Ao folhear o caderno e ouvir da própria boca de Richelle aquela declaração que confirma tudo que Suany tentava esconder, a socialite a encara com um olhar sério assim que fecha o caderno bem devagar. 

  Richelle, por que não me procurou antes pra dizer isso? Eu iria ouvi-la. 

Senhora Verena, eu não tive coragem de vir até aqui e falar de Suany, porque confesso que tive receio de uma reação sua. 

  Os preparativos do casamento estão todos fechados e eu estou prestes a ver meu filho cair numa cilada. Imagina como seria difícil pra mim interferir nisso agora, mesmo sabendo da verdade? 

Senhora Verena, me perdoa por não a ter procurado antes, mas devia impedir isso a qualquer custo. Seu filho não merece passar por isso. 

Eu terei uma conversa franca com a minha futura nora. 

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Sério? E quanto a isso? Ela aponta para o caderno. 

Não preciso disso. Acho que já entendi perfeitamente. 

Eu quero te agradecer por ter me recebido. — diz Richelle, apertando a sua mão. 

Tudo bem. Só me confirma uma coisa se puder. 

Claro! 

Conhece bem esse amante da Suany? 

Não. Mas tem uma pessoa que a senhora conhece e que também está por dentro da traição dela? 

Quem, Richelle? — se indaga Verena. 

Noêmia.  

Verena fica de olhos arregalados e agora, encaixa as peças do quebra-cabeça como aquele atrito que viu em sua casa, na noite do jantar. 

 

E mais tarde, Verena faz uma visita a Noêmia. 

Desculpa vir sem avisar, mas como estamos quase perto do casamento de nossos filhos, queria conversar algo importante à sós em particular. 

Que isso, senhora Verena! Fique à vontade. A senhora sempre pode me visitar. A casa é sua! 

Muito obrigada Noêmia, mas eu estou preocupada. 

Preocupada? 

Verena não hesita e decide jogar logo as cartas. 

Noêmia, eu não sou nenhuma boba em relação ao que observo. 

Como assim, senhora Verena? 

Eu sei da traição de sua filha e exijo que como mãe também, expresse sua opinião referente a isso. 

Noêmia se cala por um instante e Verena continua: 

A gente se conhece há muito tempo e sempre abri as portas da minha casa com todo amor e carinho. Mas sinto que a cada dia levo uma apunhalada pelas minhas costas.  

Senhora Verena... 

Por favor, ainda não terminei. Se o plano de sua filha é bagunçar com a vida do meu filho, que esse casamento não aconteça. Você sabe como sou justa em relação as coisas que desaprovo. 

Eu não sabia que minha filha tinha um caso fora do casamento. 

Verena se aproxima da janela e observa a vista do lado de fora e continua: 

Não queria que ela se casasse com meu filho. 

Eu sinto muito senhora Verena, mas quando soube, também desaprovei isso. Eu estive na casa dele e o ameacei. Mas não se preocupe: Tony e Suany terminaram. Ela me disse isso com todas as letras depois que o maldito a agrediu fisicamente. 

Ela sofreu agressão física dele? Ele foi preso, ne por isso? 

Não a denunciamos por conta do casamento mesmo, mas ela relatou que ele foi preso em flagrante na mesma noite. Estive na delegacia para verificar isso. 

Verena se vira a Noêmia. 

Poderia ter me dito a verdade. Imperdoável isso! Estou deveras decepcionada! 

Senhora Verena... 

Eu vou te dar um conselho: não conte pra Suany o que eu te disse, porque se isso acontecer as portas da minha casa serão fechadas definitivamente pra você. 

Noêmia engole a seco e Verena se retira da casa dela. 

 

Assim que Verena Salles vai embora, Noêmia se lamenta pelas atitudes da filha e resolve mexer em seus guardados novamente, a fim de pegar uma caixa com as provas da traição. Avaliando novamente as fotografias, ela pega um recipiente de cerâmica e ao colocá-las dentro, acende um fósforo e tasca fogo em seguida. 

“Se depender de mim, minha filha não saberá disso.” 

Sem perceber que estava sendo monitorada por uma microcâmera instalada num dos objetos em cima da estante e que via o ambiente inteiro, Tony dá um sorrisinho ao olhar a cena pelo seu celular. 

 

Verena chega numa parte da joalheria de sua empresa e mostra uma foto à uma designer de jóias de sua confiança. As duas apertam as mãos. Em seguida, ela se encontra com Adonias e os dois vão para uma cafeteria. 

— Eu tive uma conversa desgastante com uma pessoa que não imaginava que me decepcionaria. 

— De quem está se referindo que lhe deixou aflita assim? 

— Noêmia. Você acredita que ela sempre soube das escapadas da filha e nunca me contou nada. 

— Nossa! E vocês se conhecem há bastante tempo, hein? 

— Inaceitável isso! Eu estou muito decepcionada com ela. 

— Imagino. E quanto à Suany? 

— Essa vai ser a próxima que vai me ouvir. Não perde por esperar. — diz Verena, decidida. 

 

Suany chega na casa da mãe e estranha o comportamento dela. 

— Posso saber o que faz aqui? 

— Calma! Eu vim em paz. Não quero discussão. 

— Acho bom. Já estou farta de você! — revela Noêmia, já se sentindo cansada. 

— Eu não quero me afastar da senhora, só por causa de suas escolhas amorosas. Se a relação de vocês vai bem, beleza. Mas vim te dizer uma coisa importante: fica de olho nele! Confia em mim, minha mãe! 

Noêmia a encara friamente. 

