Alguns dias depois... 

Château de Chenonceau, França. 

O dia da cerimônia mais aguardada chegara e Suany está vivendo quase um conto de fadas. Vai se casar com um dos homens mais sucedidos da elite empresarial e claro, se tornar parte da família Salles, um dos seus maiores desejos de vida. Só que onde há fumaça, há fogo e Verena com certeza, já tem bons gravetos pra fazer qualquer incêndio acontecer. 

A primeira coisa que Suany entra em um dos quartos principais do castelo, é pra fazer a maquiagem. Com o cabelo já feito e usando o seu vestido branco, ela fica sob os cuidados de algumas funcionárias que tentam deixá-la bem apresentável pra aquela cerimônia tão linda e cheia de glamour. Assim que retoca a maquiagem e passa o batom, uma batidinha sob leve na porta e uma das funcionárias atende gentilmente. Era a Verena Salles que entra, já dispensando os serviços deles e ficando à sós com ela. 

— Minha futura sogra, estou tão feliz que nem imagina. 

— Eu devo imaginar tamanha felicidade. Esse lugar é magnífico. Foi uma boa escolha eu ter investido pra fazer o seu casamento com o meu filho. 

— Dona Verena, eu me sinto tão honrada de fazer parte disso. Estou realizando um sonho. 

— Eu também preciso te mostrar algo superimportante. — e ela tira da bolsa uma caixa dourada azul e a entrega. 

— Nossa! Que linda caixa! O que se trata, dona Verena? 

— Abre, querida! — incentiva Verena. 

Suany abre a caixa bem devagar e assim que olha o cordão de diamantes com a pedra de esmeralda, se apaixona. 

— Meu Deus! Que linda! Maravilhosa essa pedra. Nossa! Amei! 

Verena pega a caixa da mão dela com a joia, meio que repentinamente e comenta: 

— Essa joia é muito especial pra mim, Suany. Quando me foi entregue, claro, passando de geração a geração, eu fui designada a repassá-la somente se a pessoa for merecedora dela. 

Suany arregala os olhos pra Verena. 

— Ela é linda. Eu posso experimentar? 

Verena a encara. 

— Mas é claro! — ela tira a joia da caixa com cuidado e coloca no pescoço da futura nora. 

O objeto pesa um pouco seu pescoço e ela sente. 

— É um pouquinho pesado. 

Verena sorri. 

— Só usei no dia do meu casamento e depois guardei como lembrança. Minha avó me deu de presente na noite em que me casei com meu falecido esposo. 

— Sinto muito por isso. Mas que linda joia. Reluz diante de mim no espelho. — ela comenta, deslumbrando a peça em seu pescoço e o espelho em sua frente refletia sua imagem e a da Verena, que estava atuando bem na falsidade. 

— Eu acho que a joia combina bem no seu pescoço, minha querida. Deixe-me só ajeitar seu cabelo aqui! — diz Verena, arrumando o cabelo da jovem, pra deixar bem destacado o colar. 

— Sério? Estou tão apaixonada por essa maravilha. Que esmeralda mais linda, hein? — diz ela, fascinada. — Mas dona Verena, a senhora falou sobre merecimento. Isso significa que sou merecedora, então? 

Nesse instante, Verena fica em silêncio e depois responde: 

— Não, querida. Você não é merecedora. 

Noiva-e-sogra-diante-do-espelho

— Como assim, dona Verena? — se indaga ela, com um olhar bem sério. 

Pra ser merecedora de verdade e receber essa joia, que foi passada de geração em geração, a pessoa no mínimo precisa ser de bom coração, ser autêntica, gentil, fazer as coisas certas por mais que cometam erros de vez em quando e que principalmente, nunca traem a confiança naquilo que é depositado. 

— Eu não estou entendendo aonde quer chegar com essas palavras. 

— Você me decepcionou muito, Suany! Me fez acreditar que era uma pessoa boa, merecedora. 

— Minha sogra, o que está havendo? Quem falou algo contra mim? 

— Por favor, deixa eu falar. Não me interrompa! 

Suany se cala. 

Há alguns meses atrás, eu pedi pra investigar suas saidinhas da academia e aí, minha querida que descobri aquilo que você estava ocultando de todo mundo: o seu caso secreto com um jovem rapaz chamado Tony. 

Suany engole a seco aquelas palavras. 

