Assim que Daniel acabou de falar com
seu irmão no telefone, seus pensamentos pareciam emaranhados de ideias, pois
ficou aficionado de poder fazer alguma coisa naquela história, mas em poder
ajudar Gisele, impressioná-la e tentar chamar mais a sua atenção. Daniel não
podia resistir mais. Estava apaixonado por ela e ele não podia deixar passar
aquela oportunidade de fazer alguma coisa também. Só deveria esperar mais um
pouco até que seu irmão fizesse o que ele pedira.
Daí por diante não podia mais ficar
tranquilo dentro do ambiente de trabalho e começou a ficar inquieto.
Quando foi levar alguns papéis para
Doroth que estava substituindo os serviços de sua amada, sua fisionomia não
parecia ser a mesma e Doroth percebeu isso, ao examinar uns documentos.
Enquanto ele se servia de café numa
bandeja disposta numa mesa ao lado, Doroth examinava os documentos para dar o
aval.
– Olha, Daniel tem algumas pautas a
preencher aqui e além do mais, você esqueceu de assinar esses dois documentos.
Daniel pegou os papéis um tanto sem
jeito e isso o constrangeu pois nunca acontecera antes desde que ele começou a
trabalhar na empresa.
– Olha Doroth, ... – disse ele
tentando se desculpar. – Eu não sei como me distrair assim. Me desculpa, mas eu
posso voltar a minha mesa e corrigir tudo agora mesmo.
– Daniel – Doroth olhou bem pro rosto
dele e viu que ele estava ruborizado e vermelho, mas sabia que não era de
vergonha pelo erro no serviço que lhe entregara, mas ele estava preocupado. –
Eu acho melhor deixar pra lá e fazer tudo de novo pelo menos esses quando você
tiver legal e mais calmo.
– O que você quer dizer? – perguntou
ele surpreso.
– Ora Daniel, ... – disse Doroth com
um pequeno sorriso no canto dos lábios – Dá pra perceber o quanto você ficou
inquieto com essa história da Grace e que está atingindo a Gisele.
Daniel apertou os lábios e seus olhos
se apertaram olhando para Doroth. Ela acertara em cheio.
– Sei que não só que ela está fazendo
falta aqui não só para empresa, mas parece muito mais pra você.
– Doroth, é melhor eu voltar para
minha mesa e terminar outras coisas. Me dê aqui esses papéis que eu vou
corrigir agora.
Daniel ia tomar os papéis das mãos de
Doroth novamente, mas ela segura os maços de papéis propositadamente como que
tentando impedir de Daniel levar de volta, mas com um vago sorriso no rosto.
Mas foi a forma de deter o rapaz mais um pouco e falar olhando bem nos olhos
dele:
– Como eu te falei antes eu sei que
você ta gostando de minha amiga de verdade e sei o quanto ela ta fazendo falta
aqui e o quanto essa história toda o incomodou e você está preocupado com ela.
– Sem ela aqui parece que não tem
sentido nada por aqui. Sim, eu confesso. E a você que é a melhor amiga dela.
– Pois então como melhor amiga dela e
já que você reconhece isso, quero te pedir mais uma vez se é que eu já pedi
antes: Por favor, Daniel, se alguma coisa acontecer entre vocês, eu te peço que
não decepcione a minha melhor amiga.
– E por que você está falando assim?
– Eu mais do que ninguém e até você
mesmo, sabe o quanto ela sofreu e teve decepções.
Daniel começou a divagar em seus
pensamentos ali e começara a compreender a dureza de Gisele com ele.
– Mas o que aconteceu antes?
– Isso eu não posso falar. Gisele é a
minha melhor amiga e eu só quero ver a felicidade dela.
Essa última palavra que Doroth disse
como se fosse um ultimato, e fez soltar os papéis nas mãos de Daniel olhando
ainda pra ele.
– É melhor eu voltar pra minha mesa.
– Já disse que você pode fazer isso
depois. Relaxa cara! Está quase na hora do almoço e você pode ir. Aproveita e
tenta ficar mais tranquilo. Gisele garantiu que viria ainda hoje e ela cumpre o
que diz sempre, não importa o que esteja acontecendo.
