmente e ele tenta dar uma disfarçada.
— É apenas uma amiga do trabalho. Não tem o que se preocupar.
— Mesmo assim, eu não gosto que saia com alguém do seu trabalho. Estamos prestes a se casar e lá naquela empresa, tem muito bisbilhoteiro. — se faz de aborrecida, fechando a cara.
Fabiano se aproxima de Suany e lhe dá um beijo, fazendo carinho nos cabelos.
— Eu te amo muito e precisa confiar em mim.
— Eu até confio, meu amor mas não confio nos outros. Tem muita gente que inveja o nosso relacionamento. Eu não quero te perder pra ninguém.
— Você nunca vai me perder, Suany. De onde tirou isso?
— Eu fico insegura no que podem fazer contra a gente.
— Pára com isso. Ninguém vai fazer nada contra o nosso relacionamento. — reclama Fabiano, em tom sério. — e além do mais, não saí com ela sozinho. Saímos com um grupo de amigos também. — ele mente.
— Sério?
— Sim. Eu sou noivo. Tenho princípios. — rebate Fabiano, tentando virar o jogo.
— Sendo assim, está tudo bem. E eu sei que você nunca me decepcionaria. Você é uma pessoa boa e eu não tenho motivos pra desconfiar de você. — ela acredita, caindo no jogo dele.
Fabiano beija os lábios de Suany e em seguida, lhe abraça forte mas no pensamento vem o rosto de Lisiane dando aquele sorriso.
Dias depois…
Verena chega na empresa pra trabalhar e já tem uma pasta de documentos pra ser analisado por ela. A secretária já organiza tudo em sua mesa. Nesse mesmo momento, o gerente do restaurante recebe uma ligação e decide chamar Lisiane em seu escritório. A jovem, chegando até o escritório, senta diante do rapaz que lhe dá uma missão.
— Mas eu não vou ficar atendendo no salão do restaurante hoje?
— Não, minha querida. Hoje você vai pro terceiro andar. Vai atender a Verena Salles.
— Mas justo a Verena? — seu coração palpita.
A jovem fica insegura, já que nunca se encontrou com aquela socialite rica e poderosa.
— Tem algum problema? — pergunta o gerente, desconfiando.
Ela dá um sobressalto.
— Não. É que é a primeira vez que vou encontrá-la e fico insegura apesar de ser nova no trabalho também.
— Já entendi, Lisiane! Está preocupada em oferecer um atendimento à Verena. Olha: ela é uma pessoa simples, de bom coração e como eu estou vendo o seu desempenho aqui no restaurante, achei de bom grado que seria conveniente você hoje prestar um serviço para ela, exclusivamente. Vai por mim: alguns funcionários aqui já fizeram esse tipo de trabalho e ela sempre tratou eles superbem. Quando existe uma necessidade de subir uma atendente lá pra cima, estamos sempre analisando aqui.
— Entendi. Bom, obrigado pela confiança! Darei o meu melhor. — diz Lisiane, se prontificando.
— Começa de baixo pra cima, Lisiane! Sempre! — reforça o gerente, sorrindo.
— Acho que eu já entendi o que quis dizer.
— Tem pessoas que trabalharam aqui no restaurante e que hoje, são exclusivamente funcionários do terceiro andar. Quem sabe, não pode ser você! Agora, pode ir!
Lisiane se retira do escritório e uma das funcionárias curiosa, pergunta como foi a conversa com o gerente. Quando ela diz que vai subir pro terceiro andar, as funcionárias se alegram, comentando:
— Menina, você conseguiu! Se você prestar um bom trabalho lá, pode ser sua chance de ser promovida.
Dionatan se encontra com Richelle e os dois conversam sobre Lisiane.
— Você acredita que a Lisiane está apaixonada pelo Fabiano?
— Acredito. Ela é linda! — admira Dionatan.
— Nem vem com isso, viu? Te conheço muito bem.
— Mas é sério, Richelle. Não estou mentindo. Sou homem e acho ela linda, sim. Desde que a gente se encontrou naquele restaurante, eu passei a admirá-la.
— Você também está caidinho por ela?
— Quem sabe. — diz Dionatan, piscando o olho.
— Você não presta. Não banque o apaixonado, viu? Lisiane não pode se distrair do plano.
— relaxa. E eu também nem sei se ela me acha atraente.
A jovem fica com um olhar sério sobre o amigo.
No terceiro andar, Lisiane é recebida por uma gerente que lhe dá instruções de como trabalhar naquele local. Assim que inicia um breve bate papo com a jovem, ela analisa o currículo, faz poucas perguntas e o principal, olha a recomendação do gerente do restaurante, e em seguida, analisa bem a jovem em sua frente.
— Nada mal. Seu gerente me disse boas competências de você aqui.
— Fico lisonjeada por tudo. — agradece ela, gentilmente.
— Vamos fazer um teste de uma semana pra ver como se sai aqui. Não tem muito segredo. Você vai desempenhar a mesma função que desempenhava lá, porém com algumas limitações. Aqui, você não precisa ter acesso à cozinha. Cada um aqui tem suas funções a fazer.
— Mas eu estarei próxima da senhora Verena Salles?
— Com certeza e ela é um amor de pessoa. Fica tranquila! Seu atendimento é essencial pra ela.
A jovem dá um sorriso meigo e se sente aliviada um pouco.
E o encontro acontece em poucos minutos.
Lisiane recebe uma bandeja de café, dado por outra funcionária e ela passa pela secretária e depois por um corredor até chegar na sala da própria dona da empresa. O coração quase sai da boca quando chega próximo a porta. E ela bate educadamente. Ao ouvir que podia entrar, ela obedece e fica cara a cara com Verena Salles.
— Bom dia! Tudo bem?
