Tony se revolta com as ameaças daquela senhora e a expulsa da porta de sua casa.
— Isso não vai ficar assim, ouviu? Aproveitador! Desgraçado!
— Por favor, vá embora! Me deixa em paz!
— Se você destruir o casamento da minha filha, vai ver com quantos paus se faz uma canoa. — declara a senhora, já tensa.
— Sua filha me ama e você não pode impedir isso.
— Eu não vou deixar Suany estragar a vida dela com um cretino como você.
— Posso ser o seu melhor genro, sogrinha! — debocha Tony, fazendo Noêmia lhe dar um tapa em seu rosto.
— Minha filha tem futuro com Fabiano e você vai ficar longe dela, ouviu?
Tony permanece em silêncio por alguns segundos antes de responder.
— Tem coisas que a senhora nunca vai entender sobre eu e Suany.
— Quanto você quer, seu pilantra? Eu pago o quanto que for pra ver minha filha feliz e longe de você.
O semblante de Tony muda imediatamente.
— Eu não preciso do seu dinheiro.
— Mas dela, você quer né seu calhorda, sem vergonha! Fala logo: quanto? Eu conheço tipinhos como você. Gosta de dinheiro fácil.
— A senhora está me ofendendo. Se retira, por favor!
— Você não me engana, patife! Por dinheiro, você faria tudo até se envolver com minha filha, porque sabe que ela casando, você teria um porto seguro.
— A senhora não me conhece realmente. Não sabe da minha vida pra falar tais asneiras assim.
— Eu não preciso conhecê-lo. Seu olhar já diz tudo! Pega essa grana, marginal! — diz ela, jogando algumas notas de dinheiro no rosto dele. — Fica longe da minha filha! Recado está dado!
Noêmia se afasta e Tony fica sério, observando as notas de dinheiro caídas no chão e de repente, lhe vêm algo em mente.
Richelle se encontra com Lisiane e as duas conversam seriamente.
— Posso saber o motivo desse encontro, Lisiane?
— Richelle, eu estou em dúvidas sobre essa proposta.
— Está apaixonada por ele? — ela faz essa pergunta, de imediato percebendo a expressão da amiga.
— Não. — diz ela, dando um sobressalto. — por que me pergunta isso?
— Lisiane, eu não sou tola. Sou observadora e eu sei que anda se encontrando com Fabiano. Podia ter sido mais honesta e ter me dito que tinha conhecido ele na lanchonete. Você nunca muda mesmo.
— Eu só achei que não era o momento.
— Você nunca me conta tudo. Por que não admite de uma vez por todas que está mexida com ele?
— Eu estou gostando do Fabiano, sim mas não estou apaixonada por ele. — revela ela, sentando um pouco.
— Isso é muito bom. Bom mesmo, sabia? — diz Richelle, se aproximando e pegando em sua mão. — eu te subestimei. Não achei que você ia conseguir e acabou que deu certo.
— Lisiane, eu não posso seguir em frente com esse plano. Eu posso perder tudo, mas não quero que ele sofra uma decepção.
— Você é tão boba, Lisiane. Ele já vai sofrer uma decepção, na verdade. Lembra que a traição da Suany ainda existe e que ele não sabe disso?
— Mas eu não sou a Suany, Richelle. Ela está traindo a confiança dele e eu não quero trair também, entende?
— Lisiane, pense bem: você não está o traindo. Você está o salvando.
A jovem fica séria ao fitá-la.
— Richelle…
— Continue saindo com Fabiano. Se aproxime mais dele. Ganhe a confiança dele. Se apaixone cada vez mais por ele, se for melhor pra você, mas não deixe escapar uma chance de tirá-lo da Suany. Ele não merece ela. — diz Richelle, pegando em sua mão firmemente. — e eu já ouvi boatos de que ele está gostando de você também. — mente.
— Gostando de mim? Bom, apesar que eu ouvi isso da boca dele mesmo…
— Então, Lisiane! Você está fazendo bem pra ele. Fabiano está cada vez mais diferente e até pensando, em novos planos. — mente mais uma vez.