O rosto de Daniel se iluminou aos
poucos e um sorriso se desbotou de seus lábios olhando pra Doroth.
– Eu já vou almoçar. Vou só na minha
mesa.
Se afastou de costas aos poucos e
quando ia se virar para seguir para sua mesa esbarrou num colega
comicamente. Doroth deu uma risadinha de
deboche, mas sabia o quanto Daniel estava sendo sincero.
– Foi mal, brother, desculpa aí... – O
rapaz se desculpava um tanto sem jeito para o colega que não ligou muito, mas
seu coração batia acelerado de felicidade, pois tinha certeza agora que tinha
uma aliada na sua conquista de Gisele.
– Daniel! – Doroth o chamou pela
última vez o que fez Daniel se virar pra ela mais uma vez surpreso. – Só queria
te dizer uma última coisa: Só quero te dizer que aconteça o que acontecer,
eu... Eu torço por vocês dois.
Daniel vibrou dentro de si e não se continha de felicidade.
Depois de pedir mil desculpas para Sr.
Otávio por telefone sobre sua ausência na empresa e este tê-la liberado dos
seus serviços devido ao sistema de banco de horas, Gisele aproveitou que ficou
em casa e resolveu botar o apartamento em ordem um pouco, mas estava
preocupada. Acreditava que fazendo aquela atividade poderia se distrair um
pouco e não deixar se envolver demais com a preocupação com sua amiga.
O telefone estava numa posição
estratégica para ela pegar no caso de eventual telefonema de notícias de Grace.
O celular também estava consigo o tempo todo, no caso se tocasse ela atendesse
imediatamente. Mas sua preocupação era tanta e ela começou a se sentir sozinha
naquele apartamento. Sabia que todos estavam mobilizados e ela não podia fazer
nada no momento.
No momento que ela estava tentando
arrumar uns papéis na estante que estava dentro de uns livros, os objetos
caíram no tapete do chão. Gisele desceu do banquinho imediatamente para catar
os papéis que caíram e... foi inevitável:
Aquela cena, naquele dia quando dos
primeiros momentos em que começara a trabalhar com Daniel veio a sua mente.
“Ora, isso não é hora de pensar nisso,
num momento tão difícil como esse.”
Gisele tentou afastar aquelas
lembranças de seu pensamento. “Você só pode estar louca, Gisele!”
Gisele catou os papéis no tapete, mas
ela nem mesma percebera que suas mãos estavam trêmulas e suadas a ponto de
manchar os papéis com umas pontas de suor de seus dedos. Realmente se sentira
nervosa com aqueles pensamentos que teimava invadi-la:
“Desculpa Gisele, mas eu não consegui resistir.”
“Você foi longe demais. Não devia ter
feito isso.”
Por mais que nunca aceitasse, algo em Daniel
a chamava atenção, a provocava. Ela sentia algo por ele, talvez por ele ter uma
personalidade contrária à dela, ou querer sei lá se impor mais.
Quando ela se levantou com os papéis
nas mãos já que devia pôr de volta na estante, ela parou um pouco e veio
novamente aquele momento em que ela estava diante de Daniel naquela vez lá na
empresa e:
“Espera aí, Gisele! Sei que você
gostou desse beijo. Por que não admite que também está sentindo algo por mim?”
“O quê? Como você pode ter coragem de
falar uma coisa dessas? Eu não sinto nada por você.”
“Não é o que os seus olhos dizem
Gisele. Sei que você gosta de mim só não tem coragem de assumir isso.”
Era uma petulância e tanto perguntar aquilo e
justamente pra ela.
Gisele fechou os olhos e seu rosto
parecia brotar gotículas de suor ante os olhos fechados com aquele pensamento.
“Como posso pensar tal coisa.” – Ela brigava
com seus pensamentos:
“Daniel, vá embora! Acabou o
expediente e acho melhor você ir ou...”
“Ou vai dizer para o Sr. Otávio que eu
a beijei a força nesta sala.”
Não queria aceitar que ele lhe atraía de
verdade.
Será que a despeito de toda a sua
insistência e a repulsa de Gisele de abrir o seu coração e dar espaço a mais
alguém, ela estava gostando de Daniel?