— Eu mesma fiquei em choque quando vi essas fotos. Minha futura nora se esfregando com um outro homem e o pior de tudo, meu filho acreditando que você nunca faria isso com ele. — diz Verena, jogando as fotos comprometedoras diante dela, em cima da penteadeira. 

Suany fica extremamente imóvel, e assustada. Ver aquelas imagens diante dos seus olhos, é como ver a sentença final. 

— Eu cometi um erro no passado, mas eu amo o seu filho. — ela tenta se justificar, diante de tal fatos registrados. 

— Ama? Meu filho se soubesse dessa traição sua, jamais pisaria naquele altar. Você sabe perfeitamente disso! 

— Por favor, dona Verena. Eu quero ser feliz com o seu filho. Deixa-me casar-se com ele. Eu mudei muito e essa culpa da traição dói muito. 

— Por mim, não haveria casamento, mas eu penso, Suany no meu filho primeiramente. Depois tem a mídia, a reputação da família, o escândalo que vai ocorrer se vocês não se casarem naquele altar. Você está entendendo o quanto o seu erro vai afetar em nossas vidas de modo geral? Passa pela sua consciência isso? 

— Eu confesso que errei, sim com o Fabiano. Não deveria ter tido esse romance secreto, mas eu estou aqui suplicando pra senhora não contar nada a ele. 

— Da minha boca, ele não vai saber, mas da sua, sim. 

— Por favor, dona Verena. Não me faça sofrer justo no dia do meu casamento com o seu filho. Ele não merece. 

— Não. Hoje nem quero que ele sofra. É um dia especial pra muita gente. Mas Suany, eu não estou feliz com isso, pode acreditar! 

— Me perdoa, dona Verena. Eu estou muito triste com isso. 

— Pode ficar com a joia, Suany! Não é digna de tê-la, mas pode ficar. 

— Eu não quero que a senhora se afaste de mim por conta disso. Eu vou melhorar daqui pra frente. Eu prometo! 

Suany se joga aos pés de Verena, que fica imóvel. 

— Não prometa aquilo que você não pode dar, Suany! Você já fez o erro. E esse erro vindo à tona, vai destruir tudo. A nossa família, o Fabiano. E por conta do seu erro, até sua mãe se afastou de você. 

— Eu não tenho mais nada com o Tony. Juro! 

— E mesmo que tenha, Suany, será que vai conseguir enganar o meu filho por muito tempo? 

— Não. Eu juro! Não estou mentindo. A gente se afastou mesmo. 

— Olha, Suany: você vai se casar com o meu filho hoje, mas depois da sua lua de mel, você vai se afastar dele e pra sempre, ouviu bem? 

— Mas eu amo o seu filho, dona Verena. Me perdoa! 

— Aceite o meu pedido de coração. Eu vou te recompensar com uma quantia suficiente pra te manter durante um certo período de vida. Nada vai lhe faltar, prometo, mas eu preciso da sua cooperação. 

— Dona Verena, a senhora está me ofendendo agora. Eu não quero o seu dinheiro. Eu quero o seu filho pra sempre! — ela muda de expressão. 

— Mas eu não quero te ver na minha família pra sempre. Entendeu ou preciso desenhar? — diz Verena, levantando um pouco mais o tom de voz pra ela. 

— Mas... 

— Aceite o meu pedido e faça, sem discordar. Pelo menos, até o período do casamento passar. Depois eu penso no que fazer pra calar a mídia em relação a separação de vocês. 

— Fabiano não vai admitir isso. 

— Você é boa de historinhas. Sabe mentir bem. Vai conseguir sair dessa relação depois, sem causar danos. Eu só não quero te ver na minha família. Apenas isso! Respeita minha decisão! 

— Quanto ódio de mim. Eu nunca imaginei... 

— Que sua máscara cairia. É isso? Que a sua traição nunca seria descoberta por mim? 

— O que a senhora está me pedindo pra fazer é arriscado. 

— Eu não compactuo com mentiras, Suany. Você acha que eu estou satisfeita olhando o meu filho todo feliz se casando com você? Se olha no espelho novamente e veja a si mesma o quanto essa dor maltrataria o pobre do meu filho. Você não tem consciência, não, garota? 

Suany fica séria e coloca as mãos na cabeça. 

— Você quer viver o seu conto de fadas? Viva! Mas esse conto de fadas não vai ser pra sempre, não, minha querida. Aguente o peso das consequências que você mesma teve a coragem de criar. 

