Guilhermina aproveita que Lisiane se afastou e se aproxima de seu irmão Fabiano, que estava um pouco disperso em relação a funcionária.
— Ela é muito bonita, né? — comenta a irmã, tentando ver qual a reação dele e a resposta vem imediatamente, certeiro.
— E como. — diz ele, sem pensar e sem olhar pra trás.
Guilhermina sorri e Fabiano percebendo, se vira pra ela e o encontra surpreso.
— Guilhermina?
— Relaxa, irmão. Não vou comentar com ninguém, nem com Suany.
— Muito obrigado. Eu não sei o que deu em mim agora. — diz ele, passando a mão pela cabeça, preocupado pelo equívoco que cometera.
— Você realmente quer se casar com a Suany?
A pergunta de Guilhermina soa um tanto impactante pra ele.
— Claro, minha irmã. Mas que pergunta é essa?
— A impressão que eu tenho, Fabiano, com toda a clareza é que você está tentando mentir pra si mesmo.
Guilhermina convida o irmão para se sentar um pouco no banco ali próximo do jardim.
— Eu realmente confesso que a Lisiane me atrai um pouco.
Guilhermina recrimina o irmão, fazendo um gesto negativo.
— Um pouco, não, meu irmão! Bastante! Eu percebo o jeito como vocês se olham. Só é cego quem não enxerga isso.
— Estou dando muito na pinta, assim? — se preocupa ele.
Ela consente e ele se levanta do banco um pouco tenso.
— Fica calmo. Senta!
— Você ainda não foi convincente com a sua resposta. Seja sincero, meu irmão!
— Eu acho que não vou conseguir mentir pra você dessa vez.
Guilhermina pega na mão do Fabiano e diz, carinhosamente:
— Seja o que estiver acontecendo em seu coração, não tome atitude precipitada em relação ao casamento. Você tem que se casar por amor verdadeiro e não, por receio de magoar ninguém.
Fabiano se sente aliviado com aquelas palavras e pega a mão de Guilhermina e beija, com respeito.
— Eu sou grato por ter uma irmã como você! Muito obrigado de verdade!
— Fabiano, eu só quero te ver feliz e ponto final.
Ele consente.
Noêmia se encontra com Tony e estranha a demora dele. Os dois conversam um pouco e se abraçam. Ele inventa uma desculpa e ela acaba caindo na mentira dele. Mas um assunto entra em pauta, no diálogo dos dois.
— Eu acho que teve gente que não curtiu ver nós dois juntos.
— Quem, Fernando? — ela se indaga.
— Sua filha. Ela me encontrou e passou uma indireta.
Noêmia fica séria com aquilo que ouvira.
— Mas ela não pode fazer isso com você. Fui eu que te convidei pra esse jantar!
— Eu senti por um momento, que não sou digno de estar com você. — declara o rapaz, se fazendo de bom moço.
Suany os encontra juntos e solta seu veneno:
— Eu não quero ver esse homem com você!
— Como é que é, minha filha? E desde quando você manda em mim? — Noêmia muda o semblante, repentinamente.
— Estou de saída, Noêmia! — diz Tony, se retirando e deixando às duas sozinhas.
— Ele não serve pra você, minha mãe! Ele está atrás do seu dinheiro.
— É deprimente o que você faz com as pessoas, Suany!
— Mas mãe…
— Só porque eu estou bem, feliz e me sentindo uma mulher realizada, por ter achado uma pessoa muito melhor que seu pai e você levanta acusações desse tipo. Não tem vergonha?
— A senhora está sendo ingênua, minha mãe!
— Chega! Você passou dos limites. O Fernando pode ser mais jovem um pouco do que eu, mas eu sei que ele é uma pessoa íntegra, boa…
— Para, mãe! Ele não se chama Fernando. Ele mentiu o nome dele pra se aproximar de você. — reclama Suany, tentando lhe abrir os olhos contra o ex amante.
— Hoje você está incontrolável! Meça as suas palavras antes de falar algo do Fernando, ouviu? Você não sabe o que está dizendo.
Verena chega e tenta conter a discussão entre mãe e filha.
— Pelo amor de santo Deus, o que está havendo entre vocês duas?
Suany e Noêmia ficam sérias diante da dona da casa.
— Me perdoa, Verena mas eu já estou de saída. — diz Noêmia, percebendo que aquela discussão não podia continuar mais ali.
— Desculpa, minha sogra. Eu acho que me excedi um pouco.
— Tem algum problema que vocês queiram dividir comigo? Eu posso ouvi-las e sei lá, tentar ajudar de alguma forma. — diz Verena, se dispondo a conversar com às duas seriamente.
— Não é necessário, minha sogra. — diz Suany, recusando.
— Certeza? — questiona Verena, ao olhar firme para Noêmia dessa vez.
Noêmia também consente e agradece pelo carinho da bondosa senhora.
— Agradeço pelo jantar. Foi muito importante. E muito obrigado por tudo!
Verena dá um breve sorriso e às duas se retiram em seguida. Ao dar um leve aceno, o olhar dela lança uma desconfiança. Por mais que às duas tentassem disfarçar o indisfarçável, era evidente que o atrito não foi por acaso.
Aproveitando que Verena já estava desacompanhada, Mafalda que passava por perto, pede licença ao esposo e vai ao encontro da amiga.