Ela perguntava a si mesma. Seus
pensamentos eram de nojo de toda as lembranças daqueles momentos ou aquilo tudo
estava fazendo falta pra ela? Os gestos de Daniel e sua ousadia com ela
naqueles últimos dias.
Só tinha uma maneira, o que lhe
ocorreu de pensamento relâmpago de acabar com aquilo e não passar por
sobressaltos daquelas lembranças em seus pensamentos.
“Sim! Eu vou dizer sim, Daniel! Eu vou
dizer que você entrou por aquela porta e...”
“E o quê Gisele? – diz Daniel, se
aproximando de novo.”
O tormento continuava. Até que ela
abriu os olhos, deu um sobressalto sacudindo um pouco a cabeça e pensou
friamente:
“Só tem um jeito de acabar com isso. É
demitindo aquele abusado!”
Será que ela vai fazer isso?
Mas daí a ter a coragem de fazer isso
com o rapaz, colocá-lo pra fora da empresa por motivos escusos e não óbvios não
era justo – pensava ela. E além de tudo ela já começava a sentir que não
conseguiria ficar longe dele nem mais um instante.
Mas
como fazer para esquecê-lo por aquele momento? Como driblar essa situação que já estava chegando num
ponto totalmente absurdo.
Foi aí que a campainha da porta tocou.
Alda e Emiliano estavam transtornados
com o rumo que a história estava tomando quanto ao desaparecimento de Grace,
mas por enquanto não formaram queixa oficial na polícia devido às quarenta e
oito horas obrigatórias que as autoridades impunham depois que as pessoas
desapareciam.
Mas mesmo com a situação delicada que
estavam passando ainda assim não paravam de se digladiarem.
– E agora? Que você pretende fazer
depois que acabar tudo isso? – perguntou Alda na mesa de jantar diante do
marido um tanto consternado.
– Vamos esperar, Alda. Se até amanhã
não aparecer nenhuma notícia vamos dar a queixa na delegacia e tomar medidas
mais...
– Eu não to falando disso, Emiliano! –
interrompeu Alda irritada. – Eu confio nos rapazes e nas meninas,
principalmente na Gisele. Logo nossa filha vai entrar por esta porta se Deus
quiser.
– Mas, do que você está falando
então?! O que é mais preocupante pra você do que o sumiço de nossa filha?
– Eu quero saber quando a nossa filha
voltar pra casa se nossa situação vai ficar a mesma.
– Ora Alda... – Emiliano deu um salto
da mesa irritado e jogando o guardanapo pro lado. – Que que há com você? Num
momento como esse você vem falar de nossa relação?
– Claro, é toda a causa da confusão de
nossa filha e você sabe disso. Você sabe como são os acontecimentos aqui em
casa entre a gente e tem deixado nossa filha insegura. Isso tem que ter um fim.
Emiliano se vira para Alda e se
aproxima devagar de novo.
– O que você quer dizer? Você quer
acabar com tudo definitivamente é isso?
Alda se levanta e olha para Emiliano
pronto para dizer umas palavras para ele.
Emiliano fica olhando para Alda com expectativa naquele momento tenso.
Quando Gisele abre a porta seu coração
dispara, mas de ansiedade, pois era Zeca que estava chegando e esperava dele
alguma novidade já que ele e os outros estavam mobilizados por causa da procura
por Grace.
– Oi Zeca. Que legal você ter vindo.
Eu estou tão ansiosa aqui por novidades e ninguém ligou até agora. Entra. E aí?
Gisele ficou tão afoita que nem fechou
a porta e ficou entreaberta. Ela puxou o braço de Zeca e o trouxe mais pro meio
da sala.
– E então? – perguntou Gisele ansiosa.
Zeca olhava nos olhos de Gisele e não
veio trazer só as últimas novidades. Ele vinha num propósito que já tinha há
muito tempo e achava que aquele era o momento.
– Eu, quer dizer, nós ficamos sabendo
que Grace foi vista num ponto de táxi e pegou um veículo para a rodoviária. Ela
deve ter ido para muito longe.
– Meu Deus! – Gisele se afligiu. –
Como vou dizer isso para os pais dela?