— Nossa! Ele me disse que queria fazer algo diferente na vida dele e até dei conselhos, acredita?
— Então, não seja tola e nada de desistir dos nossos planos. Fabiano precisa de você, minha querida! Agora, me confessa uma coisa, sinceramente! Você está apaixonada de verdade por ele?
A pergunta de Richelle lhe impacta e ela por mais que tenta disfarçar, não consegue.
— Eu estou um pouco mexida sim, com o jeito que ele me trata.
— Eu sabia! — diz Richelle, não demonstrando surpresa. — se você realmente gosta dele de verdade, lute por isso. Quem realmente merece estar naquela mansão é você, e não Suany! E a partir de hoje, minha querida: quero que me conte tudo ok?
Lisiane consente, ainda um pouco desconcertada.
Tony pensa nas palavras de Noêmia e decide pesquisar sobre ela, nas redes sociais. Ele vê fotografias, postagens e revira tudo sobre a vida dela.
“Já que a mãe tem grana suficiente pra me separar de Suany, por que não tentar outro investimento?”
Tony olha a fotografia de Noêmia e fica admirando.
“Eu quero você agora.”
Suany chega na mansão um pouco tarde do que era normal e Fabiano desconfia.
— Meu amor, desculpa o atraso. Tive uns contratempos com a minha mãe e acabei me atrasando. Peço desculpas por não ter acompanhado vocês no jantar.
Fabiano fica com um olhar sério sobre a jovem.
— Suany, realmente sentimos a sua falta no jantar mas eu passei na sua casa mais cedo e você não estava lá, nem sua mãe.
A jovem fica surpresa com as palavras dele e decide raciocinar algo, pra desviar aquela desconfiança.
— Amor, é que a gente tinha saído pro shopping. Eu fui na manicure, fiz minhas unhas e olha como estão. — ela mostra as mãos pra ele. — lindas né? E eu também encontrei a Richelle. Lembra dela?
— Sua arqui-inimiga. Vocês não se falam há muito tempo, desde a escola.
— Passado. A gente deixou nossas picuinhas de lado e estamos bem uma com a outra. Está com saudades de mim, meu amor? — diz ela, o abraçando e fazendo carinho em suas costas.
— Pensei em você, sim. Mas eu também saí hoje à noite.
— Ah é! Ah amor, e você está com o cabelo molhado. Essas roupas também estão molhadas. Parece que pegou uma chuva lá fora. — diz ela, observando as roupas dele encharcadas.
— Eu preciso de um banho. Quer vir comigo? — ele a convida.
— Não, amor. Agora não! Mas me conta: saiu com amigos do trabalho?
— Saí com uma amiga nova que conheci na empresa. Gente boa, viu?
O sorriso dela desaparece por um instante.
— Que amiga é essa, Fabiano? — questiona Suany, já se sentindo enciumada em relação ao futuro noivo.
Fabiano sente que falou um pouquinho demais da conta.
Adonias observa fotos da traição de Suany e fica pensativo sobre a mesa. Ele espalha as fotos pela mesa do escritório e sem querer, uma delas acaba caindo no chão sem ele perceber. Ao perceber passos no corredor, ele recolhe as fotos às pressas quando a esposa bate à porta.
Assim que ele guarda tudo, decide atendê-la.
A esposa lhe dá um beijo na boca e entra porta adentro, trazendo seu café.
— Poxa amor, não precisava ter esse trabalho.
— Precisava sim, senhor. Passa o maior tempo trabalhando e não se alimenta direito. Tem que comer, viu? Você já é um senhor idoso.
— Você sempre me proporcionando um cuidado que admito: é incrível!
— Eu cuido de você, porque você é especial pra mim.
— Oh, minha querida! — diz Adonias, a abraçando carinhosamente quando ela percebe uma foto da Suany caída no chão.
— Amor?
Adonias se afasta um pouco da esposa.
— O que houve, mulher?
— Que foto é essa? — pergunta a esposa, pegando a fotografia no chão. — meu Deus, essa é a Suany! O que ela faz com esse homem aos agarros?
Adonias fica sem saber o que falar ao ouvir aquele questionamento.


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