às duas se cumprimentam, abraçando-se e em seguida, Mafalda faz um agradecimento pelo jantar e sem rodeios, ela declara que não está a favor do enlace entre Suany e Fabiano.
— Peço desculpas por interferir nesse assunto. Sei que não é da minha conta opinar, mas eu estou sabendo de tudo.
Verena observa por todos os lados e pega pelo braço de Mafalda e entra por uma pequena sala.
— Mafalda, pelo amor de Deus, não toque nesse assunto aqui! Estamos entendidas?
Ela concorda e Verena continua:
— Meu filho não pode saber disso. Seria um impacto muito grande pra nossa família.
Nesse momento, Lisiane passa por perto e acaba sem querer ouvindo a conversa dàs duas.
— Mas ela o trai, Verena! Isso não pode ficar impune. Eu sinto pena do seu filho.
Verena tenta tranquilizar Mafalda.
— Eu vou agir na hora certa. Não se preocupa! Não vou deixar o meu filho casar com essa mulher.
— Você tem o meu apoio, Verena! Conte comigo! — diz Mafalda, sorrindo apertando a mão dela.
Lisiane fica em silêncio após ouvir aquilo.
Noêmia entra no carro em que Tony estava e ele decide puxar assunto com ela.
— Você está bem? Parece um pouco angustiada.
Noêmia se sente cansada por um momento e passa a mão nos cabelos.
— Foi uma noite agradável, mas, ao mesmo tempo, tensa. Eu e minha filha não estamos nos entendendo mais como era antes.
— Imagino. Suany não aprova a nossa relação. Percebo isso!
— Ela está incontrolável, fora dos limites. Você acredita que ela teve a coragem de me falar na minha cara que você está atrás do meu dinheiro e está usando identidade falsa?
Tony fica sério diante de Noêmia e decide fazer seu jogo sujo.
— Você acha que ela está falando a verdade?
— Eu não posso acreditar na minha filha mais. Ela mente!
— Sua filha vai tentar nos prejudicar de alguma forma.
— Ela tem que entender que não manda em mim.
— Noêmia, não quero perder o que estamos construindo.
O olhar de Noêmia muda com aquela declaração e Tony segura sua mão fortemente.
— Vamos ser felizes juntos. Só eu e você em Fortaleza.
Noêmia fica séria com aquele convite.
— Mas eu não posso abandonar a Suany agora. Por mais que ela se opõe contra a gente, ela é minha filha.
— Você prefere ficar com sua filha, então? — reclama Tony, tentando de alguma forma influenciá-la.
— Como vou ficar longe da minha filha? Ela pode precisar de mim.
— Me perdoa, Noêmia, mas se ela realmente pensasse na sua felicidade, ela nunca ia se opor em nossa relação.
Na manhã seguinte, Verena fica cara a cara com Paulo em seu escritório.
— Mandou me chamar, minha querida mãe?
Verena fica observando o jeito do filho.
— O que a senhora quer de mim, agora? — ele pergunta após ver a expressão dela séria.
Verena pega uns papéis em cima de sua mesa e diz:
— Senta aí, Paulo!
O filho obedece e fica diante da mãe, que o encara sério.
— A auditoria me passou alguns levantamentos e apontou uma quebra de estoque indevida em relação a joias preciosas.
— Nossa, mãe! Eu pensei que fosse algo mais sério.
— Mas isso não é algo sério?
— Ah, mãe! Fica tranquila! Isso é erro de sistema mesmo, mas estamos resolvendo já. Foi uma falha de atualização e já tem um técnico, fazendo essa manutenção.
— Você sabe que eu sou leiga nesses assuntos, mas quando existe uma falha na empresa, isso precisa de uma atenção especial porque se ocorrer algum problema, afeta todo o fechamento de vendas.
— Estou ciente disso, minha mãe. Fica tranquila que o seu filho sabe resolver as coisas, tá bom! — diz ele, se aproximando da mãe e dando um beijo em seu rosto. — talvez um dia, a senhora perceba quem faz as coisas acontecerem aqui na empresa e dá o seu verdadeiro mérito.
— Eu sei sempre reconhecer quem dá o melhor de si aqui dentro, Paulo.
— Isso é verdade. A senhora nunca escondeu isso, explicitamente. Tenha um ótimo dia, minha mãe!
Verena se sente mais tranquila em relação a falha do sistema e Paulo se retira da sala.
Assim que fecha a porta, o semblante tranquilo desaparece assim que atende um telefonema.
— Mas isso é sério? Justo hoje! Prepara tudo! Tenho que sair do país imediatamente e pra hoje, ouviu?
Algumas horas se passam e a secretária trabalha em sua mesa, quando dois policiais chegam acompanhados de um oficial de justiça.
— Bom dia! Gostaria de falar com a senhora Verena Salles?
A secretária, um pouco assustada, aciona a chefe e em seguida, os três entram pelo escritório dela.
— Bom dia! — cumprimenta Verena. — Em que posso ajudá-los?
— Bom dia, senhora Verena Salles! Estamos cumprindo um mandado judicial.
Verena pega o documento.
— Deve haver algum engano.
— A investigação aponta movimentações financeiras irregulares ligadas à sua empresa.
— Isso é um absurdo.
— A senhora terá oportunidades de prestar esclarecimentos. Mas neste momento precisará nos acompanhar. A senhora está detida preventivamente.
A matriarca da família Salles se vê irredutível naquela situação.

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