– Sei que isso aflige não só os pais
dela, mas a você e a nós que a conhecemos e se solidarizamos com as pessoas.
Por isso que eu vim aqui Gisele. Eu sabia que você estava precisando de alguém,
de um amigo ao seu lado no mínimo.
Num impulso, Gisele abraça Zeca e
fala:
– Obrigado amigo. Eu estava aqui
atormentada.
Mas só Gisele sabia do que estava
falando.
– Gisele olha... – Zeca envolveu seus
braços nas costas dela.
Gisele ficou um pouco constrangida e
tentou se desvencilhar dele.
– Zeca a porta ta aberta. Deixa-me ir
lá fechar!
– Só um momento, Gisele. Olha pra mim!
Daniel, que ficara sabendo que Gisele
não iria trabalhar naquele dia, pediu pra ser liberado um pouco mais cedo com a
desculpa de que iria resolver umas coisas pessoais e com o auxílio de Doroth,
já havia encontrado o endereço de Gisele e como era um prédio que não tinha
porteiro, de posse do número do apartamento ele decidiu subir até ao corredor e
ir ao encontro dela. Ia falar tudo para ela, tudo o que mais desejava falar e
ainda mais agora naqueles momentos em que ela estava fragilizada.
Por um momento ficou pensando antes de
subir as escadas o que ia falar com ela, como conseguiu o endereço e seu motivo
de estar ali. Mas decidiu subir as escadas enquanto pensava no que ia dizer.
Gisele se viu nos braços de Zeca e por
um momento as lembranças do passado veio a sua mente ferida.
– Zeca por favor, não é hora disso. Por
que isso agora?
– Porque eu ainda gosto de você,
Gisele e eu não podia deixar passar esses momentos sem te dizer isso ainda mais
numa hora como essas. Você é uma pessoa que se preocupa com as pessoas, que se
abnega até de seu trabalho pela causa que você ta abraçando. Eu é que não soube
reconhecer a pessoa maravilhosa que você é. Por favor, me perdoa! Me perdoa e
vamos recomeçar tudo de novo.
– Zeca, por favor, me larga. – Ao
mesmo tempo ela queria subitamente que Zeca a abraçasse ainda mais, pois tudo
que ela queria era um abraço. Mas na falta de Daniel o que ela já estava
desejando já era o suficiente. Faz de contas que estava nos braços de seu novo
amor.
– Zeca!!! – Gisele encostou sua cabeça
no ombro de Zeca. Estava fragilizada e carente e um tanto confusa naquele
momento. Zeca, por sua vez entendendo que ela estaria correspondendo segura o
rosto dela e olha mais uma vez para ela profundamente num misto de expectativa
e esperança.
Daniel já está no corredor do
apartamento de Gisele e com o papel na mão e confere o número e olha para a
porta indicada. Por um momento, ele pensou vendo aquela porta entreaberta que
Gisele deveria estar com um de seus amigos já que todos estavam mobilizados por
Grace e seu apartamento virou praticamente um quartel general de informações.
Caminhou até a porta para bater.
Zeca olha para Gisele desesperadamente
e Gisele olha para Zeca confusa pelo momento, mas carente. Por um momento pensa
no rosto de Daniel e as mãos dele percorrendo suas costas de novo como naquela
vez lá no escritório em que a abraçou e a beijou ousadamente.
E Zeca aproxima os seus lábios no dela
a abraçando ainda mais. Ela por um momento se entrega para ele naquele momento
de carência e pensa em Daniel e em seus lábios quentes que era de Zeca. Se
entrega aos beijos dele.
Daniel viu que não tinha sentido bater
na porta já que estava entreaberta e achou que Gisele não ia ficar tão
assustada já que os dois trabalham na mesma empresa. E seria naquela noite que
ele iria fazer cair a última fronteira do coração de Gisele.
Mas quando ele abriu a porta
devagarzinho e olhou aquele casal no meio da sala abraçados e aos beijos, mal
ele pôde acreditar vendo Gisele com outro cara.
Seus olhos se apertaram e seu coração
disparou e suas mãos tremularam segurando a maçaneta da porta entreaberta vendo
aquela cena decepcionante.



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