— Oi bom dia, senhora Verena! Estou bem e a senhora?
— Graças a Deus. Você é a atendente nova, certo?
— Sou sim. Eu fico muito feliz por atender a senhora. Sempre tive vontade de conhecê-la pessoalmente.
— Sério. Já gostei de você. Senta aí, menina!
— Eu não sei se devo. — diz a jovem, se sentindo envergonhada.
— Deixa de ser boba. Vamos conversar um pouco.
A jovem obedece mais uma vez e senta diante da dona do Empire Essencials.
— Acho que estou sonhando acordada. Estar diante da senhora é incrível.
— Ah, não seja boba! Nem sou tudo isso. — diz Verena, percebendo a insegurança dela e sorrindo, deixando o clima mais agradável. Eu quero saber de você! Quais são seus planos? Como você conheceu aqui?
A jovem conta um pouco da sua vida pra socialite, que fica atento a cada palavra dita e Verena como sempre, com um coração bondoso e sem malícia alguma, também fala sobre si e no final das contas, a conversa fica tão boa que saindo do escritório, a jovem fica sem saber o que dizer.
“Agora eu entendo porque todos admiram essa mulher.”
Paulo recebe uma ligação e fecha parcialmente as persianas da sala.
— Isso. Desse jeitinho mesmo. Ah, claro! Aquele colar de topázio é uma relíquia. Sei. — e ele, faz as negociações novamente com Dubai.
De repente, a funcionária entra sem bater e isso traz um clima tenso. Paulo interrompe a ligação abruptamente e acaba reprimindo a jovem.
— Quantas vezes, eu já lhe disse pra não entrar em minha sala sem bater a porta?
— Me desculpa, senhor Paulo.
— Eu poderia estar falando com alguém importante aqui. Você não tem decência, respeito? Fora da minha sala, sua insignificante!
— Mas eu precisava te trazer esse documento. Precisa ser assinado hoje!
— Assino outra hora. Fora daqui, incompetente! — diz ele, em tom autoritário e desrespeitoso.
Assim que a funcionária fecha a porta, ele continua na ligação.
— Eu quero que esse colar de topázio chegue no prazo certo, ok! E que se dane a nota fiscal. Faça o seu trabalho e não me torra o saco mais com isso. Vocês são pagos pra isso e virem-se pra dar um jeito nisso!
Lisiane termina mais um expediente, dessa vez com uma expressão de que o dia foi bem satisfatório e assim que aperta o botão do elevador, percebe que a luz acesa indica que está em processo de subida. Ela aguarda até que as portas se abrem.
O reencontro de Fabiano acelera mais seu coração.
— Você? — ele pergunta, com um sorriso.
A jovem também se anima ao vê-lo ali diante dela.
— Que bom te ver por aqui.
— Está perdida?
— Não. — diz ela, com um sorriso. — comecei a trabalhar aqui no terceiro andar. Sou atendente exclusiva de sua mãe.
— Isso é muito bom. Parabéns de verdade! Poucos têm a oportunidade de conseguir uma vaga dessa.
— Acho que preciso te agradecer. Você está sendo um cara bem legal comigo, me incentivando em tudo.
— Esqueceu que eu preciso fazer algo diferente na minha vida. Você me fez pensar diferente sobre algumas coisas. — diz ele, em tom suave.
Lisiane sorri com as palavras de Fabiano e o encontro dos dois já levanta certos burburinhos entre as funcionárias.
“Olha só, a novata dando em cima do filho da patroa.”
Suany maltrata a empregada que lhe serve café.
— Você não serve nem pra fazer um café direito. Olha isso: café com pouco leite, torrada com manteiga mal passada, credo!
— Eu vou fazer outro, Suany! Fica tranquila! — diz a empregada, retirando a bandeja assim que ouve a reclamação.
— Eu não sei porque ainda me dou o trabalho de vir tomar café na casa da minha mãe. Você nem sabe fazer as coisas direito. Vou falar com ela pra ela te demitir.
— Por favor, Suany! Preciso desse trabalho. — implora a empregada.
— Faça por merecer. — rebate Suany, brava quando Noêmia chega.
— Pode se retirar, Elisa. Deixe-me á sós com ela.
A empregada se retira.
— Mãe, a senhora precisa demitir essa folgada. Nem sabe servir um café direito. Eu vou achar alguém mais competente pra vir trabalhar aqui.
— Cale-se, Suany! Estou farta de você! — diz a mãe, mudando de expressão.
Suany fica em choque ao ouvir aquilo da mãe e fica sem entender.
— Você não tem direito de exigir nada nessa casa. Aqui quem manda sou eu e se eu tiver que demitir alguém, eu mesma farei.
— Mãe, mas ela…
— Cale-se! Agora, você vai me escutar.
A jovem fica com um olhar sério e assustada.
— Por que ainda se encontra com aquele Tony? Não tem vergonha nessa sua cara?
A jovem tenta desconversar aquele assunto e Noêmia pega firme.
— Eu estive na casa dele, filha. Eu falei algumas verdades pra ele.
— Mãe, a senhora não tem esse direito.
— Cale-se! Fica quieta e me ouve! A partir de hoje, eu não quero ver vocês se vendo mais.
— A senhora não pode determinar isso.
Noêmia pega pelo braço da filha e diz, em tom severo:
— Ou você esquece Tony de uma vez por todas ou eu vou fazer o meu papel de mãe: eu conto pro Fabiano sobre seus encontros amorosos.
— A senhora não seria capaz de fazer isso com a sua própria filha.
— Experimenta, Suany! Por mais que me doa muito ver você perder a chance de entrar pra família Salles, eu mesma tomarei providências se você insistir nessas pegações com aquele marginal, bandido! — diz ela, tensa e deixando o ultimato para a filha que fica sem chão.

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