Assim que Richelle termina de conversar com Dionatan, decide ir na cômoda e pegar um caderno de anotações e recortes colados. Folheando as páginas do caderno, ela se recorda de antigas lembranças envolvendo grandes amizades, relacionamentos passados e tempos de escola. As pequenas menções de ex-colegas de escola, as fotografias, os planos tracejados de um futuro que não aconteceu…

Cada página parecia lembrar o quanto ela havia sido ingênua. Desde que foi traída pela própria amiga na escola, a única coisa que resta agora é vingança.

Jovem-olhando-caderno-de-recortes

Isso parece ser um tipo de vingança. Essa Suany te fez algum mal?”

O questionamento de Lisiane surge em seus pensamentos e ela, imediatamente, fecha o caderno com toda a força.

Sim. Ela me fez muito mal. Ela se fez de amiga, roubou meu namorado, traiu minha confiança e quase prejudicou minha vida. Se depender de mim, ela vai cair feio agora e eu vou fazer de tudo pra destruí-la.”

Em seguida, ela manda mensagem no WhatsApp pra Lisiane e assim que a jovem recebe, lê em imediato.

Eu já sei do seu encontro com Fabiano.”


A jovem fica surpresa, ao ler a mensagem e Fabiano percebe sua expressão.

Aconteceu alguma coisa?

Não. — ela tenta disfarçar.

O café está bom? – pergunta ele, sorrindo.

Está ótimo. Só estou achando esse encontro arriscado. Você tem…

Lisiane. — ele pega em sua mão, de repente e ela sente um calor. — estamos apenas conversando. Fica tranquila! E aqui é um local superdiscreto.

Eu não posso perder meu emprego, Fabiano. Podem nos ver juntos e deduzir algo que possa nos prejudicar. — diz ela, se sentindo tensa.

Eu só queria a sua companhia pra conversar um pouco. Como te disse, eu gostei de você. Parece-me ser uma pessoa autêntica.

Sua noiva pode não gostar desse nosso encontro.

Eu e a Suany confiamos um no outro. Nós temos pensamentos distintos, mas temos uma boa conexão.

Eu admiro você, Fabiano. Você parece diferente dos outros homens que conheço. Deve ter tudo na vida. Vai se casar com uma pessoa que realmente deve te amar de verdade. Isso tudo é tão lindo!

Você está certa. Tenho uma vida boa, sim. E sou feliz por isso. Mas me falta uma coisa pra mim realmente ser feliz.

E o que é? — ela se intriga com o comentário dele.

Eu preciso fazer algum bem pra sociedade, tipo auxiliar crianças carentes, fazer parte de algum trabalho comunitário, enfim. Eu queria ajudar de alguma forma a mais, entende? Tornar-me presente, sabe?

Entendi. — diz ela, já percebendo que aquele homem era realmente diferente e bom de coração. — mas você não ajuda financeiramente?

Sim. Claro! Eu nunca deixo de investir nisso. Sempre faço minhas doações e eles agradecem, me dando alegria e carinho sempre.

Quer um conselho, Fabiano?

Eu aceito. — diz ele, sorrindo.

Entre para uma ação comunitária e seja voluntário. Faça o bem! Isso vai ser muito bom pra você.

Fabiano agradece o conselho, beijando a mão de Lisiane e essa atitude a deixa desconcertada.


Noêmia deixa Suany sair e decide ir atrás dela, de Uber. Chegando no local, a mãe flagra a filha de abraços com Tony numa esquina escura, próximo da academia. Ela pega o celular e tira fotos da filha com o rapaz. Sem saber que estava sendo flagrada pela mãe, Suany tira a camisa de Tony e o beija ardentemente.

De dentro do Uber, o motorista olha para Noêmia e ela diz:

Pode ir agora, por favor!

O motorista dá a partida e se retira do local, discretamente.

Olhando as fotos pelo celular, Noêmia leva a mão na boca e fica sem chão.


Verena chega em casa e encontra Guilhermina lendo um pouco, sentada no sofá da sala. As duas se cumprimentam, abraçando-se. Cansada, ela se joga no sofá diante da filha que sorri.

Dia cansativo, mãe? — pergunta a filha.

Demais. Ah, antes que eu me esqueça: chegou a correspondência da França. diz Verena, retirando da bolsa a carta e deixando a filha curiosa, dando um sobressalto.

Mãe, que coisa mais linda!

Verena consente, mostrando à filha, que fica feliz com a resposta deles.

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De repente, surge Fabiano na sala e encontra as duas ali juntas conversando sobre o castelo da França.

Filho, vem aqui ver o retorno que obtive do Château de Chenonceau. convida Verena.

Fabiano se sente alegre ao ver o entusiasmo das duas e pergunta por Suany.

Ué! A Suany disse que passaria na casa da mãe depois da academia. diz Guilhermina, séria.

Eu nem vi a Suany hoje, meu filho. sinaliza Verena.

Eu passei na casa da Noêmia mais cedo e não tinha ninguém em casa. diz o empresário.

Verena e Guilhermina se entreolham.


Na empresa, Paulo recebe a visita de um misterioso homem em seu escritório e os dois se cumprimentam. O irmão de Fabiano fecha a porta discretamente e o misterioso homem de terno escuro, desliza a maleta sobre a mesa e abrindo, tira alguns documentos e os entrega. Com os papéis em mão, Paulo analisa, com calma.

Esses são os documentos de venda, feita para aqueles clientes de Dubai, certo? — pergunta Paulo, curioso.

Exatamente. São os negócios fluindo, meu caro.

E como eles aceitaram essa venda?

Não tivemos problemas com emissão de nota fiscal falsa. Conseguimos driblar a alfândega, com uma ajudinha especial.

Eu admiro sua coragem e competência. Se minha mãe descobrir isso, estamos ferrados.

O homem misterioso consente e Paulo se alegra por ter conseguido uma boa grana com a venda de jóias.


Mais tarde, Suany se sente radiante ao chegar na casa de Noêmia e pergunta pela mãe. A empregada avisa que ela não se encontra em casa e a jovem estranha.

Tony ouve a campainha que tocava sem parar e avisa que já vai atender. Ele sai do banho de toalha às pressas e abre a porta, quando se depara com a presença de Noêmia.

Olha, se for pra vender alguma coisa, não quero comprar nada!

Noêmia o encara, com um olhar sério.

Vagabundo! Ordinário!

Tony fica surpreso com as palavras saídas da boca daquela senhora e fica sem entender nada.

Minha senhora, eu não te conheço pra ser tratado desse jeito. Pode me dar licença?

Eu quero você longe da minha filha e da minha família, seu marginal! diz a senhora, em tom severo.

Do que está falando, minha senhora? Está doida?

Fique longe da minha filha Suany ou eu te mato, seu desgraçado! A voz dela tremia de raiva, deixando-o surpreso.