— Eu já confiei em você várias vezes, Suany! E pra quê, hein? Nada mudou! Suas mentiras sempre me afastaram de você aos poucos. 

— Tudo bem. Recentemente, meti os pés pelas mãos. Mas eu mudei, minha mãe. Nem tenho mais me encontrado com aquele Tony, que agora deve estar em outra cidade e tal vivendo a vida dele com outra pessoa. — solta Suany, sem querer esquecendo-se de uma mentira que havia contado a mãe há semanas atrás. 

— Pera aí, Suany. Esse Tony não estava preso? Pelo que eu sei, ele foi preso em flagrante na noite em que agredira você fisicamente. 

Suany fica séria com a declaração da mãe. 

— Não, mãe eu quis dizer... 

— O que está me escondendo, hein? — força Noêmia, percebendo mais uma mentira da filha. — Você chegou aqui arrasada, aos prantos toda machucada por um homem que não foi parar na cadeia? Está protegendo aquele marginal por quê? 

— Não, mãe. Não é isso... 

— Por isso, que nunca confio em você. Sempre tentando me enrolar com esse teu jeitinho falso. Você é minha filha, mas não presta. E eu tenho que reconhecer: puxou ao seu pai, que não valia porcaria nenhuma. 

— Meu pai foi um homem bom pra mim. Ele tinha os defeitos dele, mas sempre me considerou muito. 

— Ele foi um traste que não soube cuidar de ninguém dessa casa. E não venha tentar amenizar a situação, não porque você está errada. Está indo pro mesmo caminho do seu pai, com tantas mentiras e isso não é legal. 

— Olha aqui, mãe. Eu só vim aqui pra te alertar desse tal Fernando. Se quiser, escutar beleza. Mas se não quiser ouvir, não tem problema nenhum. Quem vai se ferrar é a senhora mesma e não vem me procurar depois, não! 

Noêmia abre a porta da casa dela, nesse instante. 

— Sai agora! Vá embora daqui, mentirosa do caralho! Vá pra casa da Verena ou do seu amante, mas me deixa em paz! 

— Você vai se arrepender muito de não me dar ouvidos. 

— Sabe qual é o meu maior arrependimento, Suany: é de ter criado você. Você é o meu desgosto. Mente, trai, manipula. Ah, não quero mais ver sua cara aqui não! Fora! 

— Mãe, a senhora não vai nem ao meu casamento? Eu preciso da senhora lá comigo! 

Noêmia fica séria em relação ao pedido da filha. 

— Me esquece! Não vou estar no dia do seu casamento. Agora, me dê licença! 

Suany se retira da casa da mãe, com lágrimas nos olhos e a porta é fechada com toda força. 

Pela microcâmera, Fernando observa tudo. 

 

Fabiano se encontra com Lisiane no parque e os dois decidem conversar um pouco. 

— Em alguns dias, acontece o meu casamento com Suany. 

Ele decide pegar na mão dela, carinhosamente. 

— Fabiano, isso tem que acontecer. Afinal de contas, é uma cerimônia mais esperada do momento. 

— Mas seria bom se a noiva fosse você. 

Lisiane dá um sorrisinho. 

— Você é tão fofo, mas temos que ser bem realistas. Dá pra perceber que a Suany te ama de verdade. 

Fabiano larga a mão de Lisiane por um momento e fica sério. 

— Mas sinto que não estou mais conectado a ela, sabe? 

Lisiane se aproxima mais um pouco dele. 

— Fabiano, a gente tem uma conexão boa. Eu também gosto de você, mas esse casamento é importante não só pra Suany, mas sei lá pra sua família também. Acredito que tem muita grana envolvida. Dona Verena deve ter feito um baita investimento só pra ver você feliz. 

Fabiano a encara. 

— Mas ela fez, sim. Investiu muito nesse casamento. 

— Agora, imagina você dispensar tudo isso. 

— Eu vou me casar com a Suany. Farei isso pela minha família, mas por mim, não é bem isso que quero e você sabe disso perfeitamente. Eu estou aqui olhando nos seus olhos e abrindo meu coração. 

— Fabiano... 

— Lisiane, entenda. Esse casamento é um erro. Eu já estou sendo errado em subir no altar com uma mulher que não desejo mais. 

— Eu sinto muito mesmo, mas viu: eu não queria me meter entre vocês dois. 

— Não se sinta culpada de verdade! Eu também errei. Me envolvi com você de uma forma especial. Foi natural. 

— Não, Fabiano. Eu me aproximei de você porque eu queria entrar no seu mundo, conhecer melhor você. 

Fabiano a encara sério e pega em sua mão e a beija. 

— Eu sempre desejei entrar no seu mundo e te conhecer melhor, Lisiane. 

— As coisas não são fáceis. Eu tenho uma vida diferente da sua, Fabiano. 

— Não importa. Mesmo assim, queria fazer parte dela. 

E de repente os dois olhando um pro outro, acontece novamente o beijo. A conexão de Lisiane e Fabiano é tão forte que nenhum dos dois conseguem resistir um ao outro. O carinho, a atenção, a troca de palavras... Por mais que ela tente recusar algo dele, ele sempre dá um jeitinho de mostrar mais o seu interesse por ela. E por mais que ela falasse algo contra, pra ele não tinha a mínima importância. Fabiano está com um pé no altar, mas o pensamento dele já tinha outro foco e Lisiane sabia que o coraçãozinho dele não tinha lugar mais pra Suany. E naquele instante, ela simplesmente decidiu não se afastar. 

Beijo-na-praca