Chegando no apartamento, Richelle e Lisiane se abraçam fortemente e a ex atendente de lanchonete resolve contar tudo o que houve. Sem demonstrar surpresa, Richelle comenta:
— Eu já imaginava que isso aconteceria.
Lisiane fica com os olhos arregalados sobre ela.
— E por que não me contou nada?
Richelle enche um copo de uísque e se vira a jovem.
— Eu estive com a Suany e a preparei para a realidade.
Lisiane fica com um olhar sério.
— Eu deveria ter sido consultada né? Aquela mulher nojenta me falou coisas horríveis e você não me contou nada do encontro que teve com ela.
— Lisiane, calma! — diz Richelle, tentando tranquilizá-la.
— Calma o cacete! Você quer me ferrar, é isso? Que droga de proposta é essa, hein?
— Eu já falei pra você ficar calma.
Lisiane coloca as mãos na cabeça e de repente, toma o copo de uísque dela e entorna no chão, atirando o objeto que cai em mil pedaços. Richelle sente a raiva da jovem naquele momento.
— Eu estou cansada de me fazerem de boba! Eu posso perder tudo o que tenho, mas nunca vou deixar de seguir meus princípios. Eu sou uma pessoa íntegra e não mereço passar por humilhações nessa vida, nem ser comandada por ninguém.
— Eu acho que está muito nervosa, e gostaria que me ouvisse um pouco.
Lisiane dá um sorrisinho.
— Por te ouvir tanto que acabei ouvindo coisas que não queria.
— Eu errei, sim. Admito. Deveria ter preparado você antes pra esse encontro com a Suany. Me desculpa!
— Nojenta miserável! — diz ela, lembrando das palavras de Suany.
— Eu entendo que está com raiva, mas eu quero o melhor pra você.
Lisiane desconfia com um gesto.
— É verdade? Eu te tirei daquela lanchonete horrível. Te coloquei na empresa dos Salles. Você chegou a entrar na mansão deles. Se aproximou do Fabiano.
— E tudo isso pra quê? Me diz? Voltar pra estaca zero?
— Não. Você não vai voltar pra estaca zero.
— Suany me fez uma proposta. Se eu não aceitasse, eu perderia o meu emprego.
— É claro que você aceitou, né pelo seu emprego?
— Justamente, aceitei. — confessa Lisiane. — pelo meu emprego. Tenho um apartamento novo que preciso cuidar, embora nem seja meu de verdade.
Richelle fica pensativa com as palavras de Lisiane e se aproxima dela.
— E como fica a nossa proposta diante disso?
— Nada mudou, Richelle. Agora sou eu que determino as cartas. Eu vou me aliar a Suany contra você. Vou fazer o jogo dela.
— Mas eu te ajudei, Lisiane? É dessa forma que me retribui?
— Fica tranquila, minha querida! Você vai ver do que sou capaz.
Algumas horas depois, uma presença masculina encontra Lisiane em um restaurante bem distante dali e os dois trocam um papo, em particular.
— Como foi o encontro com a Suany? — ele pergunta, curioso.
— Detestável. Mas foi da forma que você imaginou mesmo. — ela relata.
— Mas confesso que você se saiu bem no final das contas.
— Tento, né? Entrei nesse jogo pra não perder nada. Agora, preciso agir na discrição e seguir cada etapa.
— Se precisar de mim, já sabe. Tem meu contato!
— Com certeza! — ela diz, sorrindo.
— E quanto às novidades?
— Descobri uma coisa importante. Parece que Verena e Mafalda sabem da traição dela com esse tal de Tony.
— Legal. E o que mais? — pergunta ele, curioso.
— A chata da Suany desaprova a relação da mãe com um cara chamado Fernando. As duas não estão tão próximas mais.
— Interessante. Você acha que consegue se inteirar mais do assunto?
— Posso dar um jeito, mas não prometo. — diz Lisiane, tomando uma taça de vinho.
O desconhecido pega na mão dela, carinhosamente e ela recua.
— Ainda gosta dele, né?
— Sim. Eu não posso mentir pra você. Ele foi a melhor coisa que me aconteceu, nesse jogo de mentiras.
— Entendo. — ele consente. — sabe que tenho sentimentos por você.
— Obrigada por não me deixar sozinha nessa, mas não posso corresponder. — ela agradece, gentilmente.
— Desde o momento que te conheci, eu te falei que você não ficaria sozinha nesse jogo da Richelle e quanto aos meus sentimentos, eu admito que perdi feio. — o desconhecido diz, em claras palavras, fazendo ela ficar mais tranquila e abrindo um sorriso discreto.
— Eu e você temos uma amizade boa. Não desperdice isso!
Suany chega na mansão toda alegre, com várias sacolas de compras e encontra Fabiano à sua espera na sala.
— Oi amor, como foi seu dia? — ela pergunta, lhe dando um beijo na boca e largando as sacolas em cima do sofá. — Ah, estou me sentindo tão cansada! Não imagina o dia que tive.
Fabiano a encara sério e pega o celular.
— Enquanto a nossa família passa por apuros, você se diverte fazendo vídeos na rede social e principalmente, comentando sobre a prisão da minha mãe.
Suany fica com um olhar assustado e tenta se defender.
— Amor, eu realmente não fiz por mal intenção e nem pra me divertir às custas de ninguém. Minha sogra é inocente dessas acusações medíocres que lançaram contra ela. Logo, a mídia esquece disso.
— Você não podia ter exposto a minha mãe nas redes sociais. Eu estava preservando a nossa família da mídia e você estragou tudo.
— Mas o caso é tão sério assim, amor?
— Você não percebe o quanto errou com ela? Minha mãe quase foi presa por irregularidades na empresa, fruto de algo implantado pra incriminá-la. — reclama Fabiano. — Você me decepcionou muito!
Fabiano se retira da sala e deixa Suany sozinha.
— Amor, onde você vai a essa hora da noite?
O empresário não responde e fecha a porta com toda a força.
Saindo da mansão, ele telefona pra Lisiane que atende imediatamente.
— Fabiano, acho melhor não nos vermos hoje!
— Eu preciso te ver. Por favor!
— Fabiano…
— Por favor, Lisiane! — insiste ele, até que ela consente.
Chegando numa praça, os dois se encontram e se sentam um diante do outro.
— Desculpa insistir, mas eu queria muito te ver.
— Fabiano, acho que a gente precisa se afastar. — pede Lisiane, evitando qualquer contato dele.
As lembranças do encontro com Suany, a proposta de Richelle em fazê-la infiltrar na família dele, a mudança brusca de vida que teve… vêm à tona de repente, tentando fazê-la pensar muito antes de continuar aquela conversa, mas o olhar dele a faz esquecer tudo isso.
— Tem coisas nessa vida que não dá pra evitar, Lisiane. — e ele pega na mão dela de repente.
— Por que você é assim, teimoso, hein?
— Quanto mais eu tento me afastar, mas penso em você.

0 Comentários