Os olhos de Suany lacrimejam diante das palavras rígidas de Verena. 

— Eu estou muito angustiada com tudo isso. Por favor, me deixa sozinha. 

— Pensa em tudo que falei, Suany! Faça o que eu lhe pedi e todos ganham, inclusive você. E se você não fizer, minha querida pode ter certeza, mas eu farei da sua vida um inferno. — diz Verena, determinada. — Nem que eu precise colocar o seu passado diante de você mesma. Você não quer isso, quer? 

Suany enxuga as lágrimas rapidamente e a encara friamente. 

— Como assim? 

— Eu tive acesso ao caderno de anotações e recortes da Richelle. Toda a sua vida estava estampada lá. 

— Eu posso explicar isso.  

— Não, minha querida. Não se explique. Já está tudo bem explicadinho lá. Bom, vou deixar você sozinha por enquanto. Não demores. Tem um noivo te esperando no altar e não tolero atrasos. E sorria! Acho que é o mínimo que precisa fazer. — diz Verena, deixando a caixa em cima da penteadeira e se retirando do quarto. 

Suany começa a chorar sozinha diante do espelho e usando aquela peça brilhante em seu pescoço. Sem Noêmia no lado, a jovem sente a ruína se aproximando aos poucos. 

 

Diante dos convidados, Fabiano se sente um pouco disperso no altar e Verena se aproximando de Adonias, percebe. 

— Meu filho parece distante. O que está acontecendo? 

Adonias não sabe informar e Verena estranha. 

Os convidados aguardam a cerimônia acontecer e os fotógrafos já ficam registrando tudo, sem perder nenhum detalhe. O padre já começa a estranhar a demora da noiva e Fabiano se sente apreensivo. 

Lisiane surge em seus pensamentos de repente e as lembranças do beijo já passam repentinamente. Fabiano se lembra dos encontros com a jovem e na troca de conversas, no olho a olho, no toque físico... 

E aquela dispersão de Fabiano já fica notório para os convidados que ficam cochichando entre si. Guilhermina se preocupa e Verena se aproximando dela, diz: 

— O que está acontecendo com o seu irmão? Ele está estranho! 

— Não, fica tranquila! Deve ser a ocasião. — diz Guilhermina, tentando tranquilizá-la. 

Mafalda ao lado de Adonias, fica séria em relação a Fabiano e segura o celular fortemente contra o peito. Ela decide se ausentar do local. 

De repente a música começa a tocar e todos os convidados se levantam. 

Surgem passos pelo corredor. 

E lá vem a noiva. 

Suany, acompanhada de algumas damas de honra e totalmente só, caminhando até o altar em passos lentos. 

Verena lança um olhar sério sobre ela assim que ela passa por perto e assim que chega próximo de Fabiano, o padre inicia o matrimônio. Alguns convidados percebem a ausência de Noêmia e acaba gerando certos comentários. Guilhermina também percebe essa ausência e comenta com Verena, que dá de ombros, alegando não saber de nada. 

Fabiano e Suany se posicionam no altar e olham um pro outro, dando as mãos. Aquelas mãos nervosas de ambos. Troca de olhares bem sérios. O clima tenso misturado ao ambiente tão lindo e grandioso. Os fotógrafos em peso, equipes de repórteres, convidados de renome nacional e internacional, enfim... várias testemunhas que estavam aguardando ansiosos por aquele momento único e especial. 

Um sorrisinho discreto desponta dos lábios da noiva, como se tudo estivesse fluindo bem. 

É o dia mais feliz da minha vida. — comenta a noiva, usando um colar de esmeraldas. 

Fabiano, o noivo, sorri ao ouvir tais palavras. 

Também é o meu, minha querida! 

Noivos-de-maos-dadas

O casamento de Fabiano e Suany entraria pra história da alta sociedade, só que na hora que o padre pergunta se tem alguém que tem algo a dizer pra impedir aquela cerimônia, uma voz feminina surge do nada, declarando aos quatros ventos, diante de tanta gente, presenciando a união e quebrando um pouco do silêncio que havia no local. 

— Ela não pode se casar com ele! Esse casamento é um erro! 

O choque se faz presente nos rostos de cada indivíduo ali, principalmente pra Verena que começa a perceber que a sua família estava prestes a ser arruinada. Nesse ínterim, uma nuvem negra paira na cabeça de Suany, que já começa a perceber que tudo tem um preço a ser pago.